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�PIO DO POVO Dizia L�nin: " A religi�o � o �pio do povo"; "A ignor�ncia de povo se mede pela altura das torres de suas igrejas". N�o que se seja contra o culto religioso, uma liberdade de express�o, manifesta��o de cultura... O que se contesta � uso dela como instrumento de aliena��o, destorcidos seus fundamentos m�sticos, utilizando meios cient�ficos de condicionamento psicol�gico objetivando explora��o econ�mica da f� e domina��o pol�tica. Pratica-se at� ilicitude: estelionato, sonega��o de imposto, corrup��o eleitoral. "N�o se preocupem com o dia de amanh�. Este n�o � o mundo de Deus. Os perseguidos, os sofredores, desde que mansos, quando morrerem puros, depois da eternidade, reinaram no reino dos c�us, eternamente. Todos que forem contra a palavra, s�o inimigos, filhos do diabo". Assim... de Al� a Iamaj�, haja mundo! O LEGADO DOS C�US O mercado de produtos religiosos ignora a crise. Cresce 30% ao ano, move 800 empresas e gera receitas de R$ 3 bilh�es Rosenildo Gomes Ferreira No dia 12 de outubro chega �s telas dos principais cinemas do Pa�s o filme Maria, a m�e do filho de Deus. Seria apenas mais um lan�amento cinematogr�fico n�o fosse por um detalhe: a pel�cula � estrelada pelo padre Marcelo Rossi, o maior garoto-propaganda da Igreja Cat�lica. O projeto de R$ 7,5 milh�es (uma superprodu��o para os padr�es brasileiros) d� bem a medida da for�a do "produto" religi�o nos v�rios segmentos da economia. A f�, mais do que nunca, est� movendo milh�es de reais e atraindo novas empresas ao mercado crist�o. A fra��o mais barulhenta, sem d�vida, � a das igrejas evang�licas, donas de um rebanho composto por 26 milh�es de pessoas espalhadas por todas as classes sociais. Consumidores �vidos por produtos com a grife "Jesus", eles movimentam uma fatia estimada em R$ 3 bilh�es por ano, de acordo com empres�rios que militam na causa. E n�o se trata apenas do "kit b�sico": b�blia, palet�, gravata e viagens aos lugares santos (Aparecida ou Jerusal�m). Muitos empreendedores est�o enchendo os bolsos comercializando artigos como roupas, CDs, m�veis, cadernos, agendas, jogos, instrumentos musicais, games e at� mesmo licenciando personagens com "inspira��o celestial". As 800 empresas que fazem produtos para o rebanho crist�o n�o sabem o que � recess�o. Suas vendas crescem a taxas de at� 30% a cada ano. Com tantas companhias explorando esse fil�o, era uma quest�o de tempo para que algu�m criasse uma feira espec�fica para o setor. Foi o que fez o pastor Eduardo Pacheco Calissi, diretor da EBF Eventos. A segunda edi��o da Feira Internacional do Consumidor Crist�o come�a em 23 de setembro, em S�o Paulo. A expectativa � que, em seis dias, sejam realizados R$ 30 milh�es em neg�cios, aumento de 200% em rela��o a 2002. Cr�dito Divino: Bradesco e Visa lan�aram um cart�o de afinidade para conquistar um mercado de 26 milh�es de clientes Ser�o 90 expositores no evento. A maior fatia (80%) � composta por representantes de segmentos tradicionais: editoras e gravadoras de disco. Mas h� espa�o para ind�strias de alimentos (Superbom), fabricantes de material escolar (Pasticor Cadernos), confec��es (Hpice), institui��es financeiras (Bradesco) e seguradoras (Porto Seguro). Empresas de telecomunica��es tamb�m pegam carona. A fabricante Ericsson e a operadora de telefonia TIM, por exemplo, aproveitam a feira para testar novos servi�os, como o envio de mensagens b�blicas para a telinha do celular ou toques personalizados com m�sicas de louvor a Deus. A Ericsson saiu na frente e, no in�cio de julho, lan�ou o celular Fiel, em parceria com a Assembl�ia de Deus. A id�ia � oferecer o produto em redes de distribui��o voltadas ao p�blico gospel. Nesse segmento de consumo o mercado editorial continua sendo o respons�vel pelos maiores volumes. Dados preliminares da pesquisa "Diagn�stico do setor editorial evang�lico brasileiro" mostram que as editoras movimentaram R$ 139,1 milh�es em 2002. A b�blia continua sendo o principal artigo. No ano passado, foram vendidos cerca de 8 milh�es de "livros sagrados". Metade disto foi produzido pela Sociedade B�blica do Brasil, que exporta para mais de 30 pa�ses. Esse terreno f�rtil despertou tamb�m a aten��o de multinacionais. Desde 1995, a americana Zondervan controla a Editora Vida, l�der entre as empresas independentes com receitas de R$ 12,6 milh�es. "Vamos crescer 24% este