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Prezados colegas:
Existem solu��es concretas, e
est�o a nosso alcance coletivo !
Por exemplo, debatamos mais algumas quest�es
sobre o funcionamento dos planos de sa�de:
1. A quest�o do ticket, que equivale
a determinar uma limita��o de cobertura de exames e consultas, est�
totalmente afastada pois a Lei Federal vigente determina claramente que n�o
existe limita��o de cobertura quanto a seu n� (de consultas, exames,
procedimentos ou tempo de interna��o). Isso foi muito debatido dentro e fora do
Congresso, e � hoje considerado ilegal aos planos adotar tal sistema de
limites, que penaliza justamente o paciente que mais precisa: o
cr�nico, o idoso ou o mais enfermo.
2. Entretanto, existe uma forma legal e vi�vel de
tornar o paciente o grande fator moderador do sistema: ser previsto em cada
contrato um percentual de participa��o em consultas e exames, para o
usu�rio. Por exemplo, em cada exame e consulta que fizer, o plano acresce em
sua pr�xima mensalidade 5, 10 ou mais % do que foi gerado de despesa (exceto
quando internado). Desta forma, o paciente se inibe a pressionar o m�dico por
exames, e passa a fazer somente o estritamente necess�rio, pois sabe que vai
pagar (sente na pele) uma parte... H� v�rios anos esta f�rmula simples j� �
espontaneamente adotada por v�rios planos (auto-gest�es e algumas unimeds), com
bons resultados. E mais, nos casos cr�nicos ou graves, pode-se simplesmente
levar o caso a uma junta m�dico-administrativa que pode decidir liberar o
paciente deste �nus, compreendendo sua cronicidade numa "gentileza"
economicamente justificada, pois sai muito mais barato tratar melhor
ambulatorialmente do que esperar complicar e acabar internando. Este fator
moderador ou de "participa��o" provou coibir o abuso no uso dos planos, e
deveria ser obrigat�ria sua inclus�o em todos os contratos.
3. E pergunto, sabem voc�s por que isto n�o
passou na Lei Federal, apesar de proposto, inclusive pessoalmente (oral e por
escrito) por n�s (eu e Paulo Pontes), junto � Comiss�o sobre Planos na C�mara
Federal e aos relatores do projeto no Senado? Imaginem por que: os planos
de sa�de (leia-se medicina de grupo e seguradoras) e o gobierno
(leia-se economista Jos� Serra) acham melhor, mais pr�tico e
politicamente prudente e simp�tico reduzir custos pressionando o m�dico com o
managed care do que arriscar envolver o usu�rio, que afinal � quem paga
por tudo, e achamos n�s, deveria querer participar do controle...E assim
ficamos, pois no atual mercado de venda de planos, os que incluem participa��o
do usu�rio n�o s�o bem aceitos pela popula��o, j� que a cultura e a
propaganda sempre deu a entender que "plano bom � o que cobre tudo-tudo". E
para completar o absurdo, todos n�s sabemos que o managed care s� foi
adotado nos EUA, e n�o est� dando certo!
Ser� que s� o ministro da sa�de n�o sabe disto? Tanto n�o
sabe que p�s na Ag�ncia Nacional de Sa�de um grupo escancaradamente
pr�-managed care - que prop�e a imposi��o de participa��o ao
m�dico e servi�os nos riscos e custos do sistema !!! Ser� que o Serra
n�o sabe nada? Ou sabe tudo?
4. Noutro sentido, o sistema proposto no modelo Departamento-Central de
Conv�nios este sim contempla justamente esta imprescind�vel
reorganiza��o, trazendo:
- participa��o do usu�rio -
diferenciando tecnicamente abuso de necessidade;
- liberdade de escolha - o
paciente escolhe o m�dico, conforme seus conceitos e possibilidades (entre eles
o pre�o);
- credenciamento universal - todos os m�dicos para todos os
pacientes (nenhum pode ser refer�ncia exclusiva ou preferencial por parte do
plano - a quest�o � t�cnica e a escolha � do paciente);
- autonomia por parte do
m�dico - ele mesmo fixa seus honor�rios;
- autonomia t�cnica e
moral, pois ningu�m pode ser descredenciado;
- desburocratiza��o de cobran�as
para m�dicos e servi�os;
- atende aos preceitos �ticos
fundamentais � boa rela��o m�dico-paciente;
- fiscaliza��o
conjunta por entidades m�dicos, �rg�os do
consumidor e planos.
Este � o resultado, detalhado e concreto, do
trabalho de muitos colegas que vem h� muito tempo pensando um novo
sistema, que seja bom para os pacientes, m�dicos, servi�os, operadoras e
governos.
