Algu�m da lista pediu para eu enviar a mensagem novamente. N�o concordo
com tudo o que est� escrito a�, apenas em parte. Enviei a mensagem
justamente para ser discutida.

Por que os Estados Unidos s�o o que s�o: Quatro Li��es que aprendi na
> Am�rica, por Roberto Bezerra Motta*.
>
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>
>  Morei quatro anos e meio nos Estados Unidos. Fui para l�, em 1989,
> trabalhar no Banco Mundial como consultor de inform�tica. Voltei em
1994,
> ap�s chegar � conclus�o de que, feliz ou infeliz, meu lugar era aqui
> mesmo (e ap�s quatro invernos chegar a essa conclus�o n�o foi
dif�cil...).
>
>  Por�m, viver tanto tempo por l� mudou radicalmente minha vis�o do
mundo.
>  Morar fora deveria ser obrigat�rio para todos os brasileiros. Tenho
> certeza de que isso tornaria o Brasil um outro pa�s. As verdadeiras
> diferen�as entre o Brasil e os EUA levam tempo para ser percebidas.
Elas
> t�m muito mais a ver com o que os americanos s�o, acreditam e praticam
do
> que com o que eles t�m, podem ou sabem. Abaixo, algumas das principais

> li��es que, a meu ver, temos que aprender com nossos primos do norte.
>  O Governo N�O RESOLVE NADA, quem resolve s�o as pessoas e A
SOCIEDADE.
>  Essa foi a primeira li��o que aprendi nos EUA. Ningu�m espera que o
> governo resolva nada - pelo contr�rio, o americano detesta o governo,
> especialmente o federal. Exatamente o contr�rio do brasileiro, que
acha
> que tudo � culpa do governo e que tudo est� como est� (e est� sempre
ruim)
>
> porque o governo n�o resolve. Tudo mesmo, desde a infla��o � seca do
> Nordeste, incluindo a polui��o do ar, o tr�nsito, a viol�ncia, a
educa��o
> p�blica e a mis�ria.
>  Para o americano, o governo que importa � o local, o da sua cidade. �

> onde se discute a qualidade das escolas e se elegem os chefes de
pol�cia,
> por exemplo. Mas, mesmo assim, os cidad�os n�o hesitam em ir � luta e
> atacar de frente seus problemas, em vez de esperar sentados pelo
governo,
> qualquer que ele seja.
>  � o que acontece com as m�es e pais que controlam o tr�nsito em
frente
> das escolas p�blicas, com os programas de neighborhood watch, nos
quais
> a vizinhan�a inteira se une para combater assaltos, e com os programas
de
> volunt�rios, em que pessoas de todas as classes - incluindo as altas -

> dedicam parte de seu tempo (e n�o apenas de seu dinheiro) a uma causa
> social. Os americanos praticamente inventaram as ONGs - chamadas de
> non-profits, que existem para promover todo tipo de causas e
bandeiras,
> da defesa do consumidor � defesa da ecologia. � claro que em pa�ses
como
> o nosso existem fatores estruturais que s� podem ser mudados por a��es

> do Estado. Na esmagadora maioria dos casos, entretanto, os problemas
> podem ser resolvidos ou melhorados se a sociedade e os cidad�os se
> mobilizarem.
>  Fa�a o que eu digo E FA�A O QUE EU FA�O.
>  Uma das caracter�sticas do comportamento brasileiro que mais
contribuem
> para o nosso atraso social � a relatividade com que julgamos o certo e
o
> errado.
>  Se os outros fazem, � errado. Se somos n�s que fazemos, bem, a�
depende.
>  Pode ser apenas o jeitinho brasileiro. Todo mundo se escandaliza com
a
> corrup��o no governo, mas uma grande parte dos escandalizados n�o se
> recusa a, por exemplo, comprar mercadoria contrabandeada. Como � que
> essas pessoas acham que essa mercadoria chegou aqui? Trazida por
anjos?
> N�o seria isso uma forma indireta, mas ativa, de corrup��o de
funcion�-
> rios do pr�prio governo que criticamos?
>  Todo mundo critica a nossa pol�cia. Mas, de novo, uma boa parte dos
> cr�ticos n�o se nega a usar expedientes alternativos para escapar de
uma
> multa na estrada. Meus favoritos s�o os que reclamam da viol�ncia
urbana
> e, de vez em quando, consomem sua por��ozinha de droga. Ser� t�o
dif�cil
> ver que est�o financiando seu pr�prio assalto? Ultrapassar sinal
vermelho
> j� foi um expediente para ser usado a altas horas da noite em locais
> perigosos - agora vale para qualquer hora e lugar. O americano p�ra
at�
> num sinal em cruzamento de estradas vazias no meio do deserto. O
Brasil
> tem 25 000 mortos em acidentes de tr�nsito por ano; em dois anos
morrem
> tantos brasileiros quanto morreram americanos em toda a Guerra do
Vietn�.
>  Tudo o que vale a pena ser feito vale a pena SER BEM-FEITO.
>  Essa � a lei m�xima n�o escrita do esp�rito empresarial americano.
>  Funciona assim: se voc� � um garoto que est� l�, no seu primeiro
emprego,
>
> fritando hamb�rgueres, voc� est� tentando ser o melhor fritador de
ham-
> b�rgueres do m�s. Do ano. Do pa�s. Voc� est� realmente se esfor�ando.
> Voc� quer bater o recorde de hamb�rgueres fritos por hora da sua
lancho-
> nete. Anos depois, quando voc� j� for um executivo poderoso, voc� vai
> ter no seu curr�culo um lugar de honra para o seu primeiro emprego, o
de
> fritador de hamb�rgueres.
>  Posso ouvir voc� pensando: isso n�o existe aqui porque no Brasil
frita-
> dores de hamb�rguer nunca chegam a executivos. Certo? Errado. O
hamb�r-
> guer aqui � apenas uma met�fora (embora, no caso americano, seja uma
> posibilidade real e concreta). A dura realidade (talvez vis�vel apenas

