MOMENTO REAL E HABITUAL.
 
O instante m�gico da exist�ncia que transforma os momentos raros em loucura e esta em prolongamentos do horizonte ideal que jamais alcan�aremos. Naquele fim de tarde esta frase significou tudo aquilo que representa a situa��o descrita a seguir.
Sentado no �ltimo banco do �nibus, ele estava simplesmente vivenciando o t�dio do momento que representava no andar do �nibus  e na observa��o da cidade em movimento. Analisando aquele micro-mundo de movimento - est�tico: corretamente cotidiano, ou melhor dizendo, as pessoas mais habituais, no momento mais habitual e no hor�rio mais ocasional voltando para suas casas, apartamentos e afins. E mais nada, tudo na mesmice normalidade do mundo real, na mesma ocasi�o de sempre. At� a explos�o. Um estrondo imenso afastou a n�voa que  mascarava aqueles pequenos micro-mundos de sensatez e equil�brio. A forma louca de existir sentou-se ao lado dele com v�rias flores na m�o. S�o rosas vermelhas e brancas. E qual o significado, ou melhor, a diferen�a entre a vemelha e a branca, ele se perguntava. Somente os espinhos. Talvez ficou f�cil troc�-la por uma  branca, j� que esta n�o tinha os espinhos que prejudicava sua real, equilibrada e habitual jornada. A figura ao lado, com as flores vermelhas na m�o, come�ou um ocasional bate papo, desses incr�veis que acontecem no instante menos ideal para acontecer, ou seja, habitual, cotidiano e rotineiro. Transformava-se em estranho tal situa��o inusitada, pois a figura ao lado  era diferente e muito habitual : uma figura um pouco cheia, com seu vestido simples e economico. Como continuar aquele papo que aparentava um sem saber o que sem saber o porque? Um papo sem p� nem cabe�a, ou melhor, com ambas as partes presentes, mas sem um sentido. O sentido que estava diretamente na simplicidade, na amizade descompromissada da figura ao lado que conversava coisas da vida, t�dios do cotidiano, mas que mudara a realidade e o instante daquele movimento do circular. A figura falava do seu passado, uma sombra que indiretamente influi no nosso modo de viver e agir. Dizia do marido, que n�o estava  mais presente. Da sobrinha, linda menina de olhos azuis, que estava aprendendo a dirigir. Do cunhado, que morava na avenida ao lado. Da cidade onde nasceu: de emo��es e alegrias de um tempo que j� se passou. Da vida sofrida, mas que vale a pena . Falava sobre as  inusitadas e habituais situa��es de um passado distante e t�o presente no sentimento daquela figura. Dizia tudo aquilo a um estranho ocasional: ele, no qual confiara seus mais preciosos segredos e sentimentos. Acreditou nele: um estudante de Direito que estuda as mais complexas leis desse mundo simples e humano que se esconde por detr�s de n�s.
 
 
Tiago
 
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