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Base de Alcantara no Brasil vai lancar satelites
internacionais: Acao dos EUA foi fundamental para acordo entre Brasil e Ucrania
(Folha de S�o Paulo) Em decisao politica de grande significado para as relacoes
entre Brasil e EUA, a administracao Clinton abriu o caminho para que empresas
americanas de telecomunicacoes passem a usar o Centro de Lancamentos de
Alcantara, no Maranhao, como opcao para por seus satelites em orbita, com
propulsao de foguetes nao-americanos -- ou, especificamente, ucranianos.
A decisao foi tomada no inicio deste mes, ao fim de um processo que envolveu varias agencias e ministerios e enfrentou fortes resistencias, por causa de preocupacoes relacionadas 'a nao-proliferacao de tecnologia de misseis. O embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, disse que o gesto dos EUA "e' importante demonstracao de confianca e de reconhecimento dos esforcos que fizemos nos ultimos anos na area de nao-proliferacao, assinando os tratados internacionais relevantes e abrindo o programa nuclear". Rubens Barbosa afirmou tambem que a decisao americana de nao vetar a participacao de empresas americanas em consorcios de lancamento de satelites com o Brasil "abre um mercado com potencial brutal". Funcionarios brasileiros virao a Washington no inicio do ano para iniciar a discussao dos pontos especificos ainda pendentes, que envolvem a negociacao de salvaguardas e garantias de que as tecnologias que o pais recebera' para ampliar sua capacidade de lancamento de satelites ficarao restritas 'as esferas comercial e cientifica e nao serao usadas para fins militares. Segundo pessoas familiarizadas com os entendimentos, o gesto de Washington, no qual o Executivo brasileiro vinha insistindo ha' tempo, estimulou a finalizacao do acordo de cooperacao espacial que o ministro da C&T, Ronaldo Sardenberg, assinou nesta quinta-feira em Kiev com o presidente da Agencia Nacional Espacial da Ucrania, Olexander Nehoda. "Esse e' um importante e ambicioso projeto, com grande potencial para os dois paises", declarou Sardenberg. "Ja' temos varias propostas de financiamento de bancos e empresas e diversos provaveis clientes", disse o ministro, sem especificar valores. "A assinatura do acordo abre um leque de oportunidades tanto no ambito academico quanto nas relacoes empresariais e comerciais", afirmou o presidente da Agencia Espacial brasileira, Luiz Gylvan Meira Filho. Na area comercial, podera' levar 'a viabilizacao comercial do Centro de Lancamentos de Alcantara em prazo relativamente curto. Dependendo da evolucao dos entendimentos que ainda faltam com Washington e do interesse das empresas, um dos desdobramentos esperados do acordo e' a formacao de um consorcio entre as agencias espaciais do Brasil e da Ucrania, com a participacao de empresas americanas e de outros paises, para oferecer servicos de lancamento em Alcantara usando o foguete Tsyklon. A Ucrania, que tem em Yuzhnoye um dos centros mais avancados de tecnologia no setor, participaria da ampliacao da infra-estrutura da base brasileira, que hoje tem capacidade de lancar apenas foguetes de pequeno porte. Alcantara oferece, potencialmente, os custos mais competitivos entre as 14 bases de lancamento de satelites em operacao em varios paises, por sua posicao geografica privilegiada: esta' situada a apenas 2,3 graus ao sul do arco do Equador, onde opera a maioria dos satelites de comunicacoes, na orbita geoestacionaria de 22 mil km de altitude (na verdade sao 36,5 mil km de altitude). A rapida expansao global das telecomunicacoes vem aumentando muito a demanda por servicos de lancamentos de satelites comerciais. A participacao de empresas americanas, que dominam o setor, e' considerada essencial para tornar viavel qualquer empreendimento. Elas dependem, no entanto, de autorizacao do governo para usar foguetes nao-americanos e bases de lancamento fora dos EUA, para colocar seus satelites em orbita. Essa autorizacao e' dada caso a caso, mas depende de uma decisao politica, agora tomada no caso do Brasil. N.E.