Caro Elvan, 
 
Esta semana recebi uma cartinha que dizia assim: 
" Dra. tenho muito respeito e estima pela senhora, mas sobre o pedido que a senhora me fez e
  fiquei de lhe responder, 
  agora lhe trago minha resposta. 
  Tudo pode acontecer...não posso lhe garantir nada." 
 
 
Esta preso por 157 simples, foragido de São Paulo, passou 23 anos de sua vida preso, tem 43 anos,  
condenado a mais de 180 anos, 16 mortes dentro da penitenciária de SP.
Eu tinha pedido para que ele parasse, que isso não ia levar ele a lugar nenhum, etc, etc...
 
Cerca de 1.50 de altura e uma mente brilhante, me pediu uma concessão para não "passar o dia pensando besteira, arquitetando e fumando a erva" ( palavras dele).
Disse se eu conseguisse que eu ia subir 2 degraus lá dentro..., etc, etc,
eu dei um leve sorriso; 
"não pense nisso, não faço nada em troca de outra coisa,
ou pela importância de alguém, a sua importância nem vc conhece"
A lei lá dentro é do cão. Os próprios presos se encarregam com as próprias mãos de justiçarem.
As 23 mortes na PPBC no ano passado, foi uma lavagem a ferro e fogo que fizeram contra os presos que estrupavam mães, filhas, irmãs, entre outras visitas dos próprios presos.
O que acontece nesses casos é o rodízio, chamados "medida de segurança".
 
Agora vou ver o Jó, Um pedagofo que passou 130 vezes pela Febem.
 
Se tiver tempo e for permanecer em Recife, vou lhe convidar para o Conselho Comunitário.
 
Sdçs, Dina
 
 
 


 

      Caro Waldemir,

        A morte de presos nas celas muita vez não passa de um asassínio indireto. O preso é posto numa determinada cela para morrer. Não importa que implore de joelhos para não ser morto. Os carcereiros podem ser mais cruéis do que os piores marginais.

        A notícia publicada anteontem, aqui no Recife, deixou-me impressionado. 

 

ASSASSINATO DENTRO DO PRESÍDIO

    O presidiário Sandro José de Araújo, o Pé de Burro, 30 anos; foi morto na última Quarta-feira com golpes de chuço (faca artesanal) no Presídio Aníbal Bruno. Ele foi assassinado por Carlos Antônio Campos, o Neguinho do Lixo, 25 anos, e por Luciano Batista da Silva, o Biba, de 23 anos. O crime foi motivado por uma rixa entre os detentos do Presídio Aníbal Bruno e Penitenciária Barreto Campelo. Em função da chacina ocorrida ano passado na Barreto Campelo, e que teve como saldo a morte de 23 presos, a maioria transferidos do Aníbal.

    Neguinho do Lixo e Biba; na última semana, tentaram fugir da Barreto Campelo. Impedidos pela guarda, foram levados para o Aníbal Bruno e postos no castigo. Na quarta- feira, por volta das 16 h, horário de visitas, Sandro, em companhia dos colegas Elivaldo Neri, o Peão Boiadeiro, Genivaldo Jorge do Espírito Santo, o Curió, tentaram assassinar Antônio Guilhermino dos Santos, o Antônio da Sereia, que veio da Barreto Campelo. Sereia foi agredido a golpes de barrote e estocado algumas vezes. Socorrido a tempo, foi levado à enfermaria, onde foi medicado e passa bem.

    Os agressores não tiveram a mesma sorte de Sereia. Foram enviados ao castigo; justamente a mesma cela onde estavam Neguinho e Biba, que, armados de chuços, os aguardavam. Prevendo o pior, o trio implorou para ser posto em outro local. Sandro, inclusive, chorou muito momentos antes. Ao entrarem na cela, por volta das 19h de ontem, o pior aconteceu. "Biba agarrou Sandro e eu dei umas oito estocadas nele. Agimos rápido porque queríamos pegar os outros dois", conta Neguinho. Temendo pela vida, Elivaldo e Genildo gritaram desesperados e foram salvos a tempo pelos guardas.

    Os assassinos não se mostraram arrependidos e só lamentam não ter conseguido dar cabo da vida dos outros. Sandro, segundo Biba, foi escolhido primeiro por ter uma ficha suja. "O cara não valia nada, já me assaltou no presídio, já importunou minhas visitas e ainda por cima era estuprador de cadeia", afirmou. Sobre a rixa existente entre detentos das duas unidades prisionais, eles confirmaram e avisaram que mais pessoas vão morrer. Ambos foram atuados em flagrante por homicídio e enviados de volta '' para o Aníbal Bruno. "Eles estão juntos numa mesma cela, mas isolados dos outros presos por enquanto", disse o diretor da unidade presional, Evandro Carvalho.

    [Extraída do Jornal Folha de Pernambuco, 04/08/2000]

----- Original Message -----
Sent: Sunday, August 06, 2000 5:34 PM
Subject: [direito_noticia] MORTE SOB CUSTÓDIA

Nos últimos 2 anos, 23 homens sob a custódia do Estado foram mortos nos presídios do Ceará. Só este ano, 8 internos morreram, sendo 6 no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS) e 2 nas cadeias de Maracanaú e Crateús. A maioria foi assassinada p/ próprios internos em disputas p/ controle nas instituições. Há casos de tentativas de fugas e queimas de arquivo.

Apesar dos números absolutos considerados altos, a maioria das famílias de vítimas não entra c/ ações contra o Estado. São registrados pedidos isolados de indenizações e quase nenhuma vitória judicial. Francilene Freitas dos Santos conseguiu uma pensão provisória de um salário mínimo, seu marido, João Francisco Domingos da Costa, foi assassinado em dez/98 no IPPS. A decisão da Justiça é inédita no CE.

