Ola' Bernardo,
nada como "colocar mais lenha na fogueira" de uma forma saudavel...
E cade o Ralph???
:)

Bem, nao resisto a acrescentar que exatamente a NASA jogou fora, em
1999, 4 anos de trabalho e 650 milhoes de dolares por nao especificar
adequadamente...
...as unidades de medida ( !!! ) a serem usadas na comunicacao entre
os programas de controle da sonda "Mars Climate Orbiter".

No caso da sonda, alguma coisa fundamental precisava, e podia ser
perguntada. Mas nao foi. Deu no que deu.

Em outras situacoes, voce vai ter que fazer nao uma aproximacao, mas
uma suposicao sobre os dados de que voce dispoe. Ou sobre a falta
deles. Sem direito a perguntas.
( todo homem casado tem varios exemplos sobre isto... )

Bem, numa prova discursiva, certamente voce poderia abordar todos os
pontos de vista.
Mas suponha que a prova seja de multipla escolha. Voce tera' que
considerar que, talvez (e muito provavelmente) o examinador
"pretendeu" dizer que a "marcacao ao acaso" era "uniformemente
distribuida".
E' uma "especificacao" deficiente, mas seria a interpretacao que eu
daria para questao original.

E, apos a prova, o examinador deveria ser abordado, principalmente
para que ele pensasse um pouco mais sobre o que anda propondo aos
alunos...

Grande abraco,
Rogerio Ponce


Em 20/09/12, Bernardo Freitas Paulo da Costa<[email protected]> escreveu:
> 2012/9/20 Rogerio Ponce <[email protected]>
>> Ola' pessoal,
> Oi Ponce, e demais colegas da lista!
>
>> acho otimo que se discuta o "como deveria ser", pois serve para melhorar
>> a
>> visao critica e a capacidade de comunicacao de todos.
> Certíssimo.
>
>> Mas, paralelamente, cito uma velha maxima, valida em todos os exames e,
>> muito frequentemente, em situacoes do dia a dia:
>>  "A interpretacao faz parte do problema."
> Eu acho muito diferente você pedir uma interpretação de um problema
> concreto, numa situação real, onde você vai TER QUE fazer alguma
> aproximação (por exemplo, ignorar o atrito com o ar), e uma
> interpretação errada de um conceito matemático. Dizer que os alunos
> escolheram uma resposta ao acaso tem um sentido matemático bem
> definido (se você interpretar isso como probabilidade uniforme, o que
> faz parte sim do problema - bom, talvez o Ralph diga que seria melhor
> estar escrito também, e eu talvez concorde com ele, mas se no
> enunicado estiver "chutaram" talvez volte a fazer parte de uma
> interpretação razoável) e que é diferente, insisto, diferente, do
> sentido de "cada resposta foi marcada o mesmo número de vezes pelos
> alunos que chutaram". Talvez o jeito certo de tratar esse problema
> seja justamente dizer:
>
> "Bom, o que está no enunciado é uma coisa. E é um problema bem
> difícil. Muito difícil mesmo. Vejam só (passar um tempo explicando que
> vai ter que fazer uma disjunção de casos, que para piorar não são
> equiprováveis, etc, etc, etc). Mas a gente pode ter uma idéia razoável
> de quanto vai ser se a gente supuser que de tudo o que pode acontecer,
> o evento "médio" deve dar um resultado suficientemente próximo do
> resultado real. E daí fica bem mais fácil, né?"
>
> Aliás, eu concordaria ainda mais com você sobre interpretação se os
> exames também fossem mais inteligentes do que o que temos visto por
> aí. Com questões discursivas (e apenas discursivas) onde o aluno pode
> pegar um problema e tratar do início ao fim, formulando hipóteses,
> escolhendo um modelo, ajustando as constantes para que faça parte do
> sentido real, e daí você pode se permitir:
> - deixar o aluno interpretar e aceitar diferentes raciocínios
> - ignorar os erros de contas (mas não a preguiça de verificar que
> algumas etapas fazem sentido físico).
>
> Mas uma prova dessa leva mais tempo para elaborar, pro aluno fazer, e
> principalmente pro professor corrigir. Mas com uma visão destas,
> talvez finalmente os alunos achem que matemática é mais do que um
> bando de regrinhas estranhas para fazer contas e brincar com
> triângulos. (nada contra essas duas, muito menos o aspecto lúdico, mas
> sejamos honestos, compreender o que o Galileu disse sobre "a natureza
> está escrita na linguagem da matemática", eu acho muito mais
> estimulante)
>
>> Se tudo o que voce fizer sempre depender de uma especificacao
>> absolutamente completa e consistente, ninguem (seus pais, esposa, filhos,
>> amigos, vizinhos, chefes, empregados, etc) vai lhe pedir coisa alguma...
> Talvez. Mas veja bem que isso é uma questão de mentalidade. O pessoal
> de programação da NASA (eu vi uma reportagem há pouco tempo) faz
> exatamente isso. Especificações completas do que cada parte tem que
> fazer. Tratando de toooooooodas as possibilidades. Porque veja bem,
> quando um bicho desses vai pro espaço, não pode haver espaço para
> erros. E por incrível que pareça, eles conseguem fazer muitas coisas.
> Claro que eles não aparecem muito (porque eles não fazem nada
> espetacular como Google/Microsoft) mas por outro lado o que eles fazem
> não tem erro nenhum. Zero bugs. Imagine se o seu computador (Windows,
> Linux, Mac, ...) fosse assim. Que maravilha. Talvez pedir uma
> especificação completa seja, afinal, uma boa coisa. Na hora e lugar
> certo. E sem atravancar a imaginação.
>
>> []'s
>> Rogerio Ponce
>
> Abraços,
> --
> Bernardo Freitas Paulo da Costa
>
> =========================================================================
> Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
> http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
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>

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