Pessoal, gostaria de compartilhar um trecho do livro do Kelley mencionado nesse tópico, que tive a oportunidade de discutir com alguns de vocês hoje durante nosso encontro da Open Knowledge Brasil. Vou substituir o termo 'diretoria' por 'conselho deliberativo', que é o nome usado em nosso estatuto. Transcrição em azul.
*Conselho Deliberativo* O Conselho Deliberativo é a entidade legal responsável pela Organização da Sociedade Civil (OSC) perante deus, homens e mulheres. Ela toma as decisões de maior importância, tal como a aprovação do orçamento e das despesas. Se a diretoria se sente responsável pelas despesas, deveria também sentir-se *responsável pelas receitas*. Ela contrata também o Diretor Executivo que é um membro ex officio da diretoria e, em última instância, contrata também os demais executivos/officers/executives que não fazem parte do conselho deliberativo. A chefe de um conselho deliberativo, eleita por seus pares, os demais membros do Conselho Deliberativo, poderia ser chamada de Presidente... mas não deveria considerar-se uma executiva: deveria presidir o Conselho Deliberativo que se ocupa da estratégia da organização e não dos detalhes de sua adminitração. essa tarefa pertence à Diretoria Executiva. *Membros* da OSC é um conceito ambíguo que precisa ser abordado. Em muitos países não tem a ver com governança da OSC: são pessoas comuns que se inscrevem para participar de alguma maneira e, oxalá, que *pagam pelo privilégio*. Em outros países, porém, é um termo legal que se refere a uma assembleia que, no organograma, está acima do Conselho Deliberativo. Nos EUA é opcional e incomum esse tipo de membros. Eu, se o contexto não indica o contrário, não utilizo o termo em nenhum desses sentidos, mas sim no senso mais geral e vago da palavra. Em suas leiuras em inglês, você encontrará o termo trustees, que algumas OSCs utilizam para se referir aos membros do conselho deliberativo ou aos membros dessa assembleia que, repito, a grande maioria das OSCs americanas não têm. A palavra lembra charutos e vinho do Porto e por isso a utilizam. Os membros do Conselho Deliberativo, os chamados conselheiros deliberativos, não são remunerados pela OSC A única exceção é o Diretor Executivo e, como em qualquer empresa, seu relacionamento com a diretoria é delicado, entre outras razões, porque os conselheiros são com frequência executivos de outras empresas e gostam de mandar. *Inicialmente, a pessoa que cria uma OSC está envolvida em tudo*. É um pessoa com uma missão, uma visão, carisma... e com poucos dons para gerenciamento e administração. Convida os amigos a constituir o conselho deliberativo e, como bons amigos, fazemos mais ou menos o que ela deseja, para que seu sonho se realize. Com o passar do tempo, no entanto, convém que a diretoria cresça e a influência do fundador diminua, para que a OSC desempenhe com seriedade seu trabalho. Uma diretora executiva me disse, falando de sua mãe, que era fundadora e presidenta do conselho deliberativo em questão, e que tinha doado muito dinheiro para a organização,, "Claro que mamãe pode fazer o que quiser com o dinheiro! É dela!" Em uma situação semelhante, outra diretora executiva teve que opor-se à sua mãe por anos. Essa filha tinha razão. Os visionários são muito queridos e muito problemáticos. As ontes financeiras internacionais, pelo menos, gostam que haja mulheres compartilhando poder com homens no conselho deliberativo da OSC, especialmente se a OSC tem projetos dedicados exclusivamente À mulhere. Note-se que 60% dos executivos das fundações americansas e europeias são mulheres. Elas também representam 90% do corpo funcional das OSCs. Como está seu conselho deliberativo... meio a meio? Entre o número toal de membros do conselho deliberativo, é conveniente que haja: - Um terço de *talento*; quer dizer, que aproximadamente uma terça parte das pessoas tenha experiência na especialidade profissional dessa OSC ou no funcionamento de uma OSC em geral. Essas pessoas dão orientação profissional à OSC e facilitam o contato com outras OSCs para intercâmbio de experiências ou realização de trabalho conjunto. - Um terço de *trabalho*; ou seja, pessoas que disponham do tempo e energia necessários para facilitar o trabalho da diretoria (nota, aqui são os conselheiros deliberativos e o diretor executivo). Qualquer que seja sua trajetória profissional, elas têm condições de trabalhar ao nível dos demais conselheiros. - Um terço de *tesouro*; quer dizer, pessoas que têm dinheiro e estão dispostas a fazer doações significanes à OSC, sendo também os que a colocam em contato com outras pessoas que possuem recursos econômicos. Essa divisão é simpática, mas apenas esquemática. Naturalmente, uma pessoa pode reunir em si mesma todas essas características. É importante que *todos os membros do conselho deliberativo façam doações pessoalmente à OSC* e não apenas os do "tesouro", ainda que sejam doações modestas. Isso faz com que sintam que a OSC é deles e que tenham condições de comunicar-se com certa autoridade com um possível novo doador. Por acaso, não são os conselheiros deliberativos responsáveis pelas finanças da organização? [...] E depois fala do conselho consultivo, que é essencilamente um grupo de pessoas que vão contribuir com seus talentos, trabalho ou tesouro. E são aqueles que devem responder a chamadas telefônicas do diretor executivo quando este lhes solicita ajuda ou conselho. Com o passar do tempo, alguns conselheiros deliberativos podem escolher alguns membros do conselho consultivo para juntar-se ao conselho deliberativo. O conselho consultivo é também um local de descanso para aqueles que já serviram no conselho deliberativo de uma OSC. Tom Em 8 de julho de 2015 18:47, Everton Zanella Alvarenga <[email protected]> escreveu: > Pessoal, > > recebi a recomendação da leitura da seguinte coleção de textos voltados a > organizações da sociedade civil > <http://www.institutofonte.org.br/node/1153> (OSCs). Ainda não li tudo (o > formato PDF dificulta um pouco, seria bom um formato de ebook), mas há > capítulos que me parecem muito interessantes. > > Achei legal o que li nesse aqui "Reconhecer fases nodesenvolvimentodas > organizações > <http://www.institutofonte.org.br/sites/default/files/cap01_02_Reconhecer%20fases%20no%20desenvolvimento%20das%20organiza%C3%A7%C3%B5es_InstitutoFonte.pdf#overlay-context=node/1153>", > que está no capítulo 1 sobre a dinâmica de OSCs. Apesar de estarmos > aprendendo muito sobre a fase 1 durante essa construção orgânica, estamos > trabalhando também com o tema do capítulo 2, o favorecimento de uma > governança saudável. Por fim, tem o último capítulo sobre mobilização de > recursos e capacidades em função de nossa causa. :) > > Sobre essa parte dos recursos, eu já tinha passado aqui noutros tópicos, > mas um livro que achei bem legal do que li, indicado por uma consultoria do > nossa planejamento estratégico ano passado, a Wiba, é o "Mais Dinheiro > para sua Causa: Como obter fundos de empresas, individuos, fundações e > governos > <http://www.amazon.com/Mais-Dinheiro-para-sua-Causa/dp/0988594242>", do > Daniel Kelley, um consultor americano com bastante experiência no terceiro > setor na América Latina. > > Estou compartilhando essas referências para o estímulo de discussões sobre > esses temas durante essa nova fase em que nos encontramos, o amadurecimento > de nossa organização, e para pedir outras recomendações de pessoas com > experiência no terceiro setor. > > Abraços, > > Tom > >
_______________________________________________ okfn-br mailing list [email protected] https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br
