Amigos,

à engraÃado, se tu perguntas para alguÃm que "entende" de matemÃtica o
que à matemÃtica e onde ela estÃ, receberÃs a mesma resposta como se a
pergunta tambÃm tivesse sido feita para um fÃsico, um quÃmico, um
engenheiro,... Enfim, sempre à dito para que olhemos ao nosso redor e
tenhamos "consciÃncia" de que tudo isso existe como consequÃncia
direta de tal ciÃncia. NÃo acredito que isso seja uma verdade, pois
tudo isso poderia ter sido criado de outra forma.

Notemos que muitos aqui da lista poderiam se questionar em mesmo grau
a respeito do que à arte e para que serve a arte. PoderÃamos
questionar os poetas (para que serve o poema ?), os biÃlogos(para que
serve a biologia?), os mÃsicos(para que serve a mÃsica?), etc. AtrÃs
disso tudo hà algo em comum!

Tenho a crenÃa de que o que falta à filosofia. Fico impressionado com
a quantidade de fÃsicos e matemÃticos que conheÃo que sabem pouco, ou
simplesmente desconhecem totalmente, a filosofia da ciÃncia e, mais
especificamente, a filosofia da fÃsica, da matemÃtica, etc. Tentem
explicar o que à fÃsica e tentem explicar o que à quÃmica. Durante
parte da explicaÃÃo, Ã o que eu imagino, muitas coisas se confundirÃo.
Mas notem, isso à filosofia e à necessÃrio.

O fato à que inÃmeras pessoas tÃm se questionado sobre essas perguntas
e muitas formulam suas prÃprias respostas. A ciÃncia à como uma
religiÃo : apesar de toda a racionalidade existente nela, precisamos
intuir e, em muitos casos, acreditar (mesmo na ausÃncia de
demonstraÃÃes). Ã engraÃado, na ciÃncia chamam essa crenÃa de "censo
comum" ou "conhecimento comum". Eu atà brinco, quando sou questionado
se tenho alguma religiÃo, que a minha religiÃo à a ciÃncia.

Voltando Ãs perguntas primordiais dessa discussÃo. Para mim, a
matemÃtica à uma linguagem com a qual eu converso com o inanimado, com
o desconhecido. Talvez eu seja louco, pois no fundo eu sei que sou eu
mesmo quem conversa comigo.

Por fim, eu repito que a ausÃncia da filosofia no ensino atual esteja
nos tornando mais cegos para que nÃo vejamos as coisas mais Ãbvias.
Tateamos incessantemente numa sala vazia procurando adivinhar o que Ã
cada coisa que sentimos. Justamente à oposto daquilo que a ciÃncia
deveria ser : pois a ciÃncia à a luz que cura nossa cegueira. Na
verdade, a ciÃncia sem a filosofia ( se à que à possÃvel ) à o que nos
torna cegos.

Outra coisa, assim como a arte, a matemÃtica à sentida diferentemente
por cada indivÃduo. Cada um de nÃs se relaciona com ela de maneira
distinta. Cada um de nÃs conversa com ela de maneira distinta. Cada um
de nÃs à capaz de vez uma matemÃtica distinta da dos demais.
Estranhamente, apesar de toda essa singularidade especial, ela
consegue ser apenas uma. Penso que o que faz dela igual e diferente
nÃo à apenas uma Ãnica coisa. A diferenÃa està na individualidade de
cada ser e a unicidade està no universo, na natureza. Como todos
falamos sobre a natureza, nÃo importa as palavras que usemos,
acabaremos por descrever a mesma coisa.

Se cabe aqui uma sugestÃo, entÃo eu sugiro a leitura das obras do
MÃrio Bunge. SÃo bons pontos de partida.

Espero ter sido capaz de transmitir as minhas opiniÃes de forma clara
e sem preconceito.

Sinceramente,

Araray Velho
[EMAIL PROTECTED]
ICQ 20464041
MSN [EMAIL PROTECTED]

On Thu, 30 Dec 2004 01:42:53 -0200, Bruno Soares <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Olà pessoal;
> 
> Achei atà que poderia ser expulso da lista por levantar tal questÃo,
> espero nÃo ser atirado na fogueira, hehe, mas quando tento explicar
> para alguÃm que ele està sempre envolvido com a matemÃtica à muito
> complicado, dizer que a latinha de cerveja que ele està segurando foi
> projetada usando cÃlculo diferencial à difÃcil. Lido muito  com muitos
> "ateus" que acham que a matemÃtica resume-se apenas num troco para um
> garÃon, gostaria de opiniÃes de alguns "fÃÃis" a esta incrÃvel
> ciÃncia, nÃo somente a aplicabilidade mas sim o prazer em descobrir e
> inventar cada vez mais.
> 
> On Wed, 29 Dec 2004 16:10:56 -0800, Leandro Lacorte Recova
> <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> >
> >
> > Davidson,
> >
> >
> >
> > Na verdade, a gente tem que dizer pros alunos que aquilo sera uma ferramenta
> > de uso em outras materias.
> >
> >
> >
> > Por exemplo, quando estudamos as equacoes de Maxwell variantes no tempo,
> > usa-se praticamente a notacao de numeros complexos. Processamento digital de
> > sinais usa demais a transformada-Z, transformada de wavelts, o que envolve
> > muito numero complexo ai no meio.
> >
> >
> >
> > Leandro
> >
> >
> >
> >
> > -----Original Message-----
> > From: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] On
> > Behalf Of Davidson Lima
> > Sent: Wednesday, December 29, 2004 3:17 PM
> > To: obm-l@mat.puc-rio.br
> > Subject: Re: [obm-l] Pra que serve a matemÃtica?
> >
> >
> >
> >   Acho bastante vÃlida a questÃo no nosso amigo Bruno. Frequentemente os
> > meus alunos se deparam com perguntas do tipo: "... e onde à que eu vou
> > utilizar isso na prÃtica...". Acoteceu recentemente com uma explicaÃÃo de
> > conjugado de um nÃmero complexo. ExplicaÃÃo prÃtica, nÃo consegui. 
> > Apenas
> > disse que isso iria ajudar na divisÃo de nÃmeros complexos, o que de fato
> > nÃo à algo do nosso cotidiano (pelo menos à o que eu acho).
> >
> >    Atà breve!
> >
> >    Davidson Estanislau
> >
> >
> > --- "saulo bastos" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> >
> > From: "saulo bastos" <[EMAIL PROTECTED]>
> > Date: Wed, 29 Dec 2004 18:10:31 +0000
> > To: obm-l@mat.puc-rio.br
> > Subject: [obm-l] RE: [obm-l] Pra que serve a matemÃtica?
> >
> > Eu acho que quem faz uma pergunta dessas nao deveria estar inscrito nesta
> > lista?
> > Sem rancores, saulo.
> >
> > >From: Bruno Soares <[EMAIL PROTECTED]>
> > >Reply-To: obm-l@mat.puc-rio.br
> > >To: obm-l@mat.puc-rio.br
> > >Subject: [obm-l] Pra que serve a matemÃtica?
> > >Date: Tue, 28 Dec 2004 16:43:54 -0200
> > >
> > >Boa tarde
> > >
> > >Pra que serve a matemÃtica?
> > >
> > >Pergunta um tanto Ãbvia, mas quando pensamos que algo à muito Ãbvio, Ã
> > >quando nÃo estamos pensando.
> >
> >
> >
> > ________________________________
> >
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> > sair da lista e usar a lista em
> > http://www.mat.puc-rio.br/~nicolau/olimp/obm-l.html ========================
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