<< O JavaOne 2003 (de 10 a 13 de junho) eh a oitava edicao do maior
evento Java do planeta, realizado anualmente em Sao Francisco,
California, nos Estados Unidos. Para voce que nao pode comparecer, o
SouJava esta fazendo a cobertura diaria do evento. >>


Quarta-feira, dia 11 de junho de 2003.

Ola Pessoal,

Agora sao 5 horas da manha da quarta-feira, ja estamos no dia 12. Estava
tao cansado ontem que nao consegui escrever nada... O dia foi longo e
cheio de informacao, e agora que deu tempo de colocar no papel. Vamos la
entao!

Saimos correndo para o keynote. Para variar algo tem sempre que dar
errado, e a internet nao estava funcionando e gastei muitos preciosos
minutos para conseguir mandar a informacao de terca...  Portanto, saimos
atrasados, comendo "muffins" de cafe da manha praticamente correndo no
meio da rua... Mas nao chegamos tarde e ainda deu para reservar os 
lugares para os brasileiros bem na frente do palco.

O keynote comecou com um comediante "tecnico", Don Mcmillan. O cara ja
foi analista de suporte, ou algo assim, e resolveu falar sobre o J2CE:
Java 2 Commedy Edition.  Falando para uma plateia so de "geeks", a
diversao foi certa. As definicoes do "Glossario de Termos do J2CE", que
tinha termos como a definicao de "Enterprise Server" (um garcom da Star
Treck), Nanosecond (o tempo que voce tem para dizer NAO quando sua
esposa pergunta se esta gorda), e CD-RW (Mike Tyson recitando o
alfabeto). Os devices com suporte a Java: Ferro de passar (JEI - Java
Enabled Iron), a cafeteira eletrica (JAJ - Java Enabled Java) entre
outros, foram engracadissimos. Diversao garantida.

John Gage entrou no palco para anunciar que as palestras do evento
estarao disponiveis no site, com o audio, e que um novo servico --
chamado de JavaOne Online -- de assinatura anual, ira dar acesso a todas
as palestras do JavaOne. Para quem veio ao evento, o curso sera de cerca
de US$ 40. Quem nao veio, pagara um pouco mais, cerca de US$ 100.

Logo depois, Richard Green, Vice Presidente de Plataformas de
Desenvolvimento, entrou no palco para sua apresentacao e comecou com um
rapido anuncio, feito junto com Jonathan Schwartz, VP de software.  
Pedindo para os funcionarios da HP se levantarem, Jonathan anunciou que
a Sun e a HP fecharam um acordo, que ira garantir a inclusao do Java
Virtual Machine em todas as maquinas (de desktops a servidores, de
laptops a palmtops) da HP. Tambem foi anunciado um acordo com a Dell,
que tambem incluira a JVM em todas suas maquinas -- de laptops a
servidores, com Linux e Windows. Esse eh um anuncio importante, ja que
aumenta a presenca das JVMs de ultima geracao em todo o mundo.

Richard Green entrou para falar do plano de aumentar o numero de
desenvolvedores de Java, dos atuais 3 milhoes, para 10 milhoes nos
proximos anos.

Basicamente, a ideia eh "simples": Java domina hoje os grupos mais
tecnicos, de tecnologistas e arquitetos corporativos. E o trabalho agora
eh levar a tecnologia para o que Richard chamou de "Corporate
Developer", o desenvolvedor corporativo, aquele que programa meramente
em cima de componentes, e escrevendo pouco codigo.

Esse grupo eh por um lado o maior grupo de desenvolvedores, e por outro,
eh um grupo menos tecnico, que procura ferramentas de desenvolvimento
mais visual, e linguagens de script.

Tim O'Reilly, fundador da O'Reilly, entrou para falar de linguagens de
script. Atraves do JCP, Tim eh o responsavel pela JSR 223, que trata de
scripting. Eh a integracao de Java com PHP, Phyton, PERL, e outras
linguagens de script. Tim disse que eh uma forma de diminuir os
requerimentos de aprendizado, atingir mais desenvolvedores e que eh
importante para qualquer projeto.

Tim tambem sera o responsavel pelo site Java Today 
(http://today.java.net), uma especie de "jornal" da tecnologia Java.

Dois projetos da Sun foram apresentados mostrando facilidade de
desenvolvimento e separacao do desenvolvimento da interface grafica da
logica de negocios. O Projeto RAVE eh uma IDE totalmente visual, para
desenvolvimento de aplicacoes Web e Swing, permitindo a integracao de
bases de dados, web services e interface. O projeto Relator, se propoe a
relacionar interfaces de usuarios, logica de negocio e acesso a servicos
de integracao, para o desenvolvimento de aplicacoes para pequenos
devices. Juntos, esses dois projetos trazem uma importante separacao de
logica e interface, integrando com uma ferramenta visual poderoa, para
facilitar -- e muito -- o desenvolvimento de aplicacoes corporativas.

