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O RIO
Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
N�o temer as trevas da noite.
Se h� estrelas nos c�us, refleti-las.
E se os c�us se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens s�o �gua,
Refleti-las tamb�m sem m�goa
Nas profundidades tranquilas.
O BICHO
Vi ontem um bicho
Na imund�ce do p�tio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
N�o examinava nem cheirava
Engolia com voracidade.
O bicho n�o era um c�o
N�o era um gato,
N�o era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
C�U
A crian�a olha
Para o c�u azul.
Levanta a m�ozinha,
Quer tocar o c�u.
N�o sente a crian�a
Que o c�u � ilus�o:
Cr� que o n�o alcan�a,
Quando o tem na m�o.
O LUTADOR
Buscou no amor o b�lsamo da vida,
N�o encontrou sen�o o veneno e morte.
Levantou no deserto a roca-forte
Do ego�smo, e a roca em mar foi
submergida!
Depois de muita pena e muita lida,
De espantoso ca�ar a toda sorte,
Venceu o monstro de destemido porte
- A ululante Quimera espavorida!
Quando morreu, l�nguas de sangue
ardente,
Aleluias de fogo acometiam,
Tomavam todo o c�u de lado a lado,
E longamente, indefinidamente,
Como um coro de ventos sacudiam
Seu grande cora��o transverberado!
TODOS DE MANUEL
BANDEIRA
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