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Colegas listeiros,
Ser� que seremos, como diz o texto abaixo, uma
"Colombina" (mistura de Colombia com Argentina)?
A que ponto chegamos!
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Guilherme ICQ#: 37185488
Maus exemplos
Brasil chegou ao limite do
apodrecimento institucional Luiz Ot�vio Borges*
No livro "A Marcha da Insensatez", a
historiadora B�rbara Tuchman, duas vezes laureada com o Pr�mio Pulitzer de
literatura, explicou que a insensatez ou loucura pol�tica � caracterizada, em
primeiro lugar, por ter sido percebida em seu pr�prio tempo e n�o
retrospectivamente. No Brasil, � grande o n�mero de analistas da cena brasileira que, em "seu pr�prio tempo", est�o percebendo a "insensatez ou loucura pol�tica" de altos dirigentes da M�quina P�blica que, ao tratar o Brasil como uma imensa casa da M�e Joana, est�o empurrando a na��o para um patamar de corrup��o cujo desfecho poder� ser um "salve-se quem puder" em que, no limite, ningu�m se salvar�. Abaixo, a t�tulo de ilustra��o, tr�s avalia��es recentes: - de Benedicto Ferri de Barros, membro da Academia Paulista de Letras e da Academia Internacional de Direito e Economia: "a Rep�blica brasileira se converteu em uma verdadeira mafiocracia... a corrup��o... fez do Estado um valhacouto para criminosos de toda a esp�cie em todos os setores e, invadido pelo nar-cotr�fico e outras redes de banditismo e criminalidade, amea�a caminhar, como no 'modelo colombiano', para uma rep�blica por eles governada" (Jornal da Tarde de 07 de abril de 2000); - de Cl�vis Rossi, um dos jornalistas mais premiados e respeitados do Pa�s: "... o poder p�blico caminha aceleradamente para a fal�ncia, e a popula��o, para o mais absurdo e completo desamparo... nem d� para ser otimista e dizer que o Brasil vai ser uma grande Col�mbia. Vai ser certamente pior..." (Folha de S. Paulo de 14 de mar�o de 2001); - de Carlos Miguel Aidar, presidente da OAB de S�o Paulo: "... o pa�s est� no epicentro de uma crise... cujos vetores principais s�o... o conluio de interesses entre grupos privados e a administra��o p�blica, e a vasta rede de corrup��o que se espalha em todas as esferas p�blicas - dos pequenos munic�pios at� a Uni�o" (Jornal do Advogado de Junho de 2001). Chegamos a um grau de apodrecimento institucional de tal forma intenso que manifesta��es similares �s acima reproduzidas s�o, nos dias de hoje, rotineiras. Um fen�meno de tamanha complexidade somente pode ser explicado pela a��o combinada de um grande n�mero de fatores. Esse artigo objetiva ressaltar um deles: a extensa quantidade de maus exemplos dados por pessoas que, como diz o jornalista Elio Gaspari, situam-se no andar de cima. "O exemplo vem de cima" � uma express�o popular que resume, de forma simples e direta, a influ�ncia exercida pelos comportamentos dos poderosos sobre os padr�es comportamentais de uma coletividade. Segundo a imprensa, nossos maiores dirigentes comumente cometem atos que dificilmente poderiam ser mais perniciosos. Aqui vai uma pequen�ssima amostra: * v�rios ministros do Executivo Federal foram acionados judicialmente por ter, segundo o Minist�rio P�blico, usado avi�es da FAB para viagens de lazer; * o deputado Arthur Virg�lio, secret�rio-geral da Presid�ncia da Rep�blica, afirmou, quando era l�der do Governo no Congresso, que caixa-2 nas campanhas eleitorais � um "fato corriqueiro" (e ficou tudo por isso mesmo); * o Senador Jader Barbalho foi eleito presidente do Senado porque seu nome foi votado por 41 senadores, apesar de ele ser freq�entemente retratado pela imprensa como um chefe de quadrilha; * alguns deputados federais usam dinheiro p�blico para pagar viagens a�reas feitas por eles, por parentes e por terceiros, sem que tenha surgido, na C�mara de Deputados, um �nico parlamentar decidido a combater essa farra; * foram encontradas, em 18 de 23 assembl�ias estaduais examinadas pela Receita Federal, omiss�es de rendimentos nas declara��es de renda de alguns deputados e ex-deputados; * 3 ministros do Supremo Tribunal Federal e 12 do Superior Tribunal de Justi�a viajaram para um semin�-rio, nos Estados Unidos, tendo suas despesas pagas, embora indiretamente, por empresas privadas com processos em andamento no STF; * Pedro Parente, Chefe da Casa Civil, recebeu do Minist�rio P�blico a informa��o de que �lvaro Pinto, Dele-gado do Minist�rio da Fazenda em S�o Paulo, era alvo de 63 den�ncias junto � Justi�a, mas o Delegado foi mantido no cargo. O leitor certamente poderia elaborar listas muito mais longas com outros "maus exemplos", mas os acima selecionados revelam que diversos administradores e pol�ticos n�o est�o enxergando a essencialidade, para a intera��o construtiva entre a Sociedade e a M�quina P�blica, da recomenda��o "seja s�rio, pare�a s�rio, e tenha, al�m disso, comportamento modelar". Os impactos que os maus exemplos provocam em nossas propens�es individuais e coletivas, bem como a decad�ncia econ�mica e social por eles catalisada, s�o alardeados, cotidianamente, por in�meras opini�es. Seguem duas delas: - "a corrup��o tem um efeito delet�rio sobre toda a estrutura social. Quando praticada por dirigentes po-l�ticos, todo o corpo de agentes p�blicos se considera autorizado a fazer o mesmo, assim como o conjunto da sociedade nas suas rela��es com o governo. Sin�nimo de decomposi��o e putrefa��o, a corrup��o aceita e praticada por toda a sociedade a condena � destrui��o... mais corrup��o significa menos crescimento e menos bem estar social" - publica��o do Instituto Ethos de maio de 2000; - "... a corrup��o leva o cidad�o a perder a f� nas suas institui��es e quando isto acontece, ele se torna c�nico ou rebelde. E isto � um golpe de morte na democracia e na estabilidade que ela significa" - Denise Frossard - Jornal da Tarde de 16 de dezembro de 2001. Atualmente, � comum personalidades de destaque em v�rios campos de atua��o dizerem que o Brasil est� virando Col�mbia. Ou est� virando Argentina. Se n�o houver modifica��es profundas no comportamento dos ocupantes do andar de cima, a na��o se transformar� em algo ainda pior: em uma "Colombina", que reunir�, em um s� pa�s, as dificuldades vividas hoje pela Col�mbia e pela Argentina. E da�? O que cada um de n�s pode fazer para interromper essa marcha da insensatez? Falaremos nessa quest�o em um pr�ximo artigo. Revista Consultor Jur�dico, 20 de julho de 2002. Luiz Ot�vio Borges � engenheiro
de produ��o pela USP Endere�os da lista: Para entrar: [EMAIL PROTECTED] Para sair: [EMAIL PROTECTED] -----------------------------------
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