ano", diz o pastor Eudes Martins, diretor-executivo da companhia. O n�mero reflete uma estrat�gia agressiva que combina pre�os baixos e livros de encaderna��o simples mas muito bem cuidados, com at� 300 p�ginas. Al�m disso, a editora tamb�m entrou firme na �rea de "auto-ajuda crist�", investindo em �cones como os americanos Philip Yancey e Rick Warren. O livro Uma vida com prop�sito � a grande aposta de Martins para este ano. "Em apenas seis meses ele vendeu 4,5 milh�es de exemplares nos EUA", conta. Gospel. A m�sica � outro fil�o que tem rendido bons dividendos. At� meados da d�cada de 90, ningu�m imaginaria que o Brasil seria varrido pelo fen�meno dos padres cantores. Nem mesmo que a m�sica gospel se transformaria no terceiro g�nero mais consumido, com uma fatia de 14%, destronando o pagode e a m�sica sertaneja, segundo pesquisa do Instituto Franceschini de An�lise de Mercado. A por��o evang�lica movimenta R$ 100 milh�es. E � nessa seara que desponta a Line Records, ligada � Igreja Universal do bispo Edir Macedo. J� ouviu as can��es de Jamily, J. Neto ou Donizete? Pois saiba que eles est�o na linha de frente do cast da gravadora, que vende 25 milh�es de CDs por ano e fatura R$ 13 milh�es. "Estamos incomodando as grandes empresas do setor", alfineta Maur�cio Soares, diretor da Line Records. Alexandre Schiavo, vice-presidente de Marketing e Art�stico da Sony Music, reconhece a for�a das rivais, mas avisa que quer uma fatia do bolo. Sua arma � o padre Marcelo Rossi. O CD com a trilha do filme estrelado pelo religioso j� est� no mercado. "Esperamos vender 500 mil c�pias", diz. Resultado da uni�o de Columbia TriStar Pictures, Globo Filmes, Sony V�deo e Diler Produ��es, o filme vai brigar pelo recorde nacional de bilheteria.N�o h� mercado mais democr�tico que este. No reino dos neg�cios divinos, h� espa�o para todos � das gigantes multinacionais aos microempres�rios. O casal Paulo Mauerberg J�nior e Ana Cristina, dono da Hpice, apostou no segmento de moda, h� 10 anos, e n�o se arrependeu. Suas camisetas, almofadas e chaveiros com mensagens de louvor "Sou 100% Jesus" e a cl�ssica "Deus � fiel" fazem sucesso entre os adolescentes. "Nossas vendas crescem 30% a cada ano", diz J�nior. Para 2003, a estimativa � faturar R$ 1,2 milh�o. Fabricantes de instrumentos musicais tamb�m est�o dan�ando no ritmo da onda evang�lica. "Metade das vendas do setor � feita para os grupos gospel", conta Ney Nakamura, s�cio da Marutec Music, que produz guitarras e baixos Tagima. H� dois anos, ele inclui m�sicos desse estilo (o pastor Bruno, da Banda Resgate; e Juninho Afram, da banda G3) entre os patrocinados pela marca. Nakamura n�o conta os n�meros envolvidos na opera��o, mas sua decis�o de olhar para os artistas de Deus parece ter sido acertada. � crescente o n�mero de m�sicos que procuram instrumentos da Marutec. Entretenimento, ali�s, � uma �rea promissora no mercado
crist�o. Empresas e igrejas est�o investindo pesado no licenciamento de
personagens infantis. Um dos mais bem-sucedidos � o Smilinguido, da Associa��o
das Igrejas do Cristianismo Decidido. A simp�tica forminguinha j� estampa
milhares de cadernos, agendas, bon�s, toalhas e at� mesmo latas de extrato de
tomate. A personagem j� atravessou as fronteiras do Brasil rumo aos EUA, Jap�o,
al�m de pa�ses da Am�rica Latina e Oriente M�dio. "Em novembro, lan�aremos os
gibis com a turma Smilinguido", diz Neide Regina Dahlke, que responde pelo
marketing da entidade. A tiragem inicial ser� de 100 mil c�pias. Diante de tanta
sede de consumo, algumas pot�ncias do setor financeiro decidiram dar uma ajuda
aos fi�is � e aos seus cofres tamb�m. O Bradesco e a Visa, por exemplo, lan�aram
cart�es de afinidade em parceria com a Assembl�ia de Deus, a Conven��o Batista
Brasileira e a igreja Renascer. "As Igrejas foram as primeiras a enxergar o seu
rebanho como um mercado consumidor. Agora � a vez dos empreendedores arriscarem
seu capital", diz o pastor Eduardo Calissi, da EBF Eventos. Arriscar, na
verdade, � uma for�a de express�o. A experi�ncia demonstra que o lucro neste
segmento � l�quido e certo. Am�m! Os lucros dos neg�cios da f� N�meros de um segmento que n�o p�ra de crescer
Isto � - NEG�CIOS Quarta-feira, 03 de Setembro de 2003 Endere�os da lista: Para entrar: [EMAIL PROTECTED] Para sair: [EMAIL PROTECTED] -----------------------------------
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