A SBORL vem se empenhando h� anos - tempo e
recursos, neste novo paradigma de rela��o (modelo pactuado), entre as
partes envolvidas, e o resultado est� sendo colhido com a participa��o e
aprova��o explicita do Livro Regional de Sa�de (das Entidades M�dicas
do RJ) pelos �rg�os de defesa do consumidor - PROCON, Minist�rio P�blico
Federal, MP Estadual, Defensoria P�blica e Comiss�o de Direitos Humanos da
OAB-RJ.
Colegas: venham ao F�rum de 16 de outubro
conhecer este modelo, que nasceu na SBORL e foi adaptado e est� sendo implantado
no RJ, e mais, agora acolhido, desenvolvido e levado pela AMB a n�vel
nacional (entidades e estados).
Abra�os
Marcos Sarvat
Diretor de Defesa Profissional da
SBORL
----- Original Message -----
Sent: Thursday, September 21, 2000 9:08 PM
Subject: [otorri.] Re: [otorri.] Re: [otorri.] Re: [otorri.]
D�vida
Oi Pavan,
Acho que a briga tem que ser initerrupta mesmo, constante
mas com resultados, talvez mudando algumas estrat�gias. As estrat�gias
utilizadas at� agora (pela AMB) n�o est�o dando certo e as coisas est�o s�
piorando. Acho que a Defesa Profissional da SBORL tem id�ias excelentes e
inovadoras e com alguns ajustes o resultado ser� melhor.
O fato � que devemos raciocinar em cima do que acontece em
outros lugares e da experi�ncia dos outros para n�o incorrer nos mesmos �rros.
Tabelas n�o d� certo em nenhum lugar e em nenhuma profiss�o ou servi�o, pois o
que manda � a lei do mercado. Sempre haver� maneiras dos planos de saude
tangenciar as tabelas e sempre haver� colegas oferencendo pre�o mais baixo.
Tabelas s�o cart�is, seja por um lado ou pelo outro.
� como quando teve o plano
cruzado e quizeram tabelar tudo e revogar a infla��o por decreto. N�o d�
certo, na Roma antiga tentou-se decretar que quem aumentasse os pre�os era
sujeito � pris�o e na reincid�ncia � pena de morte. N�o funcionou, a lei do
mercado mandou e os pre�os continuaram subindo ou descendo conforme o
mercado.
O fato � que h� um triangulo:
-O plano de sa�de
-O m�dico
-O paciente
Nenhum dos 3 quer perder.
Se aumentar as consultas e procedimentos existem 2
possibilidades:
- Aumentar o pre�o para o paciente ou restringir
consultas/procedimentos pois os empres�rios nunca v�o querer perder ou deixar
de ganhar.
O m�dico por sua vez para
ganhar mais ou por n�o ter tempo de raciocinar muito em cada doente pois tem
que atender muitos para ganhar um pouco mais, pede um monte de exames
subsidi�rios que inviabiliza o empres�rio.
O paciente por sua vez como n�o tem restri��es vai em um
monte de m�dicos desnecess�riamente pois � gr�tis e ele paga o conv�nio e quer
usar e gosta quando o m�dico pede um monte de exames pois acha que est� sendo
melhor atendido e est� "compensando" o caro conv�nio que ele paga. Com isso o
empres�rio tem que abaixar ou restringir. Se para um paciente particular voce
pedir um monte de exames ele vai dizer, este m�dico n�o sabe nada pois eu
paguei 100,00 uma consulta e gastei 1500,00 de exames. Para um paciente de
conv�nio se voce n�o pedir exames ele reclama, P� doutor pode pedir exame, o
conv�nio paga !!
Viu ? vira um circulo vicioso sem sa�da
Sempre um dos 3 sai
perdendo.
Na minha cabe�a h� uma possibilidade que eu at� j� conversei
com alguns dirigentes de conv�nios, que � um tipo de "ticket consulta" ou
cheque consulta ou ticket sa�de, sei l� o nome tanto faz. � como ticket
restaurante. O paciente ou a empresa compra o tal�o de ticket que tem um valor
X conforme o que foi pago no seguro, e o outro tal�o o paciente receber�
depois de algum tempo (meses). O paciente pode procurar o m�dico que ele
quizer e pagar com 1 ou mais tickets, depende do pre�o do m�dico e do ticket.
