PM requereu mandado na Justiça para realizar busca na PF do MA

RANIER BRAGON
da Agência Folha

Numa ação que envolveu 50 homens, a Polícia Militar do Maranhão cercou nesta quarta-feira a casa onde funcionava o serviço de inteligência da Polícia Federal em São Luís. A PM procurava, amparada em um mandado judicial de busca e apreensão expedido a pedido da própria polícia do Estado, indícios de ''atividade criminosa''.

A PM é subordinada à governadora Roseana Sarney (PFL), que vem acusando os órgãos de inteligência do governo federal de espionagem e de armar uma conspiração que levou à apreensão de R$ 1,34 milhão que seriam destinados à sua campanha presidencial na sede da empresa Lunus, de sua propriedade.

Roseana negou por meio de sua assessoria saber sobre a operação de hoje. Mas a própria assessoria confirmou, depois, que foi a polícia do Estado _não especificou se Civil ou Militar_ a autora do pedido de busca no local.

Relato sobre a ação foi feito a Roseana na noite de hoje pelo gerente (secretário) de Justiça, Segurança Pública e Cidadania, Raimundo Soares Cutrim. Ela não se pronunciou.

Cutrim afirmou, segundo a assessoria, que a polícia vinha recebendo há dias denúncias de vizinhos sobre movimentações estranhas na casa e que, por isso, foi encaminhado à Justiça um mandado de busca e apreensão. Ele disse acreditar que poderia se tratar de um cativeiro.

A ação ocorreu às 17h30, quando 50 PMs do GOE (Grupo de Operações Especiais), alguns encapuzados, chegaram à casa acompanhados de dois oficiais de Justiça. A casa, de dois andares, fica no bairro de classe média Cohajape. Os oficiais disseram que iriam verificar se lá se cometia "alguma atividade criminosa".

Havia dois agentes da PF no local. Eles acionaram a superintendência do órgão, que imediatamente deslocou para o local cinco carros com sirene ligada e oito delegados com armas na mão. O superintendente Augusto Serra Pinto também apareceu.

Houve bate-boca entre alguns delegados e os oficiais de Justiça. Os policiais acabaram não entrando na casa _apenas os oficiais de Justiça, que, segundo Pinto, saíram sem levar nada do local.

"Alugamos esse local já há oito meses, porque não temos espaço físico suficiente na sede da PF", disse Pinto.

Questionado se haveria equipamentos de escuta na casa, o superintendente afirmou: "Há serviço de inteligência, o que abrange uma grande gama de atividades, inclusive de monitoramento. A PF não faz escuta clandestina nem arapongagem".

Perguntado especificamente sobre o caso da Lunus, Pinto negou ter espionado a empresa. ''Não tem nada contra o governo do Estado, contra a pessoa da governadora, contra a Lunus, porque não fizemos escuta neste caso.''

Desde que a PF apreendeu documentos e dinheiro na sede da Lunus, a família Sarney trabalha com a hipótese de estar sendo monitorada pelo governo, em ação visando favorecer o pré-candidato José Serra (PSDB) _que nega a acusação.

O superintendente da PF disse que ficou "surpreso" com o "aparato" usado pela PM na ação. Os oficiais de Justiça e a PM chegaram à casa ao mesmo tempo que alguns jornalistas. Disse ter achado o fato ''estranho''.

Afirmou também que seus agentes disseram ter visto carros da TV Mirante, que pertence à família Sarney, rondando o local pela manhã. Embora Roseana tenha negado saber da operação, foram assessores seus que ligaram para boa parte dos jornalistas avisando sobre o caso.

Ele afirmou ainda que o serviço de inteligência chegou a ajudar a polícia local em casos como o desbaratamento de uma quadrilha de ladrões de banco.

A casa também operaria, segundo Pinto, no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.

Quem assinou o mandado de busca e apreensão foi a juíza estadual de 1ª instância Francisca Galiza, que estava ontem no plantão da Justiça estadual.

Ela afirmou que o objetivo do mandado era verificar o que ocorria no local, porque vizinhos teriam denunciado que havia ''muita movimentação de pessoas armadas''.

A ação eleva a temperatura da crise política decorrente da apreensão do dinheiro na Lunus _que levou ao rompimento do PFL com o governo federal.

Quase um mês depois da ação, a origem do dinheiro ainda não foi revelada. Jorge Murad, marido de Roseana e co-proprietário da Lunus, deixou o governo maranhense ao dizer que o valor iria para a campanha da mulher. A governadora assumiu a versão.

De todo modo, o estrago político foi feito. A imagem das 26.800 notas de R$ 50, divulgada nos jornais e pela televisão, foi considerada pelo PFL o principal motivo pela queda da governadora nas pesquisas eleitorais _deixou a co-liderança da corrida eleitoral para embolar-se na disputa do segundo lugar.
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