A ANPCA INFORMA 031

A QUEM INTERESSA O DESARMAMENTO?

� �bvio, para qualquer pessoa mais ou menos esclarecida,
que essa campanha de desarmamento nada tem a ver com a
criminalidade ou a tal �viol�ncia�. No entanto, para a
maioria das pessoas n�o s�o evidentes os motivos de tal
campanha. Tentaremos, nessas poucas linhas, explicar o
que est� acontecendo.

Imagine o leitor que voc� colocou todas as suas economias
em a��es de uma determinada empresa. Um belo dia voc� recebe
a informa��o que a empresa est� a beira da fal�ncia.
O que voc� faria? Bem, em primeiro lugar trataria de manter
segredo total sobre a situa��o da empresa e diria para todo
mundo que a empresa vai muito bem, obrigado. Enquanto isso,
tentaria vender os pap�is o mais rapidamente poss�vel, para
recuperar o dinheiro aplicado, e cuidaria de aplic�-lo em
ativos reais, tipo uma casa ou um terreno. N�o � assim que
todos agem?

Agora imagine que grandes grupos econ�micos descobriram que
existe uma �bolha especulativa� de alguns trilh�es de d�lares
no sistema financeiro mundial. Essa montanha de dinheiro n�o
corresponde a nenhuma riqueza, isto �: n�o passa de papel
pintado, sem lastro.

Tal como voc� faria, esses grupos tentam manter segredo sobre
o assunto enquanto tratam de converter esse papel em ativos
reais. O problema � que converter essa incr�vel quantidade
de dinheiro em ativos n�o � f�cil. � preciso transformar
esse papel em bens que mantenham seu valor no caso do
sistema financeiro mundial entrar em colapso. O ideal �
comprar coisas que sempre ter�o valor enquanto existir a
humanidade, por exemplo: min�rios, petr�leo, terra f�rtil,
empresas de energia el�trica, grandes redes de
telecomunica��es, etc.

Mas para adquirir essas riquezas alguns obst�culos precisam
ser removidos. O maior deles s�o os estados nacionais.
Fora dos EUA, a regra geral � esses bens estarem sob controle
dos estados, na maioria das vezes sob o manto de grandes
empresas estatais. Diversas estrat�gias foram adotadas por
esses grupos para acabar com as barreiras que os diversos
pa�ses criaram para proteger suas riquezas (reserva
constitucional, barreiras alfandeg�rias, tarifas
preferenciais, monop�lios, leis excludentes, etc.).

Para n�o precisar empregar for�a militar (at� porque os
interesses desses grupos nem sempre coincidem com o
interesse nacional de algum pa�s poderoso), foram adotadas
as seguintes estrat�gias: 1) Controlar as ag�ncias
internacionais de fomento (Banco Mundial, BID, FMI, etc.,
al�m, � claro, da ONU) 2) Aumentar os juros de forma a
endividar os pa�ses mais pobres e for�a-los a vender seus
ativos; 3) Financiar pessoas e institui��es contr�rias a
presen�a do estado na economia, favor�veis ao conceito de
soberania limitada e a livre movimenta��o de capitais;
4) Acabar com toda legisla��o que fomente empresas nacionais;
5) Adquirir os meios de comunica��o (ou subornar seus
propriet�rios) de forma que apenas pessoas e id�ias
favor�veis a seus interesses tenham divulga��o; 6) Promover
campanhas de descr�dito contra pessoas e institui��es que
oponham resist�ncia a seus interesses; 7) Subornar pol�ticos
para aprovarem as mudan�as adequadas; 8) Premiar e
condecorar pessoas e institui��es que  apoiam as teses
anteriores; 9) Enfraquecer os grupos nacionalistas e as
for�as armadas; 10) Enfraquecer o estado fomentando
radicalismos e desaven�as internas;11) Promover mudan�as
pol�ticas que consolidem as conquistas obtidas;
12) Desarmar a popula��o de forma a n�o haver riscos de
uma revolta popular armada.