� como nos restaurantes. Voce tem um tal�o de tickets mensal, que cada um vale
10,00 por exemplo. Seu tal�o inteiro vale 200,00. Se voce for almo�ar no Mac
Donalds, voce come, com 1 ticket, agora se voce quizer comer em um restaurante
sofisticado, voce pode gastar seu ticket inteiro de uma s� vez. Voce pode
guardar os tickets e us�los todos de uma vez depois de 1 ano. Pode haver
ticket exame, cirurgia, interna��o etc... Vai haver m�dico que atender� por 1
ticket, assim como h� restaurantes que voce come com 1 ticket e haver� m�dico
que o cara ter� que dar o tal�o inteiro. Cada m�dico � livre de saber qual
ser� seu pre�o. Isto � mais pr�ximo ao livre mercado e � livre iniciativa de
uma profiss�o liberal como a nossa.
Isto resolveria o problema do m�dico, do empres�rio e do
doente e quebraria o c�rculo. Esta id�ia, lapidada acho que daria certo. N�o
d� para ficar escrevendo tudo aqui no grupo � preciso discutir e ver os pr�s e
contras e sempre lutar por melhores condi��es para n�s e para os pacientes, o
cartel m�dico nos EUA levou ao medicare e � restri��o de exames e
procedimentos. Temos que aprender com o �rro dos outros, n�o � atitude passiva
� atitude inteligente de n�o perder tempo com coisa j� experimentada que n�o
deu certo.
abra�os
Ricardo Bento
Caro Ricardo, s�o atitudes passivas como essa
("infelismente o mercado pressiona....., no mundo todo � tudo muito
parecido....., m�dicos ingleses e americanos est�o ganhando mal...,
etc."), e desde h� muito tempo, que t�m nos levado � situa��o em que
nos encontramos. Estamos na m�o dos consumidores de sa�de (i.e. medicina de
grupo, cooperativas, etc.). s� que n�s temos as laranjas.
Vamos nos mobilizar e mudar, para valer, essa situa��o.
Chega de comodismo.
Abra�os
Pavan
P.S. Podemos todos passar muito bem sem
laranja. Substitua por ma��, uva, etc.. Agora, ser� que o farmac�utico ou
balconista da farm�cia da esquina trata uma mastoidite, uma abascesso
periamigaliano, meningite, infarto do mioc�rdio, fratura exposta, etc. com
pastilhas, aspirina, ampicilina, etc.? Chega de abacaxi, pepino,
nabo.....
----- Original Message -----
Sent: Thursday, September 21, 2000
9:46 AM
Subject: [otorri.] Re: [otorri.]
D�vida
Prezado Gustavo,
Concordo com tudo o que voce falou, a realidade � essa
mesmo.
Infelizmente este problema profissional, � uma quest�o
de mercado que trancende nossa especialidade. Temos um pa�s com
concentra��o de renda muito alta em alguns locais e faz com que todos
naturalmente converjam para estes locais. Existe um grande n�mero de
m�dicos formados a cada ano, existem m�dicos da Am�rica do Sul imigrando
para o Brasil pois a situa��o em seus pa�ses est� pior ainda ( na
Argentina quase todos os m�dicos tem outros empregos, como motorista de
taxi por ex.). Ali�s no mundo inteiro est� parecido. A m�dia dos m�dicos
na Inglaterra (sistema totalmente estatizado) ganha em torno de US$
5000,00 que para o custo de vida local � pouco. Nos EUA as medicinas de
grupo est�o na mesma press�o que ocorre no Brasil. A diferencia��o que
voce falou � portanto muito importante, quem como voce, montou sua
carreira solidamente (titulo de especialista etc..) deve ser sem d�vida
diferenciado. Devemos � tentar promover uma melhor distribui��o de nossa
especialidade pelo Brasil e melhorar a forma��o do otorrinolaringologista,
isto trar� mais mercado e �rea de trabalho e prest�gio entre os colegas de
outras especialidades. Acho tamb�m que o caminho seria o t�rmino dos
credenciamentos e a livre escolha, mas infelizmente o mercado pressiona e
no final vale a velha lei do mercado, tem muita laranja o pre�o da laranja
abaixa, mas as laranjas de qualidade continuam vendendo bem
!!!!
