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Marcos Sarvat wrote: prezados colegas,Acho muito interessante este assunto e ao mesmo tempo tenho receio da briga e mal entendidos que vejo se iniciando. Há atualmente uma disputa de interesses e pelos pacientes que se pode perder ou ganhar. De certa forma o que foi dito sobre a residência medica de cabeça e pescoço(CP) nao é verdade pois no serviço de CCP da faculdade de medicina da USP RIBEIRAO PRETO temos colegas que entraram na residencia após a RM de ORL, e se tornaram especialistas em ambas. Acho que os chefes das duas disciplinas, lá, chegaram ao bom senso que este deve ser realmente o futuro , uma mesma especialidade, e temos formaçao em ORL, ONCOLOGIA, BUCO-MAXILO-FACIAL, PLASTICA FACIAL E ENDOSCOPIA PER-ORAL. Tenho realmente receio que entremos em uma briga desejada por alguns , e que já algum tempo vem tentando armá-la .CUIDADO COM A MISTURA DE INTERESSES PESSOAIS NOS ASSUNTOS COLETIVOS .
um abraço
Prezado Adriano Fonseca e demais colegas de grupo: Esta questâo da Quimioterapia em ORL é uma boa oportunidade para conversarmos sobre as relações entre ORL e cabeça e pescoço, e já que fomos indagados, vamos nos referir ao papel desempenhado pela SBORL nesta questão, esperando ampliar o debate sobre esse relevante assunto. 1. Na Europa, pela qual fomos colonizados, o ORL recebe formação adequada para diagnosticar, tratar e operar ouvidos, nariz, garganta e pescoço, sejam doenças malignas ou benignas; 2. Nas Américas isso também ocorre de forma semelhante, exceto nos EUA (que vem nos colonizando mais recentemente), em que uma minoria dos médicos atuantes na área oncológica de cabeça e pescoço originou-se da cirurgia geral, dando grande impulso às técnicas mais alargadas; 3. Criou-se os chamados "Hospitais de Câncer", partindo do pressuposto de que especializar uma instituição seria bom em termos técnicos e de marketing (cãncer deve ser tratado num Hospital de Câncer), e nessa montagem, em alguns desses centros de referência, tanto nos EUA quanto no Brasil, privilegiou-se a contratação de cirurgiões gerais; 4. Paralelamente a isso, os ORLs no Brasil (talvez apenas no Brasil) tenderam a preferir procedimentos menores, com menor potencial de complicação, e talvez tenham achado até "cômodo" ter para onde ou para quem encaminhar os casos mais graves de tumores (algo semelhante se fez em relação ao trauma de face e à endoscopia per-oral/broncoesofagologia); 5. Com isso formou-se uma situação totalmente anômala, na qual quem tem mais condições de diagnóstico e conhece melhor as enfermidades em geral (o ORL) "abre mão" de diagnosticar e tratar as enfermidades malignas; e os chamados hospitais de Câncer empregam recursos gigantescos para tratar de doenças que poderiam e deveriam ser prevenidas e diagnosticadas precocemente a um custo fantasticamente menor, no caso, pelo ORL bem treinado. Lembremos que nas demais áreas cirúrgicas essa estranha deformação não ocorre: Uro, Gineco, Abdomen, Neuro, etc, em que o mesmo profissional assume os traumas, as patologias benignas e as malignas de sua área anatômica; 6. Para agravar isso tudo, considerando que o mercado para o cirurgião de cabeça e pescoço que só trate de câncer é muito restrito, eles tenderam e tendem a se estender para áreas da ORL, sem ter formação para tal, como nas doenças benignas da laringe, por ex., com a ativa ou passiva concordãncia de alguns ORLs que não se interessavam por laringe; 7. Sentindo esta pressão por espaço, principalmente na área privada, as últimas diretorias da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço se empenharam em impedir o acesso de ORLs à Residência Médica (RM) em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, deixando de aceitar a RM em ORL como pré-requisito. Assim ficamos, após a modificação que estes colegas (ansiosos por reserva