Esse receitu�rio � v�lido para todos os pa�ses e foi
aplicado, com maior ou menor sucesso, no mundo todo e n�o
apenas no Brasil. N�o vamos discorrer sobre como essas
t�ticas foram empregadas em nosso pa�s, mas se observarmos
a hist�ria recente veremos que todos os itens acima foram
implementados com grande sucesso e todas as nossas riquezas
(sejam estatais ou privadas) foram alienadas para grandes
grupos estrangeiros. N�o � mera coincid�ncia que o presidente
que promoveu essa liquida��o do patrim�nio nacional seja o
mesmo que deseja o desarmamento da popula��o.

O momento atual � de consolidar essas conquistas. O �nico
grande grupo nacionalista que restou no pa�s s�o as for�as
armadas e suas auxiliares. � importante, portanto, mant�-los
fracos e sob constante ataque. Assim reduzem-se as verbas,
o armamento, os sal�rios e qualquer forma de est�mulo a
carreira militar. Da� a campanha de torn�-las for�as
policiais; Da� a campanha para desacredit�-las - assim como
as pol�cias � principalmente a Pol�cia Militar; Da� a
reabertura de processos arquivados h� muito tempo, etc.
Notaram o que est� acontecendo nesse momento com a Brigada
Militar do Rio Grande do Sul?

Se isso n�o for suficiente, estimula-se a forma��o de grupos
guerrilheiros locais, tal como estamos vendo no M�xico,
Peru, e Col�mbia, de forma a dar uma "ocupa��o" aos
militares e imped�-los de pensar nos outros tipos de saques
que est�o acontecendo no pa�s. Outra vantagem dessa t�tica
� que, se tiver sucesso, pode colocar o pa�s de joelhos e
for��-lo a pedir uma �ajuda� militar internacional � tal
como estamos vendo acontecer na Col�mbia.

� preciso tamb�m fazer mudan�as pol�ticas de forma a reduzir
a possibilidades de um presidente nacionalista assumir o
poder. � imperioso reduzir os poderes do presidente e por
isso vemos (novamente) a campanha pr�-parlamentarismo em a��o.

Como dissemos, a forma preferencial de impor as id�ias
anti-nacionais � atrav�s do fomento de pessoas e institui��es
que comungam com os interesses alien�genas. O papel das
Organiza��es N�o Governamentais (ONGs) � important�ssimo
nesse aspecto. S�o elas que, aproveitando-se da boa f� de
algumas pessoas, divulgam e implementam as pol�ticas
anti-nacionais e enfraquecem o papel das institui��es do
estado. Notaram como elas est�o sempre contra militares e
policiais? Notaram que direitos humanos s�o s� para os
bandidos e n�o para os policiais e suas fam�lias (ou mesmo
para as v�timas)? Notaram como n�o falta dinheiro para suas
atividades?

Segundo a revista Veja de 09/fev/94, existem (existiam,
na �poca) 5000 ONGs atuando no Brasil, com or�amento anual
de 700 milh�es de d�lares, dos quais 80% prov�m de doa��es
do exterior. Nelas trabalham cerca de 80 mil profissionais,
dos quais 60 mil em tempo integral e a maioria possui curso
superior. N�o � interessante vermos como esses grupos
estrangeiros s�o bonzinhos e est�o preocupados com nossos
problemas?

No caso do desarmamento brasileiro, a ONG intitulada Viva
Rio ocupa papel de destaque.
O Viva Rio surgiu em 17 de novembro de 1993, alguns dias
depois do semin�rio internacional intitulado �Cidadania
Participativa, Responsabilidade Social e Cultural em um
Brasil Democr�tico� onde o maior destaque foi a presen�a
do banqueiro David Rockefeller, ex-presidente do Chase
Manhattan Bank, proferindo o discurso inaugural. � curioso
notar que o banqueiro, hoje filantropo, foi um dos principais
respons�veis pela implanta��o da pol�tica neo-liberal
causadora da mis�ria da maioria da popula��o brasileira.
Por coincid�ncia, estava presente no semin�rio o ent�o
chanceler Fernando Henrique Cardoso.

