On 22/11/2014 22:47, Andres MRM wrote:
Nossa, muito bons os textos, Tom!
Tem esse aqui que faz algumas críticas ao Piketty (citado pela
própria Piauí):

http://www.dissentmagazine.org/article/kapital-for-the-twenty-first-century
(não concordo com tudo, mas é interessante também)

É interessante, mas acadêmica demais. Vejo vários problemas nela.
Fora o de ser mais uma crítica com grande parte na linha "ah, ele
usou a definição de capital que não gosto!", mais sério é o fato
do autor falar:

"Where does the rate of return come from? Piketty never says. He merely asserts that the return on capital has usually averaged a certain value, say 5 percent
on land in the nineteenth century, and higher in the twentieth."

O que só me leva a suspeitar que ou o artigo foi escrito em má fé (como o artigo péssimo da Financial Times), ou o autor da crítica não leu o livro
inteiro do Piketty, nesse caso nem deveria estar fazendo a crítica.

Só ler o capítulo 6 do livro do Piketty e vai ver do que estou falando. ele detalha bastante como é calculado o rate o return on capital e cita várias
referências.

Depois tem as críticas superficiais dele a idéia do Piketty de aumentar os impostos sobre a riqueza. Superficiais pois ele não detalha o que o próprio Piketty diz que só isso não é suficiente, sem existir uma série de outras medidas para controle fiscal e de transações internacionais bancárias, só comenta que o Piketty diz ser utópico, o que está longe de ser um bom resumo da idéia do Piketty sobre o assunto. O autor da crítica só diz que esse tipo de controle é impossível, até pra NSA (sic).

E depois termina como todo "bom" economista: falando que a solução A não vai funcionar
mas que a solução B dele funcionaria, onde a solução B neste caso é:

"If the heart of the problem is a rate of return on private assets that is too high, the better solution is to lower that rate of return. How? Raise minimum wages! That lowers the return on capital that relies on low-wage labor. Support unions! Tax corporate profits and personal capital gains, including dividends! Lower the interest rate actually required of businesses! Do this by creating new public and cooperative lenders to replace today’s zombie mega-banks. And if one is concerned about the monopoly rights granted by law and trade agreements to Big Pharma, Big Media, lawyers, doctors, and so forth, there is always the possibility (as Dean Baker reminds us) of introducing more competition."

Numa área onde as teorias são furadas, predições inexistentes e explicações posteriores
infinitas qualquer um pode falar o que quiser.

Acho que nesse momento não posso me comprometer com mais nada, mas tenho
bastante interesse no tema sim. =)


Abraços!

On 22-11-14 17:50, Everton Zanella Alvarenga wrote:
Sem querer tirei o link do videozinho
<https://www.youtube.com/watch?v=uWSxzjyMNpU>. Está aqui:
http://www.therules.org/



Em 22 de novembro de 2014 17:48, Everton Zanella Alvarenga <[email protected]>
escreveu:

Pessoal,

no próximo dia 26, das 13h às 15h30, o Piketty vai debater sobre seu livro
'O Capital - No Século XXI'. Inscrições aqui:
http://www.debateeae.fea.usp.br/ Uma matéria sobre o Piketty na Piauí

<http://www.outraspalavras.net/outroslivros/a-historia-thomas-piketty-o-homem-capital/>,
para quem estiver interessado sobre o trabalho dele.

A desigualdade de distribuição de renda no Brasil, assim como a
desigualdade social, é enorme. Estamos cansados de ouvir isso, pelo menos ouço desde minha infância. E de 2006 para cá, parece que não houve queda
nos índices de desigualdade, apesar dos progressos na diminuição da
miséria. Um colega escreveu um artigo recente sobre isso, Entenda porque
a desigualdade no Brasil não está caindo

<http://www.brasilpost.com.br/daniel-de-bonis/entenda-porque-a-desigualdade-no-brasil-esta-alta_b_6179494.html>,
baseado no trabalho de pesquisadores da UNB, Top Incomes in Brazil:
Preliminary Results
<http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2511314>. Eles usaram dados da Receita Federal e mostram, por exemplo, que um quarto da renda no Brasil está nas mãos de 1% da população - depois quero ver melhor que dados
usaram.

Isso tudo me lembra o que Jason Hickel vem escrevendo sobre o assunto (aqui um videozinho didático resumindo - e. g., os 1% mais ricos no mundo possuem 43% da riqueza ou os 2% mais ricos mais que 50% da população mundial), enfatizando que a propaganda da redução da pobreza é uma mentira

<http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/08/exposing-great-poverty-reductio-201481211590729809.html>,
destacando a extrema desigualdade crescente entre as nações

<http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2013/04/201349124135226392.html>
(a estimativa dele é que em 1973 a razão entre os países ricos e pobres era de 44:1 e hoje está em 80:1 - queria verificar isso) e mais recentemente
criticou a indústria do desenvolvimento

<http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/11/death-international-developmen-2014111991426652285.html#.VG3l8Ye6mi8.facebook>.


Sobre o último ponto, acho que também nos interessa, já que estamos
envolvidos com uma rede e organização internacional, e estamos construindo algo aqui no nosso contexto. Vale uma reflexão sobre as organizações que
financiam projetos como os nossos e como se dá essa distribuição de
recursos numa escala global (será que para nós não sobra apenas migalhas?).

*Grupo de estudos:* Enfim, apenas algumas referências e comentários sobre um tema que me interessa, além do evento na USP essa semana. Esses dias até lancei no grupo do Telegram se alguém tinha interesse em formar um grupo de estudos para discutirmos esses temas, começando por uma leitura do Capital
do Piketty.

Podíamos fazer encontros mensais ou quinzenais (ou aproveitar os encontros da OKBR, um pouco antes) para discutir textos combinados com antecedência.
Se alguém tiver interesse, me avise ou aqui na lista.

Abraços,

Tom



--
Everton Zanella Alvarenga (also Tom)
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-- Everton Zanella Alvarenga (also Tom)
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