Esta é a notícia de pesquisa de eletricidade transmitida sem fio.
Como hoje não é primeiro de abril, deve ser verdade...
Abraço!
Paulo Santoro
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Grupo transmite eletricidade sem fio
Experimento feito por brasileiro de 25 anos em universidade americana
abre caminho para celulares auto-recarregáveis
Físico usou mesmo princípio de aparelhos de imagem médica para
transmitir 60 W de potência a 2 metros pelo ar e ligar uma lâmpada
RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL
Um grupo de pesquisa nos EUA conseguiu transmitir eletricidade sem fios,
abrindo a possibilidade de, em alguns anos, ser possível recarregar
celulares ou computadores portáteis sem precisar conectá-los a uma
tomada. O próprio uso de baterias químicas poderá ser dispensado,
diminuindo o dano ambiental que elas produzem ao serem jogadas fora.
"Usamos simples bobinas de cobre, não foi preciso nenhum material
exótico", diz o físico brasileiro André Kurs, 25, primeiro autor do
estudo publicado no site da revista "Science" (www.sciencexpress.org).
Kurs está fazendo doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de
Massachusetts), sob orientação de Marin Soljacic, que também assina o
estudo.
O experimento foi feito explorando propriedades magnéticas de duas
bobinas de cobre.
A idéia por trás do truque é a utilização de dois objetos a uma certa
distância um do outro, capazes de trocar a energia com eficiência entre
si sem interagir com o ambiente.
O truque foi o uso da ressonância magnética, a mesma tecnologia
consagrada em aparelhos de diagnóstico médico. Dois objetos que têm a
mesma ressonância vibram na mesma freqüência e trocam energia. É como
uma taça que vibra até quebrar com o grito de uma soprano -só que Kurs
usou magnetismo em vez de som.
"Cada bobina age como um objeto com uma ressonância a uma freqüência
determinada", diz Kurs. Ele fez as bobinas oscilarem na mesma
freqüência, de 10 megahertz, um valor baixo. O campo magnético da
primeira bobina estimula o da segunda que estimula de volta a primeira,
e a transmissão de energia é possível graças a esse efeito de
ressonância mútua.
O sistema tem uma grande vantagem: não afeta o ser humano. Em vez de
irradiar o ambiente com ondas eletromagnéticas -como a luz ou ondas de
rádio-, a transferência de energia é feita através desse magnetismo
"não-radiante".
Com isso, a interação com o resto do ambiente é muito fraca, o que se
demonstrou ao colocar um anteparo entre as bobinas -a luz continuou
acesa. Os próprios pesquisadores se colocaram entre as bobinas sem
afetar o resultado - "nós não ressonamos na mesma freqüência, nem
afetamos o campo magnético", afirma Kurs.
A equipe conseguiu transmitir 60 watts de eletricidade com 40% de
eficiência a uma distância de até dois metros.
Idéia simples
Antes mesmo do sucesso do experimento, o grupo de Kurs já havia batizado
esse modo de transmissão de "WiTricity" -acrônimo para eletricidade sem
fio ("wireless", em inglês). Meses atrás, os cientistas já tinham
publicado uma análise teórica da possibilidade dessa transmissão sem fio.
A idéia usava se baseia em teorias tão consolidadas que vale perguntar
por que ninguém tinha tentando fazer isso antes, já que o experimento
envolve materiais comuns.
"Porque, até recentemente, não havia necessidade desse tipo de
aplicação", afirma Kurs. "Celulares e notebooks são coisa mais de uns
dez nos para cá". Agora que estão disseminados, esses objetos
eletrônicos criam novas necessidades.
A idéia surgiu anos atrás, quando o orientador de Kurs, Soljacic,
levantou da cama tarde da noite para recarregar um celular que bipava
pedindo a eletricidade. "Foi provavelmente a sexta vez naquele mês que
acordei com meu celular bipando para me avisar que tinha esquecido de
recarregá-lo" disse. "Me ocorreu que seria muito bom se a coisa se
encarregasse da própria recarga."
O método tradicional de transmitir informação sem fio, através de ondas
eletromagnéticas -como as ondas de rádio-, não serve para enviar energia
elétrica. Como a radiação se espalha em todas as direções -o que permite
ouvir rádio em um carro em movimento-, a maior parte da eletricidade se
perderia no ambiente.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0806200701.htm
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