Olá a todos,
Sou Bruno D´Almeida, educador de Salvador e professor concursado da rede
municipal de ensino. Tenho interesse em participar ou formar um grupo de
trabalho para produção de livros didáticos em plataforma livre para ensino
infantil, fundamental e médio. A ideia é produzir coleções de livros didáticos
de maneira colaborativa, submeter ao MEC para aprovação e disponibilizar na
rede para que qualquer pessoa, escolas e cidades possam usar o material a custo
zero.
Tenho um posicionamento bastante crítico ao modelo do livro didático no Brasil,
pois são fontes de extorsão tanto na escola particular, onde um livro de língua
portuguesa, da minha área, chega a custar em torno de 200 reais, sem falar no
preço absurdo dos módulos e apostilas das grandes editoras, quanto na educação
pública, onde é muito comum a compra de materiais didáticos de qualidade
duvidosa com dispensa de licitação por milhões e milhões de reais, um prato
cheio pra corrupção e desvio de dinheiro público.
Como a OKF Brasil já faz um trabalho na linha de acesso a dados gratuitos que
envolve jornalistas, profissionais de computação e design, penso na
possibilidade de criação de uma plataforma de produção de material didático em
rede, onde através de um programa de computador semelhante a aqueles que criam
e-books e de construção de site. Essa ferramenta seria disponibilizada na
internet para grupos de trabalho de todas as áreas do conhecimento, teria
possibilidades de edição e paginação automáticas, com templates feitos por
profissionais de design, onde o grupo de trabalho de educadores pudesse inserir
textos, fotos e materiais para produção desse material didático.
A ideia é transformar o livro didático numa coisa comum que qualquer professor
possa fazer e usar, sendo uma alternativa a indústria do livro didático, que
cobra caro por um material e praticamente não paga quase nada aos autores. Os
pais poderiam exigir das escolas particulares o uso de material didático
gratuito, assim como cidades pobres do Brasil não precisariam comprar mais
material didático por uma fortuna, fazendo com que a verba da educação fosse
usada para melhoria das condições de trabalho do professor, melhores salários,
infraestrutura, alimentação escolar e educação em tempo integral, acabando com
uma das principais fontes de desvios de verbas.
Além disso, o autor do livro didático no Brasil ganha muito pouco com produção
de material didático, a indústria fica com quase tudo. O autor sobrevive mesmo
é prestígio e de palestras e consultorias, um mercado que pode ser impulsionado
com o material didático livre. Isso já é realidade na computação, onde o linux
é livre e cria oportunidades de trabalho a diversos profissionais que ofecerem
suporte técnico para empresas, assim como também na música, onde bandas e
artistas disponibilizam músicas gratuitamente na rede e ganham dinheiro mesmo
fazendo shows. Tudo isso é fazer circular renda cada vez mais para as pessoas e
menos para as grandes empresas.
Já estou produzindo material didático de língua portuguesa do 6 ao 9 anos do
Ensino Fundamental II como parte do trabalho da minha pós-graduação e desejo
muito a colaboração de todos.
Um abraço,
Bruno D'Almeida
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Imprima este e-mail somente se for absolutamente necessário. O meio ambiente
agradece.
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