Olá Navais e, especialmente a Elizabeth Koslowa:

Tomei a liberdade de passar aquela excelente mensagem de sua autoria com a análise do MAA-1 Piranha para o editor da revista Segurança & Defesa, Engenheiro Mário Roberto Vaz Carneiro. Infelizmente, eu estava com sono (já eram quase duas da manhã) e não tive saco para pegar a msg original e editar com os comentários do MRVC. Então, por favor, quem quiser, abra a msg orginal da Koslowa e leia os comentários dele. Não será difícil, pois ele comentou parágrafo por parágrafo.

Divirtam-se,
 

"Fontoura,

    Apenas alguns comentários sobre aquele EXCELENTE texto sobre o Piranha que vc mandou há dias. Para vc acompanhar melhor, estou fazendo os comentários por parágrafos, separadamente, sendo o primeiro o que vem após os dados no texto original (Começa com "Bom estes são...). O texto original é muito bom, embora eu discorde de alguns aspectos. Mas é muito bom mesmo.

2o. parágrafo
É verdade, mas isso logicamente é intencional. Inovar seria absurdo. O custo envolvido seria enorme, só superado
pelo risco tecnológico. E, sendo o primeiro míssil ar-ar que, a duras penas, o Brasil consegue desenvolver, partir
para fórmulas não testadas seria tolice.

3o. par.
A configuração é a mesma do AIM-9. Mas existem diferenças substanciais, entre elas o fato de que o diâmetro do
corpo é maior, o que significa maior arrasto, mas por outro lado pode significar mais propelente. Acredito  que a
capacidade de manobra não seja maior que o AIM-9L.

4o/5o. par.
Creio que existe alguma capacidade all-aspect. Talvez não tão grande quanto a do -9L, mas acho que ela existe. O
próprio diretor da MECTRON me disse (na presença de um oficial superior) que o MAA-1 "equivale de uma
maneira geral ao -9L, mas há coisas que o -9L faz melhor e há coisas que o Piranha faz melhor". Seria loucura ele
afirmar que "equivale, etc., etc." se não houvesse uma certa medida de capacidade all-aspect. E o cara foi muito
sincero. "Agora, é preciso pendurar nos aviões e DISPARAR, para analisar o que precisa ser melhorado".

6o. par
Um dos motivos da cabeça de guerra ser maior pode ser o maior diâmetro (seis polegadas, contra cinco). Isso dá
uma seção 44% maior, portanto num trecho de mesmo comprimento do corpo, o volume é 44% maior.

7o./8o. par
O alcance deve ser comparável ao do -9L. O arrasto é maior, mas como o diâmetro tb. é maior, num trecho de
mesmo comprimento do corpo o MAA-1 pode transportar cerca de 40% a mais em combustível. Se o propelente
for eficaz ( e eu não tenho razão para achar que não é)... Quanto à eficiência do sistema de busca, é uma
incógnita.

10o/11o. par.
Bem, para mim parece claro que a idéia é que no momento é que o sistema de busca está aquém do conjunto
combustível/cabeça de guerra. Parece lógico que, com o tempo, se adote uma cabeça de busca mais eficiente, que
possa usar todo o potencial de combustível/explosivo, e aí não se terá que mexer no projeto do míssil.
Simplesmente adotar a nova cabeça de busca. Parece ter sido uma coisa consciente e inteligente: já que não
conseguimos miniaturizar tudo a ponto de usar um corpo de 5 polegadas, vamos colocar tudo que der e depois,
quando conseguirmos um melhor sistema de busca, teremos um míssil melhor, sem mexer no projeto básico.

12o. par
Aqui não posso dizer que sim nem que não. Não sei, e estou com o tal diretor: tem que montar no avião e usar...

13o.
O tamanho da cabeça de guerra não foi, ao que eu saiba, o fator determinante para o projeto, ou seja, não é por
isso que o míssil tem seis polegadas de diâmetro. Mas não vejo mal nenhum numa ogiva de 20kg. Ao contrário.
Se um dia se conseguir uma cabeça de busca tão capaz quanto a do Python, Magic ou Sidewinder, teremos um
míssil muito mais destrutivo. O problema é que TIVEMOS QUE REINVENTAR A RODA sim, pois ninguém
nos quis passar a tecnologia de como fazer a roda. Esse é o verdadeiro X do problema. Seria ilógico esperar que, em sua primeira tentativa (e uma tentativa tão demorada e cheia de problemas) fizéssemos um míssil tão bom quanto os melhores mísseis israelenses, franceses ou americanos. O fato é que, apesar do pesares, pelo menos temos um míssil. O ótimo é o inimigo do bom.

14o.
Só confirma o que eu disse até agora.

15o.
Concordo com quase tudo.

16o.
Contradição. Se no 3o. parágrafo se diz aque "o projeto aerodinâmico é praticamente o mesmo do Sidewinder
modelo L" (que, afinal, é basicamente o parâmetro utilizado mundialmente para comparação quando se trata de
mísseis ar-ar de curto alcance), como é que se afirma que é "um projeto de aerodinâmica muito atrasado para um míssil que chegou agora"?. Eu diria que o projeto aerodinâmico é satisfatório para a nossa realidade, e tanto é assim que é o utilizado por praticamente todos os mísseis ar-ar de curto alcance ocidentais -- inclusive alguns bem recentes. No final do paráfrafo, há o reconhecimento de que ele é "uma salada bem temperada, etc. etc.". O MAA-1 é o míssil possível. Se quiséssemos fazer um míssil equivalente ao Python IV, ou ao ASRAAM, levaríamos mais 50 anos trabalhando no projeto, para só depois descobrirmos que, quando o míssil ficou pronto, os caças (se é que ainda vão existir) não emitem mais calor... É melhor um pássaro na mão que dois voando. Pelo menos, com o Piranha, temos ALGUMA coisa, que é sempre melhor do que NADA (que era a situação até bem pouco tempo)."

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[ ]s
__________________________
Alexandre Fontoura
Manaus (AM)
mailto:[EMAIL PROTECTED]
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ICQ #: 23526339
__________________________
In a free world with no fences or walls,
who needs Gates and Windows?
 

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