de mercado) implantaram: qualquer médico pode candidatar-se à RM em ORL, mas somente os que já tenham RM em Cirurgia Geral podem inscrever-se para Cirurgia de Cabeça e Pescoço, e nas grandes instituições de Cãncer (ao menos do Rio e SP) não há nenhum colega de origem ORL contratado, sem falar nas articuladas entrevistas que excluem os ORLs. Vale citar que estas fundações, apesar de disporem largamente de dinheiro público, selecionam pessoal sem concurso público, saibam todos. Em contraste, todos os cargos públicos de ORL são submetidos a concurso público, que pode até sofrer algumas influências e manipulações, reconhecemos, mas são abertos e públicos, frise-se, até aos cirurgiões de cabeça e pescoço que, em vários casos atuam em serviços de ORL e, cientes da importância de ampliar seu leque de atuação às enfermidades benignas, ensaiam auto-entitularem-se otorrinolaringologistas; 8. Em resposta e clara reação a todo esse absurdo (conveniente para alguns poucos) a SBORL, entendendo que a Otorrinolaringologia e a Cirurgia de Cabeça e Pescoço, por atuarem em uma área anatômica comum, tratarem dos mesmos órgãos e utilizarem as mesmas técnicas de diagnóstico e tratamento, compõem idealmente uma única e indissociável especialidade médica, e que as suas diversas áreas de atuação, interesse ou preferência devem ser prestigiadas, associadas e interligadas, criou o Departamento de Cabeça e Pescoço, com o objetivo de resolver os conflitos atuais, resgatar e garantir a formação mais adequada e completa possível ao profissional médico de nossa área. 9. Mais um ponto para pensarmos nas contradições práticas que vivemos: alguns colegas ORLs evitam encaminhar os casos de tumores para cirurgiões de cabeça e pescoço com formação em ORL (chegam a enviar o paciente para outra cidade), só para não prestigiar aquele que compete também na ORL. Assim, o "mais restrito" limita o crescimento do "mais abrangente", e a especialização passa a significar apenas uma abjeta cerca divisória de mercados (cartelzinho), percebem?; 10. Colegas, como vêm, existe uma história, aqui resumida, e uma luta árdua vem sendo levada para que o óbvio seja atendido: a CCP é uma área de atuação comum ao ORL e ao Cirurgião Geral, e ambos (e até qualquer outro médico) devem e podem contribuir para que as enfermidades malignas da cabeça e do pescoço sejam mais e melhor prevenidas e tratadas. E, mais óbvio ainda, o médico ideal na área ORL-CCP deve abranger as enfermidades mais comuns e as mais graves, sejam benignas ou malignas, em benefício dos pacientes como um todo: ou seja, trata-se de uma só especialidade, artificialmente fragmentada em nosso País, pela ação de uma exótica mistura de particularidades históricas e conveniências pessoais de ambas as partes. Lembramos finalmente que o 2º Fórum de Ética e Defesa Profissional em ORL, marcado para o dia 16 de outubro, em Natal, reserva um bom espaço para essa importante discussão, e que nós três, coincidentemente, somos otorrinolaringologistas e cirurgiões de cabeça e pescoço, extremamente interessados nisso tudo. O que (nos) perguntamos é se o corpo e os membros da SBORL também tem sensibilidade para que tal relevante questão, que depende também, e muito, de todos nós para ser mais priorizada e resolvida, coletivamente, através de nossa entidade representativa nacional, a SBORL. Abraços a todosMarcos Sarvat [EMAIL PROTECTED]Diretor de Defesa Profissional da SBORLMarcos Nemetz [EMAIL PROTECTED]Vice-diretor de Defesa Profissional da SBORLAgricio Crespo [EMAIL PROTECTED]Diretor do Departamento de Cabeça e Pescoço da SBORL Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia: contacte via [EMAIL PROTECTED] ----- Original Message -----From: AdrianoSF <[EMAIL PROTECTED]>To: <[EMAIL PROTECTED]>Sent: Saturday, August 12, 2000 8:55 PMSubject: RES: [otorri.] Quimioterapia em ORL Amigo Paulo, |