abra�os
Ricardo Bento
Prezado Pedro e demais
Colegas,
Vamos considerar a real situa��o da distribui��o dos otorrinos no
Brasil: uns 300 munic�pios brasileiros com otorrinos, etc... como foi
discutido anteriormente. Pois bem, � uma pr�tica muito comum no interior
do Brasil, e n�o precisa ir muito longe (posso citar a minha cidade que
� Franca-SP), alguns colegas que fizeram um estagio n�o
reconhecido, n�o completaram a resid�ncia, ou terminaram a
gradua��o e se lan�aram no mercado de trabalho e na parede em
letras garrafais colocam : OUVIDO, NARIZ E GARGANTA, prestando
atendimento em otorrinolaringologia, tomando espa�os de quem fez tudo
direitinho.. N�o s�o membros da SBORL, n�o tem t�tulos de
especialista e n�o completaram a resid�ncia. Fazem algumas cirurgias de
A+A, septo, tumorzinho, etc... e quando a coisa complica, vaselinam e
encaminham o caso para a gente ou outros colegas e n�s seguramos a
"bucha". Atendem conv�nios tanto quanto a gente, n�o complicam
para eles, pedem poucos exames e s�o adequados para aquilo que
interessa aos patr�es da medicina de grupo, barganham pre�o baixo de
consultas e e de exames de audio ( muitas vezes explorando as
fonoaudi�logas) em benef�cio pessoal excluindo a concorr�ncia do plano
de sa�de e concordando com pre�os mais baixos da consulta e
procedimentos,
etc...
N�o discuto o direito
deste colega em exercer a medicina no que bem entende, mas
concorrem com a gente corpo a corpo, se adequam ao "sistema" e na hora
do vamos ver o paciente quer resolver sua otite, amigdalite e, muitas
vezes nem sabe o nome do m�dico que o conv�nio encaminhou e emitiu
a guia. A
realidade do interior, mesmo em cidades maiores como a nossa � dif�cil.
Em cidades grandes ou em capitais a realidade profissional � outra.
Ent�o o que fazer para proteger o colega que fez residencia, tem o
t�tulo de especialista, � membro da SBORL em dia com suas
anuidades. Eu lhes pergunto, ser� mesmo que idealmente ocorrer� o
credenciamento universal ??? Eu acho que na minha cidade isto nunca
ocorrer�... seria �timo, mercado de trabalho livre, f�rum de discuss�o,
o ideal... mas colegas, o buraco � mais embaixo. Enquando o CRM permitir
o livre exerc�cio de especialidades, sem crit�rios, sem
provas de t�tulos e reexames peri�dicos, todos e quaisquer um poder�o
fazer o que bem entende. Os conv�nios contratam quem bem lhes conv�m,
pagam oque querem e para cada um que sai tem dois para entrar no
lugar. Uma
outra situa��o que reflete a realidade de como se exerce a medicina no
interior do Brasil � a necessidade do colega ser cotista de um hospital
que detem um conv�nio para trabalhar. Cobra-se de US$ 40.000 a US$
80.000 para ser membro daquele hospital e por conseguinte ter acesso
aqueles doentes conveniados e, n�o � s� em institui��es particulares, a
Unimed de Franca pediu R$ 50.000 para que o colega pudesse entrar
para a cooperativa, internar e operar no hospital da cooperativa e
na Santa Casa, que �
p�blica.
Que reservassa de mercado !!!! Pr� trabalhar ou � rico ou bem nascido
!!! Coitado daquele como eu que quando come�ou n�o tinha nem onde cair
morto.. Reserva de mercado para quem pode
mais...
Este � o mundo verdadeiro, real e selvagem da medicina, aqui e
agora.
Acho que a SBORL est� no caminho certo, o Dep. Defesa Profissional, na
pessoa do Marcos e de outros tantos � excelente, o Ricardo teamb�m tem
boas ideias,
mas... Os
planos de defesa e avan�os devem ser planejados e executados a curto
m�dio e longo prazo. Qual a for�a juridica da SBORL como sociedade para
impedir o inadequado exerc�cio da ORL??? quanto tempo voces acham que
vai demorar para se efetivarem as mudan�as?? E aqui no interior
paulista, em Macap� ou
Xanxer�???
Achei mesmo interessante o selo, podem at� achar papagaiada mas,
sinceramente, tenho orgulho de ser membro da SBORL, da SBCCP, ter seus
T�tulos de Especialista e fix�-los na parede, foi dif�cil para mim, para
meu colega l� em Boa Vista ou Macap� ou mesmo em Passo Fundo e para
tantos outros chegarmos l�. Por que n�o valorizarmos o que j� �
nosso, est� em nossas m�o e n�o custar� tanto
??? Um
grande abra�o a todos e...desculpem-nos o
desabafo.
Gustavo.
At 19:12 19/09/00 -0300, you wrote:
Confesso que gostaria de
entender a senten�a: Hoje em
dia qualquer um coloca na tabuleta : > "OUVIDO , NARIZ E
GARGANTA" e sai por a� fazendo amigdalectomia" escrita por alguem do grupo. alguem poderia me ajudar nessa
tarefa?
Obrigado
pedro
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