O Viva Rio integra a rede mundial de ONGs anti-armas
chamada IANSA � (International Action Network of Small Arms).
Os objetivos e estrat�gias da IANSA est�o relacionados em
suas diretrizes:

Algumas diretrizes da IANSA
1 � Reduzir a disponibilidade de armas para civis em todas
as sociedades;
2 � Estabelecer regulamenta��es, treinamento e supervis�o
para assegurar o compromisso com padr�es internacionais de
direitos humanos por institui��es estatais, for�as armadas
irregulares e cidad�os, no uso de armas leves;
3 � Promo��o de programas para incentivar os cidad�os a
entregar armas de fogo ilegais, inseguras ou indesej�veis;
4 � Relat�rios regulares ao Registro de Armas Convencionais
da ONU e apoio � extens�o de sua abrang�ncia para incluir
algumas categorias de armas leves;
5 � Refor�ar o papel da sociedade civil no monitoramento de
transfer�ncias e do uso de armas leves nas esferas nacional,
regional e internacional;
6 � Acompanhamento e monitoramento de transfer�ncias e
movimenta��es de armas leves;
7 � Estabelecer sistemas pol�ticos e legais para assegurar
um efetivo controle e monitoramento civil das for�as
militares, pol�cias e outras institui��es de aplica��o da lei;
8 � Reduzir os gastos militares ao n�vel mais baixo poss�vel;
9 � Desenvolver campanhas locais, nacionais e regionais de
educa��o e percep��o p�blicas, destinadas a deslegitimizar
a posse de armas como parte de um processo de constru��o de
confian�a em institui��es de seguran�a p�blica imparciais;
10 � Apoiar ONGs e o estabelecimento de capacidade comunit�ria,
particularmente em regi�es e localidades onde o uso de armas
e a viol�ncia  sejam mais problem�ticos e as ONGs tenham
poucos recursos, de modo a facilitar que elas possam
desempenhar um papel pleno na IANSA;
11 � Assegurar que as campanhas, a m�dia e o trabalho
pol�tico mantenham o v�nculo humano sempre que poss�vel,
por exemplo, �dando um rosto �s v�timas�;
12 � Engajar, quando apropriado, o apoio de figuras p�blicas
respeitadas e populares para transmitir mensagens de campanha
para a m�dia e o p�blico;
13 � Estigmatizar a��es de atores estatais e n�o estatais
percebidos como contribuintes para o problema das armas leves
e desenvolver estrat�gias para incentivar mudan�as positivas
e de acordo com os padr�es internacionais.

O item n�mero 4 revela-nos que as ONGs querem um registro
universal das armas de fogo no �mbito da ONU. Vejam os
itens 5 e 6 - por eles percebemos porque o Viva Rio est�
t�o interessado em assumir o controle dos arquivos da Pol�cia
Civil do Rio de Janeiro e do SINARM da Pol�cia Federal.
Eles querem substituir Ex�rcito e Pol�cias no controle das
armas civis. Os itens 2 e 7 mostram claramente a inten��o
de controlar as For�as Armadas e as Pol�cias. O item 8
confirma o que j� dissemos quanto ao enfraquecimento das
For�as Armadas. Os itens 9 e 13 mostram-nos porque a
Sra. Elizabeth Sussekind, do Viva Rio, nomeada Secret�ria
Nacional de Justi�a pelo ministro Jos� Carlos Dias,
defende a divulga��o na Internet do n�mero das armas e
da lista de seus revendedores.
E lendo os itens 11, 12 e 13, percebe-se de onde vem a
�inspira��o� para as campanhas anti-armas do Viva Rio,
do SBT e das organiza��es Globo.

Mas o desarmamento � mais que mera provid�ncia
contra-revolucion�ria. A arma � um �cone da independ�ncia
do cidad�o diante do estado e o esteio da propriedade
privada. � por isso que vemos alguns pol�ticos "de esquerda"
apoiando o desarmamento. O cidad�o armado � insubmisso.
Assim como ele est� disposto a confrontar um bandido, ele
tamb�m se disp�e a enfrentar a tirania. � por isso que,
para a implanta��o do chamado �controle social� da popula��o,
� imperioso desarmar os cidad�os.

Colega propriet�rio de arma:
N�o � preciso se envergonhar de ter arma. � seu direito
como cidad�o e sua obriga��o como patriota. A defesa pr�pria
� um direito e a arma de fogo seu instrumento. N�o abra m�o
deste direito. Como disse Jean Jaques Rousseau, �Direito
tirado nunca mais retorna�.
Filie-se � Associa��o Nacional dos Propriet�rios e
Comerciantes de Armas - ANPCA.
� com seu esfor�o que contamos.

Leonardo Arruda
RP da ANPCA






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