... ia sugerir uma discussão... Continua de pé, mas acabei me alongando no texto. Sugiro ao leitor saltar para a "Proposta" ou criar outro *thread* menos tendencioso...
*==Contexto e desabafo==* Num contexto democrático, quanto maior a relevância de uma decisão, maior a justificativa para o registro das circunstâncias e do processo de votação. No RadarParlamentar <http://radarparlamentar.polignu.org> já se demonstrou, quando se discutem dados de voto, o quanto é danoso o voto sem registro (dito "votação simbólica")... Arrisco dizer que é danoso em qualquer esfera, Senado, Câmara, Assembleia, federal, estadual, municipal, ... até na associação de bairro. Vencem o *lobby* e a "intransparência da informalidade", perdem o cidadão e a democracia. O voto sem registro é aquele onde se decide na base do "Levanta a mão quem acha que sim!", como fazemos, quando crianças, numa votação da Ensino Fundamental... Onde o professor esquece que poderia enriquecer a aula de Matemática: não se contam as abstenções, os votos, nem se registra o quorum. A cultura democrática no Brasil é fraca... Veja-se os *clubes*, *escolas*, *cooperativas* e *condomínios*, quando se declaram gestões participativas/democráticas. Seriam ótimos exemplos de "microcosmo da nossa cultura democrática"... Na maior parte dos condomínios, não damos exemplo algum aos nossos políticos; pelo contrário, reproduzimos tudo aquilo que criticamos do lobby, da informalidade e da politicagem. Existe também, no rastro cultural, uma visão pejorativa de tudo aquilo que pode parecer "burocracia <https://pt.wikipedia.org/wiki/Burocracia>". É um profundo preconceito, que afeta igualmente a OKBr (!)... *É uma encruzilhada, estamos presos nela*. Novamente penso na escola, onde seria possível ao menos a criança aprender a valorizar o *registro*... É raro, mas existe, em algumas escolas o *registrar* pró-ativo é valorizado. A criança "anotar" no seu caderno, é sinônimo de "registrar", ela anota a realidade que viu, as coisas que observa, e o professor audita cada caderno, http://www.cdcc.usp.br/maomassa/dezprincipios.html *Registrar* não é "burocracia feia", é "burocracia bonita". *==Proposta==* Acredito que a OKBr sairia da "informalidade" quando começar a exercitar essa "burocracia bonita" de conceituar CONSENSO a partir da noção de VOTO. Gostaria de propor três "burocracias bonitas", por escrito na Wiki, para um dia transcrever para o *Regimento Interno da OKBR*: *1)* estabelecer "*espaços de deliberação*" com clareza. Certas decisões são graves, não se pode tomar em qualquer ambiente, sem planejamento, sem aviso prévio, e sem definir quem pode e quem não pode deliberar sobre aquela questão. A OKBr tem pelo menos 3 espaços muito distintos: * "comunidade geral": poderia ser definida como "as pessoas da Lista", mas ainda inexiste uma delimitação; * "colaboradores e integrantes efetivos do projeto": por se organizarem em torno do trabalho e do dinheiro, são grupos de pessoas já bem definidas. * "assembleia geral dos associados efetivos": o Estatuto delimita, mas só semana passada houve iniciativa de legalizar a situação de todos. Falta delimitar esses espaços com mais precisão, pois decisões de um espaço não podem ser tomadas no ambiente de outro. *2)* toda santa decisão precisa de votação. Para ser um processo legítimo de votação, precisa registrar em ata o número de abstenções e o *quorum*. Simples assim, mas nunca foi feito (!). *3)* criar por escrito uma regra que será respeitada: a regra, alguns taxarão de "complexa"... Exige simplesmente definir limites (quanto no mínimo?), e, eventualmente, para ser mais justa ou precisa, a regra requer também definir relações matemáticas entre parâmetros, *3.1)* qual o *quorum*, ou seja, o mínimo de "pessoas válidas" para se deliberar sobre a questão? (num ambiente sério o "se dignar a participar constando no quorum" é um contrato, a pessoa se compromete a largar o chat do celular e fingir que está atenta à votação). Certas questões como "mudar o Estatuto" deveriam ter quorum diferenciado, mesmo numa assembleia. Decisões sobre salários, destinação de recursos de projeto, nas suas respectivas instâncias, idem. *3.2)* qual a relação entre quorum e número de abstenções para que o resultado da votação seja considerado um "consenso legítimo". https://en.wikipedia.org/wiki/Consensus_decision-making *3.3)* qual o número mínimo de votos para "ser consenso". 100% dos votos válidos? 90%-1? 80%+1? Qual a fórmula matemática adotada? - - - - - PS1: nos ambientes como o de projeto, onde a questão não pode ficar sem deliberação, e o número médio de participantes das deliberações oscila de 1 a 4 pessoas, alguns critérios mais precisam ser fixados. Não é um número mágico, mas tudo fica mais "tradicionalmente democrático" quando temos ~5 ou mais pessoas. PS2: insisti na palavra, pois sei que além do preconceito com "burocracia", há um profundo preconceito nosso (os brasileiros) quanto à palavra "matemática".
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