Outras JSRs, em particular o Java Server Faces, e outras (JSR 114, 175, 
185), estao focadas na facilitacao do desenvolvimento de aplicacoes. 

O objetivo eh manter vivo o ecosistema de Java: desenvolvedores trazem
mais aplicacoes, que por sua vez puxam o aumento do volume da
plataforma, o que traz mais desenvolvedores e aplicacoes. E eh
importante frisar que esse ecosistema depende da compatibilidade da
tecnologia Java, que eh o mais importante. E tudo isso, gira ao redor da
marca Java, que tambem precisa ser fortalecida. Portanto, esse eh o
trabalho dos proximos anos.

Quem entrou no palco em seguida foi Shai Agassi, Membro do Comite 
Executivo da SAP, que entrou para mostrar o compromisso da SAP com a 
tecnologia Java. A nova plataforma da SAP, a NetWeaver, tem como 
objetivo colocar Java em pe de igualdade com o ABAP, a linguagem 
proprietaria deles. A SAP (que tem hoje 8000 desenvolvedores), gastou 
os ultimos 3 anos, com cerca de 2000 desenvolvedores, para criar essa 
plataforma, que conta com um servidor de aplicacoes J2EE completo como 
base de toda a infraestrutura do sistema SAP. Com cerca de 1 milhao de 
desenvolvedores, as duas comunidades Java e SAP, comecam a se fundir.

O keynote esperado do dia foi o de James Gosling.

Comecando com o tradicional "lancamento de camisetas" que James faz
todos os eventos (dessa vez uma camiseta com o Duke do Java ao lado do
TUX do Linux combatendo um seres feitos de clips de papel...). James 
junto com alguns amigos construiram uma catapulta de madeira, gigante, 
para jogar as camisetas... O unico problema foi o tempo de recarga... 


Como eh tradicional, o keynote do James apresentou diversos projetos e
produtos feitos com Java. Comecando pelo pessoal do JPL - Jet Propussion
Lab, da NASA. Dan Dvorak, do JPL, mostrou uma copia do robozinho que foi 
enviado pra Marte na semana passada, no qual os sistemas em terra sao 
todos em Java. O novo robo, chamado de Rocky 7, que sera lancado mais 
pra frente, tem a JVM implantada dentro do robo, e controla todo o 
conjunto de 16 motores e dezenas de sensores da maquininha. Para isso, 
o uso de Real Time Java eh fundamental. Dentro em breve, Java chegara 
em Marte mesmo!

Ainda na linha do Real Time, e utilizando chips da aJile (que sao chips 
capazes de rodar o Real Time Java), Jim Wrigth mostrou um robo 
industrial conectado a sistemas de producao e de estoques, mostrando 
como a tecnologia Java pode implementar a solucao de ponta a ponta, 
desde a loja, ate a producao. Para isso, tecnologias como Real Time, e 
J2EE trabalham juntas em servidores de aplicacao, XML, messaging, 
controle de equipamentos, etc. 

A aplicacao que mais me agradou foi uma aplicacao simples, mas que tem 
tudo a ver ate com o SouJava. Richard Berlin mostrou uma aplicacao 
JXTA para informar a situacao do transito na cidade. Algo semelhante 
(mas com outras tecnologias) foi feito dentro do projeto JRex, que foi 
o grupo que deu origem ao SouJava a 4 anos atras. No JavaOne, o projeto 
mostrado foi implementado com JXTA e celulares com GPS. Muito bacana.

James acabou seu keynote mostrando seu Blog na internet e algumas 
ferramentas dele que ele disponibilizou no site dev.java.net. Essa 
comunidade vai decolar rapidamente!

Durante a coletiva de imprensa que aconteceu logo depois do keynote, o 
que mais me chamou atencao foi a frase do Tim O'Reilly, que disse que a 
industria de PCs ja esta correndo atras. O numero de celulares com 
suporte a Java ja ultrapassa o numero de desktops lancados no mercado, e 
eh cada vez mais importante o suporte a Java nos sistemas operacionais. 
Nao eh por acaso que os acordos da Dell e da HP sairam agora. Outra 
coisa interessante, eh que acontecem 4 milhoes de downloads por mes do 
JRE, e que este esta cada vez mais aparecendo em todos os lugares. Java 
is Everywere.

Fui literalmente "arrancado" da coletiva de imprensa por uma jornalista 
da Wired Magazine. Em uma longa entrevista, falamos de Java, de Brasil, 
de JUGs, e de muitas outras coisas... Nao sei o que ela vai escrever, 
nem se ou quando vai sair, vou ficar na expectativa!

