O que eu vou falar me parece ser mais ou menos equivalente ao que o Nicolau 
falou, mas eu vou escrever assim mesmo pois foi o pensamento que mais me 
satisfez (e me *parece* correto, corrijam-me se eu falei besteira).
 
Quando alguem diz "o teste eh surpresa", eu entendo assim: "usando os dados que 
voce tem e **TODOS OS RACIOCINIOS LOGICOS POSSIVEIS** voce nao consegue 
concluir que o tester eh naquele dia".
 
O problema eh que esta frase nao eh valida. Em logica (pelo menos na logica 
arroz-com-feijao que eu conheco), eh proibido classificar como V ou F uma frase 
que cite a propria logica como um todo ("todos os raciocinios logicos 
possiveis"). Neste sentido, a frase eh auto-referencial... Minha mente acaba 
botando esta frase no mesmo saco que "Esta frase eh falsa" ou "O conjunto de 
todos os conjuntos"...
 
Como a frase eh invalida (nem V nem F), raciocinios nelas baseados estao 
destinados a criar contradicoes sem solucao.
 
Isto indica que esta definicao de surpresa nao presta. Acho que isto eh uma 
faceta do que o Nicolau falou: nao consigo imaginar uma definicao de "surpresa" 
que seja precisa o suficiente para permitir analise logica.
 
Abraco,
            Ralph 

        -----Original Message----- 
        From: [EMAIL PROTECTED] on behalf of Nicolau C. Saldanha 
        Sent: Fri 2/2/2007 8:47 AM 
        To: [email protected] 
        Cc: 
        Subject: Re: [obm-l] Paradoxo do teste surpresa
        
        

        On Thu, Feb 01, 2007 at 10:47:41PM +0000, Rogerio Ponce wrote:
        > Ola' Nicolau e colegas da lista,
        >
        > eu acho intuitivo entender-se como "surpresa" (ou inesperado) o fato 
de um
        > evento ocorrer sem conhecimento previo. Assim, o evento e' uma 
surpresa (o
        > dia escolhido e' inesperado) quando os alunos nao sabem "in advance" 
qual a
        > decisao do professor, antes que esta seja proclamada (manifestada).
        >
        > Consideremos que as aulas vao das 8hs ate' as 17hs, e que os testes 
tem uma
        > hora de duracao.
        >
        > Entao vejamos o que aconteceu: alguns alunos afirmaram que se o teste 
nao
        > fosse feito ate' a quinta-feira, entao a realizacao do mesmo na 
sexta-feira
        > descaracterizaria a qualidade de "inesperado".
        >
        > Entretanto, ate' o ultimo segundo (15:59:59) em que fosse possivel ao
        > professor optar pela realizacao do teste na quinta-feira, ninguem 
saberia em
        > que dia o mesmo ocorreria. E mesmo durante o ultimo segundo, o 
professor
        > poderia, ou nao, mudar de ideia. Dessa forma, somente exatamente na 
passagem
        > do ultimo instante e' que se saberia da decisao do professor.
        >
        > Portanto, mesmo calado, o professor sempre surpreenderia os alunos ao 
decidir
        > fazer o exame na sexta.
        >
        > E assim, toda a inducao dos alunos e' furada...
        >
        > E' interessante notar que o "ultimo instante" nada tem a ver com a 
meia-noite
        > de quinta, mas com o final do intervalo de tempo destinado a decisao 
do
        > professor (que neste exemplo ocorreria 'as 16hs de quinta-feira).
        
        A idéia do paradoxo é que o conjunto de opcões para dia-hora-local do 
teste
        é finito. Por exemplo, podemos entender que o teste será das 11hs às 
12hs
        na sala 160L e que isto será anunciado no quadro de avisos da escola às
        9hs no dia do teste. A única coisa que não se sabe é o dia do teste.
        
        A idéia é que o teste deixa de ser surpresa se às 18hs da véspera os 
alunos
        já sabem com certeza o dia do teste (antes do aviso ser afixado, 
portanto).
        
        Se o teste não ocorreu até 5a feira, às 18hs de 5a feira os alunos sabem
        com certeza que o teste será 6a feira (desde que os alunos possam 
considerar
        certo que de fato haverá um teste em algum dia da semana, que eles não
        tenham esquecido que o teste de fato já ocorreu na 3a feira, que o 
professor
        não vá marcar o teste para o sábado, que o calendário não será 
reformulado
        do dia para a noite e desde que os alunos sejam capazes de fazer 
raciocínios
        simples sem errar).
        
        Neste sentido acho bem razoável dizer que se o professor aplicar o teste
        na 6a feira ele cumpriu sua promessa de aplicar o teste, mas não cumpriu
        a promessa de que o teste seria surpresa. Claro que o professor pode ter
        dado outra interpretacão para a palavra "surpresa"...
        
        []s, N.
        
=========================================================================
        Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
        http://www.mat.puc-rio.br/~nicolau/olimp/obm-l.html
        
=========================================================================
        

<<winmail.dat>>

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