> para quem j� morou fora) � que poucos profissionais no Brasil, sejam
de
> que n�vel forem, colocam paix�o e empenho no seu trabalho. Isso �
porque
> o trabalho n�o os leva a lugar nenhum, voc� vai dizer de novo. De novo

> errado. Conhe�o, na minha �rea de atua��o, in�meros casos de
oportunida-
> des abertas esperando candidatos com iniciativa e vontade de vencer.
Um
> dos meus maiores desafios como gerente tem sido recrutar pessoas com
> garra e motiva��o. E, em todo caso, executar mal uma tarefa d� quase
> tanto trabalho quanto faz�-la bem. Pense bem: se fazer um excelente
> trabalho n�o vai levar voc� a lugar nenhum, o que vai? A Tele-Sena?
>  Os casos mais flagrantes est�o nos setores de servi�os e com�rcio. A
> diferen�a � gigantesca. Entre uma loja nos EUA e voc� � saudado - good

> morning, how are you doing? - por vendedores sorridentes, que
imediata-
> mente se colocam � sua disposi��o (e certamente est�o pensando em
bater
> o recorde de vendas da loja, ser promovidos a gerente, a diretor, a
> presidente...).
>  Eu entro numa loja brasileira e a balconista, que est� fazendo as
unhas,
> nem olha para mim (o caso � verdadeiro).
>  Se voc� acha que pode, VOC� PODE.
>  Essa � a m�xima que melhor descreve, na minha opini�o, a filosofia de

> vida da sociedade americana. Ela perdeu um pouco a sua for�a devido �
> banaliza��o, de forma prim�ria e superficial, pela ind�stria de auto-
> ajuda e suas receitas enlatadas de sucesso. Mas n�o deve ser
esquecida.
>  Essa m�xima pode ser lida de v�rias formas. A minha interpreta��o
> preferida � de que todos n�s somos capazes de atingir objetivos muito
> mais ambiciosos do que pensamos ser poss�vel. Uma s�rie de fatores e
> circunst�ncias - a maneira como fomos criados, nossa hist�ria
familiar,
> nossa cultura, nossos meios de informa��o, nossa pr�pria energia indi-

> vidual - colabora para formar nossa percep��o do qu�o longe podemos ir

> e do quanto podemos realizar. Uma das grandes influ�ncias nessa
percep��o
> � a nossa pr�pria hist�ria nacional.
>  Pense bem: se nos �litmos 100 anos o seu pa�s conquistou a maioria
dos
> Pr�mios Nobel, venceu a maioria das guerras, dominou o planeta
econ�mica
> e culturalmente, dividiu e depois fundiu o �tomo e colocou um homem na

> Lua, voc� tamb�m n�o sentiria que pode conquistar o mundo? A� est� a
> quest�o: os americanos acreditam em si mesmos devido � sua hist�ria,
> ou � a hist�ria o resultado direto dessa cren�a? N�o importa. O que
> interessa � aprender o quanto a cren�a na capacidade de tra�ar o
pr�prio
> destino � importante para a constru��o de um pa�s e do futuro de cada
um.
>
>
> *Roberto Bezerra Motta � gerente de tecnologia da informa��o da
Telemar

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