A situação dos presídios no CE é preocupante. Superlotação, deficiência de defensores públicos e inexistência de programas de ressocialização dos presos denunciam o descaso c/ a população carcerária. Essa realidade se agrava quando os apenados passam a dominar as penitenciárias, tornando-as incontroláveis.
 
No início de 1999, o músico Bernardino Pereira Braga, 56, foi encontrado morto. Ele havia sido levado para o presídio no mesmo dia da morte, após ser acusado de tentar estuprar uma adolescente de 13 anos. O músico teria chegado às 16 horas reclamando de fortes dores. Por volta da meia-noite foi encontrado morto.

As mazelas da sociedade se refletem também nas cadeias públicas, que não estão imunes ao caos do sistema penitenciário. Somente este ano, 2 presos foram mortos sob a tutela do Estado nessas unidades. Em março, 5 presos se envolveram em uma briga e 1 deles, José Neudo Pereira de Souza, foi morto c/ 12 golpes de cossoco. Um mês depois, o detento Djailton Fernandes da Silva, 32, foi assassinado a pauladas por outros 3 presos.

Em nome de Rita Tomé de Souza, esposa do agropecuarista João Tomé de Souza, assassinado na cadeia de Itapipoca em outubro de 98, o advogado Arimá Rocha move uma ação pedindo indenização, p/ danos materiais, no valor de R$ 300 mil. Recolhido por porte ilegal de arma, Tomé passou a receber ameaças de morte supostamente de policiais.

Na petição inicial, o advogado informa que ``anunciada aos 4 ventos em Itapipoca a morte de João Tomé, nenhuma providência foi tomada pelas autoridades do Estado''. Na madrugada de 17/OUT, homens encapuzados renderam a guarda da cadeia pública e arrebentaram a cela em q se encontrava o agropecuarista e o agrediram a golpes de machado. O grupo arrastou a vítima p/ fora da cadeia, colocando-o em 1 veículo e saindo em disparada. O corpo nunca foi encontrado. Na petição, o advogado garante q os policiais limparam todos os vestígios do crime, não realizando antes disso nenhuma perícia no local.

O CE registra poucos pedidos de indenizações das famílias de vítimas da violência no sistema penitenciário. E há apenas 1 caso em q o Estado foi obrigado a pagar pensão aos familiares de 1 preso assassinado. Em janeiro último, a juíza Maria Vilauba Fausto Lopes, da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinou que o Governo estadual pague 1 salário mínimo de pensão provisória a Francilene Freitas dos Santos, mulher do detento João Francisco Domingues da Costa, assassinado no dia 21 de dezembro de 98, no IPPS. Até hoje, o Estado não cumpriu a ordem judicial.
O drama de Francilene e dos filhos pequenos começou quando Domingues foi mandado para o IPPS, mesmo sem ter sido julgado. Considerado pelos familiares um doente mental, foi preso em flagrante no dia 8 de dezembro de 98, acusado de assaltar uma farmácia, o interno sofria de problemas mentais. A diretoria do IPPS foi informada sobre essa situação mental de Domingues. Um dia antes de sua morte, Francilene solicitou a transferência do marido para o Manicômio Judiciário. O pedido, no entanto, não foi atendido e quatro dias após chegar ao IPPS, Domingues foi assassinado por volta das 13h30min dentro de uma das celas do setor Segurança Provisória II. 

Representantes das entidades de defesa dos direitos humanos e do próprio Governo consideram alto o nº de presos mortos nas instituições carcerárias do CE. Para o coordenador da Pastoral Carcerária, padre Marcos Passerini, os dados demonstram a insegurança nos presídios cearenses. ``O que nos deixa estarrecido é a clássica frase ``está tudo sob controle''. Padre Marcos chama atenção para as brigas internas e alerta para a promiscuidade. ``Não há uma política cotidiana de diferenciar os presos, de saber quais as penas um dos outros, de garantir a vida'', observa Passerini.

Alerta semelhante faz o advogado e membro da Anistia Internacional, Arimá Rocha, que considera a situação ``extremamente grave''. O Estado assume a responsabilidade de custodiar o preso, garantir a sua integridade física. Arimá afirma que no momento em que isso não acontece, se observa a ineficiência do Estado em relação à segurança das pessoas. ``Se não garante a integridade das pessoas sob sua custódia, imagine o que acontece com a sociedade''.

O diretor da Coordenadoria do Sistema Penal (Cosipe), José Bento Laurindo, também considera alto o número de 23 mortos nos presídios, 2 dois anos. Ressalta, entretanto, que muitas dessas mortes ocorrem nas tentativas de fugas. Como acabar então com os crimes e brigas internas? Bento Laurino aponta algumas soluções.

A primeira, fim da superlotação dos presídios. Ele prevê que nos próximos anos esse problema deixará de existir no Ceará. Com a inauguração da Penitenciária Regional do Cariri, prevista para setembro próximo, pelo menos 200 apenados do IPPS serão levados para aquela unidade. A construção da penitenciária de Sobral deve também desafogar o IPPS.

Bento Laurindo diz que os presidiários precisam de ocupação e, sobretudo, de Deus. Ele alerta para a pouca atuação dos grupos de evangelização nos presídios. Sobre o IPPS, garante que é difícil o trabalho voluntariado. Profissionais liberais, por exemplo, se recusam a desenvolver programas. Eles temem pela insegurança. ``Mas essa situação será revertida. Estamos plantando a semente e vamos colher os frutos nos próximos anos''.

A integridade física e moral dos presos é garantida pela Lei de Execuções Penais, pelo Artigo 5°, inciso 49, da Constituição Federal, além do artigo 38 do Código Penal.
 
E os demais listeiros o q pensam do assunto???
 

 

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