Title: Mensagem
Para isso n�o � Advocacia, isso � crime.
Advogado n�o deve se prestar a fazer isso, at� porque fere a Lei e o C�digo de �tica.
N�o fa�o isso.
Uso de todos os meios legais para atender ao meu cliente, al�m disso n�o vou.
Quest�o de educa��o e de ber�o.
Por isso n�o sou Advogado pr�spero e rico...
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Celso F. Rocca
Advogado
S�o Carlos - SP
Brasil

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-----Mensagem original-----
De: KHETLYNN [mailto:[EMAIL PROTECTED]]
Enviada em: 19 de junho de 2002 23:42
Para: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: [Direito Penal] Como driblar a justi�a em 10 li��es

Ol� pessoal, estou com saudades de voc�s......
vejam que interessante.
 
khetlynn
 

 
Quinta-feira, 13 de junho de 2002
Como driblar a Justi�a em dez li��es
Um advogado especializado em defender traficantes e criminosos perigosos relata com exclusividade ao JT como a burocracia do Poder Judici�rio, as brechas nas leis e a ajuda de policiais corruptos acabam permitindo que eles ganhem a liberdade. 'O Direito � uma ci�ncia muito el�stica', explica ele

Nos pavilh�es da Casa de Deten��o, um ditado � conhecido pelos presos: "Para dizer a verdade, nada mais que a verdade, ningu�m precisa de advogado." Um criminalista da cidade tem outra vers�o para o que se ouve no pres�dio: "Digo ao meu cliente: 'Para mim, fale a verdade. Na Justi�a, me pague que eu minto para voc�.'" Com clientes que integram o crime organizado - ele atende traficantes, ladr�es de banco e de carga, comerciantes de armas ilegais e contrabandistas -, o advogado s� concordou em falar com o JT sob a condi��o de que sua identidade fosse preservada. (Quem � conivente e defensor de 'gente' dessa esp�cie, n�o � tamb�m um criminoso, e n�o devia sentar-se no banco dos r�us como os pr�prios clientes que ele defende???)

Revelou, ent�o, como se vale das falhas da lei, da corrup��o, das provas forjadas e testemunhas falsas para garantir a liberdade para criminosos.

Homem que em seu dia-a-dia de trabalho vive ao lado de bandidos, ele tem seu pre�o para descobrir as falhas da pol�cia e da Justi�a e encontrar o caminho mais curto para driblar a lei: "N�o saio do escrit�rio para uma delegacia por menos de US$ 1 mil."

Depois, o pre�o vai subindo, dependendo do grau de dificuldade - e do valor das propinas - que o caso oferece. Ass�duo freq�entador das salas de audi�ncia dos f�runs e dos corredores das reparti��es policiais, h� muito tempo aprendeu outra li��o no labirinto das leis: "O Direito � uma ci�ncia el�stica, d� margem a v�rias interpreta��es."

Uma das falhas mais exploradas por esse advogado � a do excessivo formalismo da Justi�a, em que a falta de uma xerox autenticada pode paralisar um processo, e - segundo ele - da aus�ncia de checagem de provas por parte de ju�zes e promotores. "Isso n�o existe em nenhum livro jur�dico. S�o as manhas que o advogado s� vai aprender no dia-a-dia. Mas a mentira, se n�o for revestida de bom senso, n�o resolve."

A corrup��o � a outra arma usada por esse personagem para mudar palavras comprometedoras em um inqu�rito e tornar in�til uma acusa��o. "� preciso criar falhas no inqu�rito. H� delegados negligentes que, muitas vezes, n�o acompanham os depoimentos aos escriv�es. �s vezes, chego em uma delegacia e pergunto: 'Como vai ser o inqu�rito? E o policial corrupto me responde:

'Como o senhor quer que seja, doutor?'", conta.

Segundo o advogado, existem inqu�ritos mal feitos "�s vezes por incompet�ncia e, outras vezes, por conveni�ncia da pol�cia": "E o promotor que pega o caso est� t�o cheio de trabalho que nem tem tempo de analisar com calma uma acusa��o."

Antes de forjar as hist�rias contadas na Justi�a ou na pol�cia, � preciso "sentir o ambiente", observa o advogado: "Se eu n�o tiver tato e n�o souber dar um cunho de legalidade � hist�ria montada, o cliente fica preso. Preciso colocar fic��o na realidade", argumenta.

Manhas para driblar a Justi�a

Outra t�tica bastante usada � a de protelar prazos na Justi�a: "O Direito � uma ci�ncia profundamente formal. Para que o processo ande, � preciso seguir uma seq��ncia de atos. Se uma etapa for ignorada, tudo � anulado." Por isso, o artif�cio mais usado para que presos n�o compare�am �s audi�ncias marcadas pela Justi�a � a de promover boatos de fuga ou tumultos nas carceragens e penitenci�rias: "A confus�o impede que eles compare�am nos f�runs e, com isso, os prazos s�o prorrogados."

Outro advogado conta que, certa madrugada, chegou a retirar uma pe�a da viatura que, no dia seguinte, levaria o r�u ao F�rum. Conclus�o: o carro da pol�cia "quebrou" no meio do caminho e a audi�ncia teve de ser adiada.  (Ser� que isso n�o � crime, e esses 'advogados' n�o deviam, tamb�m, ser julgados por esses delitos???)

A inoc�ncia forjada de um criminoso � o caminho mais r�pido para a falta de puni��o. H� pouco tempo, ele conseguiu absolver cinco ladr�es do crime de forma��o de quadrilha.

"Eles tentavam roubar um caminh�o, em uma estrada, e come�aram a atirar nos pneus. Mas o motorista conseguiu se livrar, avisou a pol�cia e todos foram presos."

Com os clientes na cadeia, o advogado reuniu os assessores e montou a estrat�gia de defesa. Um assistente foi at� a rodovia onde aconteceu o crime para "analisar o cen�rio" da tentativa de roubo. De l�, ligou para o escrit�rio: "Doutor, aqui s� tem um posto de gasolina inaugurado h� poucos dias."

O advogado, ent�o, planejou a t�tica que chegou ao tribunal. No domingo seguinte, dia de pouco movimento naquela estrada, sua equipe foi at� o posto de gasolina e, l�, pendurou faixas que anunciavam um baile e o show de um cantor sertanejo que nunca existiram: "O pessoal fotografou as faixas, depois retirou todas e foi embora."

Na Justi�a, as fotos foram o principal instrumento de defesa: "Para caracterizar forma��o de quadrilha, as pessoas envolvidas necessariamente devem se conhecer e ter cometido atos il�citos juntas. Esse foi meu argumento para o juiz. Eu mostrei as fotos e disse: 'Excel�ncia, meus clientes se conheceram nesse baile. O que houve � que se divertiram, beberam demais e depois, por brincadeira, deram alguns tiros no pneu do caminh�o."

Conclus�o de tanto empenho para driblar a Justi�a: os ladr�es foram condenados pelos tiros contra o ve�culo, mas absolvidos da outra acusa��o:

"Ficaram menos de um ano presos e j� est�o soltos."

Esse advogado n�o tem grandes dramas de consci�ncia ao recorrer a expedientes ilegais para absolver culpados: "Minha profiss�o � essa. Sou contratado para defender a pessoa. Quem tem a obriga��o e o dever de provar a culpa � a pol�cia e o promotor. Se esses profissionais n�o fazem bem o trabalho deles, n�o tenho nada com isso."


MARIN�S CAMPOS Jornal da Tarde
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