|
O ex-ministro da Justiça
José Gregori, assustado com o índice de
insegurança que assolava o Brasil em 1999, vai para a
televisão e anuncia o Plano Nacional de Segurança
Pública, uma série de medidas que o governo federal
engendrou dentro do Palácio do Planalto sem consultar sequer
um especialista em segurança. Ouviu palpites de
coronéis e generais que nunca colocaram o pé em uma
delegacia de polícia e só poderia dar no que deu. Um
fracasso total, depois de gastar milhares de dólares em
operações ineficientes previamente anunciadas e em
viaturas e helicópteros, esquecendo que o problema é
estrutural e político e não de logística
militar. Agora, lá de Portugal, onde está atualmente,
curtindo confortavelmente seu fracasso administrativo o ex-ministro
pergunta: “Por que não deu
certo?”
Não deu certo porque o governo federal e
o estadual não atacam o problema na sua essência, que
é a estrutura policial e a formação policial,
além da mudança de mentalidade dos homens que comandam
as polícias. E o atual ministro e também
neófito em questões de segurança pública
está cometendo o mesmo erro de seu antecessor, anunciando uma
série de medidas para enfrentar o mesmo problema, agora
agravado com seqüestros e assaltos a presídios e
delegacias, além de assassinatos frios e
diários.
Aloysio Nunes Ferreira anunciou que vai
passar para a Polícia Federal a autoridade para investigar os
seqüestros e o crime organizado. Agílio, diretor geral
da PF, comemorou, mesmo não sabendo o que, já que
não tem experiência policial operacional em seu curto
currículo, esquecendo que chegou a diretor geral por
indicações políticas e não
profissionais.
Essa nova função que
estão passando para a Polícia Federal é boa
para o poder da instituição, mas perigosa para os
policiais federais, uma vez que hoje a Polícia Federal, sob o
comando de Agílio e seus assessores, todos burocratas sem
histórico de operação policial, não
saberão o que fazer diante de um crime que requer
conhecimentos técnicos profundos, como o seqüestro e o
homicídio, conhecimentos que hoje somente as polícias
civis e as polícias militares têm. A Polícia
Federal não tem formação, no momento, para dar
a resposta que a população vai esperar dela, e o que
hoje o inexperiente Agílio comemora será a critica de
amanhã, já que os resultados, com certeza, não
serão rápidos e prontos como se espera, até
porque, repito, os atuais dirigentes da PF não têm
experiência nem capacidade profissional para tanto. O ideal
seria mudar toda a cúpula da Polícia Federal, isso
já seria uma ação correta e com resultados
imediatos. Ou já esqueceram que a atual
administração da PF não prendeu Lalau,
administrou mal o orçamento, levando a PF à sua
falência quase que total, já que ela hoje, em todo o
país, não tem nem sequer gasolina ou papel
higiênico em seus banheiros, sem lembrar o episódio da
gravidez da cantora mexicana que a direção geral do
DPF tentou encobrir, acusando uma caneta Bic?
O ministro da
Justiça deveria lutar por uma nova estrutura policial
nacional federal e estadual, lutando pela unificação
das polícias civis e militares, fazendo frente ferrenha
aos lobbies dos delegados e oficiais que se opõem a
essa fusão simplesmente por interesses corporativos e
pessoais. Não querem perder o poder que têm hoje, mesmo
que a população morra nas mãos dos bandidos, o
que para eles é somente um “pequeno
detalhe”.
O governo federal deveria usar sua maioria no
Congresso Nacional – que usa para aprovar os Proer da vida
– e aprovar o fim do inquérito policial, aprovar a
unificação das polícias e a
criação de uma corregedoria independente e atuante
para acabar com a corrupção que hoje assola todas as
polícias, umas mais, outras menos, mas todas.
De
imediato, o ministro deveria pensar em criar uma força-tarefa
com policiais federais, estaduais e militares, os honestos e os
melhores do país, os quais, com uma legislação
ágil e moderna, aprovada por medida provisória,
poderiam fazer frente aos bandidos que hoje colocam em perigo
até o regime político. Os maiores bandidos do
país, que não passam de cem, já foram todos
presos pelas polícias, mas acabam saindo por brechas
jurídicas utilizadas por caros advogados e obedecidas por
juízes benevolentes, e acabam sendo o dono do governo e do
sistema, já que para eles os direitos humanos das
vítimas não importam.
Feito isso, o governo
estará realmente dando uma resposta rápida, e os
resultados também serão rápidos e eficientes.
Está na hora de parar com os planos de televisão e
passar para os planos de ação, isso se o governo
realmente tiver vontade política para resolver o problema
número um do país, que é a violência
desenfreada em todos os Estados brasileiros. O governo federal tem a
chance de fazer algo de imediato e, caso não o faça,
seu candidato a presidente estará derrotado nas urnas pelos
eleitores. E, mesmo que muitos deles morram nas mãos dos
bandidos, seus parentes e amigos saberão fazer justiça
nas urnas.
Francisco Carlos Garisto é
presidente-fundador da Federação Nacional dos
Policiais Federais. |