|
O
"Big brother" do Brasil verdadeiro
O �nibus parou no ponto, o homem entrou. Havia muito lugar vazio, mas ele ficou em p�, ao lado do motorista. Cal�a de brim, camisa solta, sapato sem meia, bon� na cabe�a. Alto, moreno, forte, uns 30 anos. Motorista e passageiros n�o tinham d�vida. Era um assaltante. S� podia ser um assaltante. E o assalto n�o come�ava. O
�nibus seguia, o homem ali, o motorista apavorado, parando nos pontos, gente
entrando, gente saindo, e o assalto n�o come�ava. Em mais um ponto, apenas
uma velhinha. Levantou o bra�o, fez o sinal, mas o motorista n�o parou. A
velhinha continuou l� em p�, desolada. O homem enfiou a m�o embaixo da
camisa, puxou um rev�lver novinho, brilhando, Taurus 38, p�s na cabe�a do
motorista e disse forte, mas sem gritar :
- Pare o �nibus, volte de marcha a
r�, devagar, sem fazer confus�o, at� o ponto, abra a porta e pegue a velhinha.
Ela n�o � sua m�e.
O motorista obedeceu. Parou,
deu r� at� o ponto, abriu a porta, a velhinha entrou, o �nibus seguiu, o homem
enfiou o rev�lver embaixo da camisa. No pr�ximo ponto, quando a porta
abriu, o homem disse ao motorista:
- Nunca mais deixe uma velhinha
parada no ponto. Ela n�o � sua m�e!
E saiu. O �nibus inteiro, menos
o motorista, bateu palmas, calorosas. Inclusive minha empregada.
Esta cena aconteceu nesta semana, na Zona Sul aqui do Rio. Este � o "Big
brother" do dram�tico Brasil verdadeiro.
Sebasti�o Nery - Tribuna da Imprensa
13/14 de Junho 2002. Pag. 6
-----------------------------------
Endere�os da lista: Para entrar: [EMAIL PROTECTED] Para sair: [EMAIL PROTECTED] -----------------------------------
| ||||||||
