Por Luli Radfahrer em 28/01/2014 na edição 783 

  Vivemos em uma época contraditória. Tecnologias conectam o mundo, 
distribuindo dados científicos, estimulando a colaboração e acelerando as 
descobertas, ao mesmo tempo em que muitas empresas insistem em trancar suas 
descobertas em caixas pretas, como um iPhone.
 O movimento pelos dados abertos é uma das principais ferramentas para combater 
esse enclausuramento da informação. Governos do mundo todo estão abrindo o 
acesso a suas bases de dados em busca de maior eficiência nos processos, 
combate à corrupção e mensuração do impacto de políticas públicas. O nosso, por 
meio da Lei de Acesso à Informação Pública, liberou o acesso aos dados do 
governo em um portal que, nos próximos três anos, deve abrir a consulta aos 
dados publicados por todos os órgãos do governo federal, além de dados de saúde 
pública, transporte, segurança, educação, gastos governamentais e processo 
eleitoral das administrações estaduais e municipais.
 Algumas empresas inovadoras seguem o mesmo caminho. Informações corporativas 
estão se tornando mais fluidas, circulando pela economia à medida que empresas 
compartilham seus dados com seus parceiros comerciais e, até certo ponto, com 
seus consumidores. Essas informações, enriquecidas por agregadores de dados, 
que compilam grandes volumes de informações anônimas vindas de interações com 
websites e serviços de mídia social, podem gerar um progresso sem precedentes. 
Um bom exemplo está no GPS. Se ele não tivesse deixado os segredos militares, 
não estaria nos carros e telefones hoje, movimentando uma grande quantidade de 
negócios e empresas.
 Dados abertos vão além do que é proporcionado pela internet hoje. Muito 
conteúdo, registrado em formas não textuais, pode ser compilado e administrado 
por máquinas, gerando uma inteligência inédita. Mapas, genomas, fórmulas 
químicas, matemáticas e científicas, práticas e resultados médicos, 
localizações geográficas e topográficas, pesquisa científica, dados financeiros 
e estatísticos são alguns exemplos.
 Para quem tem medo que os dados compartilhados revelem segredos ou comprometam 
vantagens competitivas, a internet mostra que a abertura leva a exatamente o 
oposto: administrações mais saudáveis, transparentes, enxutas e acessíveis. 
Essas estruturas criam seus próprios sistemas regulatórios, que, como boa parte 
dos sistemas operacionais da rede, são mais resistentes e evoluem mais rápido 
que seus concorrentes fechados.
 Benefícios vários Abrir os dados não é um processo complexo nem caro, e pode 
gerar grande valor e economias. A consultoria McKinsey estimou que dados 
abertos podem gerar de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões anuais em valor 
econômico em apenas seis setores: educação, transporte, bens de consumo, 
energia, saúde e finanças.
 É uma transformação muito mais ampla do que pode supor nossa vã tecnologia. 
Ela pode levar a uma transformação completa do que se entende hoje por 
governança pública e privada, transformando-as em plataformas de transparência, 
acesso, compartilhamento e reutilização.
 Para o cidadão e consumidor os benefícios são muitos: transparência, 
participação direta, serviços mais eficientes e novos conhecimentos gerados a 
partir de combinações de grandes volumes de dados. A mudança é tão grande que 
até parece fictícia. No entanto, nunca esteve tão próxima.****** Luli Radfahrer 
é colunista da Folha de S.Paulo
http://observatoriodaimprensa.com.br/e-noticias/_ed783_abertura_ampla_geral_e_irrestrita/

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