Saiu hoje no caderno económico de um dos maiores jornais diários
Portugueses, www.dn.pt:


"Estaleiros procuram encomendas

Construção de iates de luxo e navios de apoio a plataformas petrolíferas
podem ser a tábua de salvação deste sector

Sérgio Barreto Motta

O Brasil vive a sua pior fase tanto na marinha mercante como na construção
naval.
No final da década de 70, os estaleiros empregavam 40 mil pessoas e hoje não
chegam a quatro mil. Este ano houve apenas dois lançamentos: um navio de
transporte de gás e produtos químicos, de 8250 toneladas, construído no
estaleiro Itajaí, de Santa Catarina (a 1500 km do Rio de Janeiro), e um
barco de apoio. O navio químico/gasista pode transportar produtos a uma
temperatura de até menos 105 graus centígrados e foi construído com apoio da
empresa belga Tractebel. O presidente do Estaleiro Itajaí, Frank Wlasek,
dono também da empresa que encomendou o navio, a Metalnave, disse ao DN que
"o nosso estaleiro é uma excepção" à crise no sector, acrescentando que "já
lançámos o primeiro e pretendemos construir mais três unidades similares".

Além disso, o Itajaí pretende construir iates de luxo, até dois por ano, ao
preço de 15 milhões de dólares por unidade, para exportação. Frank Wlasek
participou, recentemente, no Boat Show, de Fort Lauderdale, nos EUA, para
apresentar os seus iates no mercado americano, após tê-lo feito no Mónaco,
para o mercado europeu.

O outro lançamento deste ano foi de um barco de apoio a plataformas
petrolíferas, o CBO Campos, no estaleiro Promar, do Rio de Janeiro. O
presidente do Promar, Ariovaldo Rocha, revelou que sua empresa começou
timidamente com reparações navais, beneficiando do encerramento do
centenário estaleiro Mauá e, agora, já construiu um barco de 3000 toneladas
e inicia a produção de um igual. "O potencial do Brasil é enorme, basta
dar-se condições ao sector e os estaleiros transmitirão credibilidade
novamente", disse.

Estão fechados, de momento, além do estaleiro Mauá, os estaleiros Caneco e
IVI-Angra (ex-Verolme), enquanto o estaleiro IVI-Caju (ex-Ishikawajima do
Brasil) está parcialmente ocupado com reparações navais e o restante
transformado em pátio para contentores. Fala-se que o grupo Fels, de
Singapura, deverá investir no IVI-Caju, mas ainda não há confirmação
oficial. O presidente do Sindicato dos Estaleiros e também do estaleiro
Mauá, Omar Peres, acha que a recuperação está próxima e virá,
principalmente, de encomendas da indústria petrolífera. "Só numa segunda
etapa é que os estaleiros voltarão a produzir navios em grande escala",
afirma. A realidade é que os dois navios lançados este ano, um do estaleiro
Itajaí e outro do Promar, totalizam 11 250 toneladas, muito abaixo do
recorde, em 1978, de 1 235 000 toneladas - 28 navios lançados ao mar - em
1978.

Quanto à navegação, o ambiente é igualmente deprimente. Na década de 70, o
Brasil transportava cerca de 30 % do seu comércio em navios próprios e,
hoje, essa quota é de apenas 3 %. O défice anual nos fretes é de seis mil
milhões de dólares. Está na mesa uma proposta tendente à recuperação, que
consiste na criação de uma grande empresa brasileira. Trata-se da Austral,
com 50 % de capital da empresa V. Ships, sedeada no Mónaco, e o restante de
empresários brasileiros. De início, a Austral quer encomendar seis grandes
porta-contentores com capacidade para 3800 contentores.

Os ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e do Desenvolvimento, Alcides
Tápias, estudam a possibilidade de darem apoio à Austral.

Confiante no êxito da nova empresa, o seu presidente, Carlos Augusto
Carvalho, acrescenta que os riscos do empreendimento são praticamente nulos,
pois o grupo alemão Thyssen/Ferrostaal compromete-se a financiar a obra e
responsabilizar-se por cada navio até ao momento da entrega ao armador. A
partir daí, seria financiado pelo BNDES, banco oficial brasileiro.

Nos últimos anos, observou-se a venda de empresas brasileiras de navegação.
Pela nova legislação brasileira, uma empresa de navegação tem todos os
direitos desde que tenha sede e navios no país, não importando se o capital
é ou não nacional.

Assim, a Aliança foi vendida ao grupo alemão Hamburg Sud e a Libra foi
alienada ao grupo chileno CSAV. A Flumar tem capital 75 % norueguês (Odfjel
e Jebsen) e 25 % francês (Dreyfus), enquanto a Transroll vendeu as linhas
internacionais à Hamburg Sud, mas mantendo os navios em seu poder.

O presidente do Sindicato dos Armadores, Hugo Figueiredo, afirma que a
recuperação da marinha mercante terá de ocorrer de qualquer maneira, pois um
dia faltarão ao Brasil dólares para fazer face ao crescente défice de
fretes."



"Tempos há para usar de coruja e outros há para usar de falcão"
D. João II

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