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� Tecnologia
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Agora, o Grande Irm�o enxerga
atrav�s de suas roupas |
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Ivan Amato Discover Magazine
A
tecnologia corr�i o conceito de privacidade nos EUA. C�meras de
vigil�ncia seguem o movimento das pessoas em supermercados e parques
p�blicos. A Ag�ncia Nacional de Seguran�a (ASN) pode ouvir as
conversas de qualquer ser humano � vontade. Insttitui��es
financeiras vendem registros de contas banc�rias a qualquer um que
deseje, enquanto as seguradoras podem compartilhar hist�ricos
m�dicos.
| Divulga��o |
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| Imagem de raio-X revela imigrantes
ilegais tentando entrar nos EUA pela fronteira com o M�xico,
escondidos em um caminh�o de
bananas |
E agora o insulto
final, t�o fant�stico, que sempre pareceu reservado para o m�stico
Super-Homem: engenheiros est�o desenvolvendo ferramentas que podem
espiar atrav�s das paredes e localizar as pessoas, n�o importa onde
estejam.
Claro que existe um lado positivo. Ajudados por
esses aparatos, equipes de resgate poder�o encontrar v�timas
soterradas por escombros depois de um terremoto; for�as de seguran�a
conseguir�o detectar armas ocultas, e guardas de fronteira e
policiais alfandeg�rios estar�o em condi��es de examinar caminh�es e
porta malas de autom�veis para procurar drogas ou imigrantes
ilegais.
Policiais, militares e agentes de resgate anseiam
por esse tipo de aparato desde 1895, quando o f�sico alem�o Wilhelm
Roentgen descobriu que os misteriosos raios-X podiam revelar as
condi��es dos ossos sem a necessidade de incis�es no corpo. Durante
as duas �ltimas d�cadas, tecnologias de imagem inventivas, como
tomografia computadorizada, sonografia e resson�ncia magn�tica,
apagaram qualquer sentimento de surpresa que os cientistas pudessem
vir a ter ao olharem diretamente da pele para o osso.
Os
�ltimos instrumentos de "scanning" v�o at� mais longe, usando ondas
milim�tricas, radar e r�dio para atravessar uma s�rie de materiais
opacos -de roupas at� madeira, do a�o at� o concreto. Mas os raios-X
ainda n�o ca�ram no esquecimento -eles acabam de ganhar novas
formas. Em uma conven��o recente sobre diagn�stico por imagem, os
raios-X brilharam diretamente do corpo para o filme ou para um
detector eletr�nico.
A empresa de inspe��o American Science
and Engineering (AS&E), por exemplo, inventou um aparato chamado
BodySearch, que captura os raios que rebatem dos objetos. A pessoa
fica parada durante alguns segundos na frente de um aparelho do
tamanho de um refrigerador. Em seguida, uma imagem transparente do
corpo aparece em um monitor. Facas met�licas e armas de fogo
aparecem em preto, pois o metal n�o dissemina os raios-X. De modo
oposto, armas de pl�stico ou de cer�mica disseminam os raios-X
melhor que a carne e aparecem no aparelho como objetos de um branco
s�lido. A radia��o desse tipo de aparelho � menor que a emitida
pelos raios-X odontol�gicos.
| Divulga��o |
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| MBodySearch, da AS&E, que
enxerga atrav�s das roupas e que j� est� sendo usado em alguns
aeroportos dos EUA; toler�ncia � invas�o � privacidade depende
de at� onde vai a
transpar�ncia |
O sistema
BodySearch, que custa US$ 130 mil, est� sendo usado para revistar
passageiros em v�rios aeroportos e pris�es dos EUA. Aparelhos de
pot�ncia maior s�o usados ao longo da fronteira com o M�xico e ao
redor de Washington para a checagem de ve�culos, trens e cont�ineres
de mercadorias.
O BodySearch requer que as pessoas estejam
paradas. Por isso, s� pode ser usado quando o cliente aceita a
varredura. Em outras situa��es, podem ser de melhor serventia os
aparelhos criados pela empresa Millivision. Esses dispositivos usam
ondas milim�tricas cujas freq��ncias s�o mil vezes maiores que as de
uma r�dio FM.
As ondas milim�tricas atravessam roupas,
pacotes e materiais de constru��o. Os seres humanos geram sua
pr�pria ilumina��o de onda milim�trica, ent�o os instrumentos da
Millivision recolhem essas ondas e geram imagens nas quais as
pessoas luzem como silhuetas iluminadas, algo borradas, mas
anatomicamente corretas. Armas de fogo, canivetes ou bombas aparecem
como contornos escuros no meio do brilho. Richard Huguenin, chefe do
departamento de tecnologia da Millivision, diz que o detector
custar� cerca de US$ 60 mil e estar� � venda em outubro deste
ano.