Almocei na sala de imprensa, onde conversei com diversos jornalistas. 
Alguns deles estao colocando noticias sobre o Brasil nos seus sites e 
jornais. Os brasileiros estao aparecendo e fazendo bonito. Com certeza 
estamos dando bons passos em direcao a um reconhecimento internacional, 
o que deve ajudar a trazer negocios para o pais. 

Passei a tarde no Pavilhao, falando com empresas como a ZeroG 
(InstallAywere), Oracle, Nokia. Estive tambem na livraria, mas nao 
comprei nada. Estive tamem na Java Store, e boa parte dos produtos ja 
apresenta o novo logo de Java. legal.

No stand do site java.net, o novo site da comunidade Java, conversei 
longamente com JBob, o gerente dessa comunidade, para entender as 
possibilidades e alternativas. O SouJava estara presente no site, e 
alguns dos nossos servicos serao implementados por la. Vamos ver como 
isso se desdobra.

Por acaso, encontrei no stand do java.net Simon Philips, um velho amigo
de JavaOnes passados. Ele eh um dos responsaveis pelas inicitivas e
discussoes de Open Source da Sun, e tivemos uma conversa muito
produtiva. Ainda melhor porque participou dessa conversa outro amigo de
JavaOnes, Flavio Bergamaschi (IBM Inglaterra), um brasileiro que eh o
responsavel pela implementacao da JVM da IBM.

Eu esqueci de mencionar ontem que varios brasileiros estao comprando o 
telefone celular da Nokia que esta sendo vendido por aqui a US$ 299. 
Completo, com camera digital, suporte a MIDP e 32Mb de memoria, o 
telefone tem feito sucesso!

No fim do dia fui no encontro de comunidades do JavaOne. Estava
acontecendo ao mesmo tempo a Jini Fest, o encontro do Java Community
Process e o econtro da comunidade JXTA. Puxa vida... Como eu faco?  
Participo ativamente das tres comunidades, e gostaria de estar nos tres
encontros...  Ano passado, a Jini Fest foi uma das melhores partes do
JavaOne, pelas pessoas com quem conversei... Bem, prioridades primeiro.
O JCP eh o coracao da tecnologia Java, e a participacao do Brasil no
processo eh fundamental. Fui para o encontro do JCP, onde participei
junto com Pablo Madril (Summa Technologies) e Leonardo Galvao (Java
Magazine) do encontro dos Executive Commitees (ECs), a mais alta
instancia do JCP.

Nesse encontro foram discutidos varios assuntos: a nova versao do JCP,
participacao mais ativa da comunidade, relacionamento entre os grupos de
J2SE/J2EE e J2ME, licencas do JCP. Saimos do encontro quando Rob
Gingell, Chief Engineer da Sun, e presidente do JCP, teve que sair.  
Tinhamos um jantar marcado com ele e outros executivos da Sun, e
portanto, nada como sair porque o manda-chuva saiu tambem!

O jantar com a imprensa estava lotado. Em cada mesa um dos executivos da
Sun conversava com um grupo de jornalistas. Eu, Pablo e Leonardo Galvao
sentamos sozinhos com Rob Gingell, em um conversa pra la de
importantissima. Para quem nao sabe, Rob Gingell eh um dos maiores
executivos da Sun. Responsavel pelo Java Community Process, eh uma das
pessoas mais influentes na evolucao da plataforma Java. Chief Engineer
da Sun, eh o diretor responsavel por todos os produtos da Sun, e pela
estrategia tecnologica da empresa, incluindo a estrategia da tecnologia
Java. Rob Gingell eh chefe do chefe de todos os engenheiros que
trabalham com Java na Sun. Se essa tivesse sido a unica conversa de todo
JavaOne, ja teria valido a pena todo o esforco de estar aqui no evento.
A (longa!) conversa com Rob Gingell a respeito do JCP e do
relacionamento desse com o movimento open source, as preocupacoes
relacionadas ao Brasil e muitas outras coisas sao assuntos que dao uma
serie de artigos. Os desdobramentos irao acontecer nos proximos meses,
ja que Rob vai acompanhar de perto nossos esforcos em relacao a
tecnologia Java no Brasil.

Depois desse jantar incrivel, passamos rapidamente na festa da Nokia, 
onde um grande numero de brasileiros estava presente. Varias conversas 
com diversas pessoas da Nokia ajudaram a consolidar a participacao do 
Brasil nos esforcos da empresa.

Nossa, que dia. Estava com tanto sono, que nao consegui nem manter 
os olhos abertos enquanto tentava chegar ao hotel!

Ate o proximo!

[]s,

Bruno.

<< Sun Microsystems e Nokia colaboraram muito com a ida dos brasileiros
ao JavaOne. E esse dia a dia nao seria possivel se a Summa Technologies
nao tivesse me enviado ao evento! >>

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