- Folha de SP: A anunciada decisao do governo dos EUA de permitir o lancamento de satelites de empresas norte-americanas por foguetes ucranianos a partir de Alcantara, se confirmada, parece representar importante mudanca no comportamento de Washington diante desta questao. Cabe lembrar que este ano foi conhecido um documento diplomatico denominado "non-paper", enviado pelo Departamento de Estado dos EUA 'a chancelaria da Italia, nao recomendando que a empresa italiana Fiat-Avio se comprometesse com o projeto de promover lancamentos com foguetes ucranianos desde a base brasileira de Alcantara. Este "non-paper" foi interpretado (e criticado) como pressao do governo dos EUA no sentido de impedir a concretizacao do consorcio reunindo a FiatAvio, duas empresas Ucranianas e a empresa brasileira Infraero, encarregada da comercializacao do Centro de Alcantara. O consorcio trata de oferecer nova e competitiva alternativa ao mercado mundial de lancamento, que se agita com grande numero de satelites de telecomunicacoes programados para serem colocados, sobretudo, em orbitas baixas e medias. A acao dos EUA deu motivo a uma serie de negociacoes entre autoridades brasileiras e norte-americanas, a partir de agosto deste ano, que agora parecem estar chegando a bom termo. Sabe-se que uma das condicoes propostas pela parte norte-americana para permitir que empresas dos EUA lancem satelites desde Alcantara seria a desistencia brasileira de levar adiante o projeto do foguete VLS (Veiculo Lancador de Satelites). Soube-se, porem, que o Brasil nao aceitou tal condicionamento. O VLS-1, como se sabe, deve realizar sua segunda tentativa de lancamento inaugural agora em dezembro, desde Alcantara. O acordo entre Brasil e EUA sobre este tema �, sem duvida, de enorme relavancia para o futuro de Alcantara. Seu texto certamente sera' divulgado assim que ele for conclu�do, no inicio do ano. Acordo espacial com Ucrania abre caminho 'a comercializacao do Centro de Lancamentos de Alcantara, no Maranhao (Folha de S�o Paulo) Os governos do Brasil e da Ucrania assinaram nesta quinta-feira acordo de cooperacao para desenvolver projetos de pesquisa na area espacial que impulsionara' a utilizacao comercial do Centro de Lancamento de Alcantara (MA). Consorcio formado por duas empresas ucranianas (Iujnoie e Iujmash) e pela italiana Fiat Avio (braco da Fiat na area de defesa e aviacao) negocia ha' quase dois anos uma joint-venture com a Infraero para colocar no espaco satelites lancados de foguetes Ciclon-4 ucranianos a partir da base de Alcantara. O acordo assinado ontem em Kiev (Ucrania) facilitara' a formalizacao da joint-venture com o consorcio italo-ucraniano. Segundo o ministro Ronaldo Sardenberg (Ciencia e Tecnologia), Brasil e Ucrania dispoem agora de um quadro politico e juridico apropriado para viabilizar o contrato. "A intencao e' que o primeiro lancamento ucraniano em Alcantara ocorra ja' em 2001", disse Sardenberg. "A Ucrania quer mostrar que o Ciclon-4 pode ser usado comercialmente, e nos, que a base de Alcantara tem o mesmo potencial". Para permitir o lancamento dos foguetes, o governo brasileiro tera' de fazer investimentos de US$ 74 milhoes na base de Alcantara para a construcao de porto, nova area de lancamentos, alojamentos e ampliacao da rede eletrica. Alem do consorcio italo-ucraniano, outras 18 empresas estrangeiras, entre elas a norte-americana Boeing, ja' demonstraram interesse em usar as instalacoes de Alcantara para lancar foguetes. Se a parceria for formalizada, sera' a primeira vez que o CLA sera' usado para fins comerciais. Para Alcantara ser usada comercialmente e' preciso vencer outro empecilho: a qualificacao da base para o lancamento de foguetes. Ou seja: e' necessario realizar pelo menos um lancamento de veiculo lancador de satelite. A Agencia Espacial Brasileira espera fazer esse lancamento ate' o fim do ano. A previsao inicial era que o primeiro foguete brasileiro carregando satelite nacional fosse lancado de Alcantara entre 15 e 25 de novembro. Entretanto problemas durante a fase de testes pre-lancamento no satelite Saci-2 causaram atraso. O mercado de lancamento de satelites movimenta anualmente cerca de US$ 15 bilhoes. Os EUA detem 40% do mercado, seguidos pela Uniao Europeia (31%), Russia (20%) e China (9%). |