Ainda assim, esse tipo de detector n�o pode atravessar
um muro de alvenaria. A Millivision est� trabalhando agora em outra
classe de sensor que, al�m de detectar as ondas, tamb�m emite sinais
de onda milim�trica rotulados e cronometrados com grande precis�o.
Ondas milim�tricas podem atravessar parcialmente uma parede,
refletir materiais do outro lado e gerar ecos que podem ser
capturados por um detector, destacando qualquer objeto -ou pessoa-
em movimento.
Huguenin diz que esse sistema de detec��o que
atravessa a parede vai demorar um ano para ser comercializado, mas
deve surpreender pelos benef�cios indiretos quando aparecer. Nos
testes, o detector constru�do pela Millivision conseguiu localizar
uma infesta��o de cupins dentro de um peda�o de madeira.
Gene
Greneker, principal pesquisador do Instituto de Pesquisas
Tecnol�gicas da Georgia, est� criando um tipo diferente de detector
de movimentos. Durante as Olimp�adas de 1996, em Atlanta, fabricou
um sensor capaz de captar os batimentos card�acos de atletas que
competiram em provas de tiro ao alvo e tiro com arco. Com
financiamento do Instituto Nacional de Justi�a, o Georgia Tech
transformou sua id�ia no Radar Flashlight, um aparelho que transmite
feixes de radar e detecta qualquer mudan�a na freq��ncia no sinal de
retorno (o que pode indicar movimento). As mudan�as aparecem em um
display de gr�fico de barras que corresponde � quantidade de
movimento percebido. Greneker diz que o prot�tipo pode detectar
pessoas que caminham no corredor do lado de fora de seu laborat�rio.
Greneker planeja vender o Radar Flashlight por cerca de US$ 1.000.
| Divulga��o |
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| O Radar Flashlight detecta
movimentos atr�s de uma parede pela altera��o na freq��ncia do
sinal de retorno dos feixes de radar emitidos pelo
aparelho |
Talvez o exemplo
mais inovador de tecnologia de vigil�ncia de longo alcance esteja
tomando forma nos laborat�rios da Time Domain, em Huntsville,
Alabama. O sensor port�til fabricado pela empresa tem o aspecto de
um monitor fino de computador com uma sali�ncia na parte de tr�s.
Ele emite milh�es de pulsos de baixa intensidade sobre uma banda
extremamente larga de freq��ncia de r�dio. Assim como o detector de
ondas milim�tricas da Millivision, os pulsos podem penetrar
materiais de constru��o n�o-met�licos e, em seguida, rebater em
qualquer objeto que esteja em seu caminho. Cada sinal de r�dio tem
seu pr�prio c�digo, que indica o tempo exato entre os pulsos.
Qualquer mudan�a no registro das pulsa��es revela a presen�a de
alguma coisa em movimento.
A Time Domain diz que o
RadarVision 2000 pode detectar movimentos a 10 metros de dist�ncia
atr�s de uma parede. Pode tamb�m, automaticamente, procurar por
atividade a dist�ncias variadas. Pequenos pontos em um monitor
indicam tanto a localiza��o do objeto quanto a taxa de
movimento.
"Se algo se mover do outro lado, n�s o
descubriremos", diz Glenn Morris, vice-presidente da Time Damain
para sistemas de engenharia do governo. A empresa assinou um
contrato de US$ 6 mi com o Ex�rcito dos EUA para desenvolver o
SoldierVision, uma vers�o port�til do radar que pesa cerca de 3,5 kg
e usa baterias. O aparelho permitir� que exploradores avan�ados ou
ve�culos de reconhecimento movidos por controle remoto escaneiem
pr�dios atr�s de sinais de atividade.
� medida que as
tecnologias melhoram, os defensores da privacidade das pessoas se
mostram cada vez mais preocupados. Por press�o deles, a Suprema
Corte dos Estados Unidos determinou, h� um ano, que o uso
n�o-autorizado de aparelhos de imagens t�rmicas para detectar calor
em propriedades particulares viola os direitos do ocupante.
O
que dizer, ent�o, de um aparelho de raios-X que pode revistar o
interior de ve�culos em movimento, ou de um detector que pode ver
atrav�s das roupas de qualquer pessoa em um aeroporto? O �xito
depende de quanta transpar�ncia as pessoas est�o dispostas a aceitar
em nome da seguran�a.
Tradu��o: Gisele
Ribeiro
Sites relacionados:
AS&E
Millivision
Time Domain
Radar
Flashlight
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04/07/2002 -
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