GLOBO: TUDO A (DE) VER

(Artigos - 25.04.2003)

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    Dinheiro do contribuinte aplicado em empresa privada com graves problemas financeiros e de gerenciamento tornam extremamente dif�cil a recupera��o dos capitais investidos. Essa � a conclus�o que se pode tirar dos relat�rios do Tribunal de Contas da Uni�o sobre o relacionamento entre o BNDES e a Net Servi�os de Comunica��o S.A., antiga Globo Cabo.

    Apesar do relat�rio do TCU, de julho de 2002, em que o relator, Ministro Lincoln de Magalh�es Rocha foi voto vencido, recomendando cautela nas opera��es com a Globo, o Banco participou de novo processo de capitaliza��o da NET, em 2003, com quase 300 milh�es de reais, dinheiro que tem seu valor reduzido � metade, menos de um ano depois, por causa da r�pida deprecia��o dos pap�is subscritos.

    O BNDES, hoje o segundo maior acionista da NET com 22% de suas a��es, levou um severo pux�o de orelhas do TCU pela falta de cuidado(?) na condu��o dos neg�cios realizados com o dinheiro do contribuinte.

    O mais recente relat�rio do TCU, de autoria do mesmo Ministro Lincoln, publicado no D.O. da Uni�o de 15 de mar�o �ltimo, p�ginas 171 a 174, revela que o processo de capitaliza��o da NET, no valor global de R$1 bilh�o, 320 milh�es contou com assist�ncia financeira do BNDES de quase 300 milh�es de reais, mediante convers�o de deb�ntures e subscri��o de a��es. 

     Apesar disso, a NET n�o conseguiu reverter a situa��o deficit�ria da companhia, que continua perdendo assinantes de TV por assinatura e n�o consegue impedir a queda do valor de suas a��es.

    A NET tamb�m n�o conseguiu alongar suas d�vidas de curto prazo com os credores, venc�veis em 2002 e 2003, nem substituir as d�vidas em d�lares americanos por reais, que eram exig�ncias do TCU para novos empr�stimos � empresa.

    O Ministro aponta em seu relat�rio, com base em parecer dos �rg�os t�cnicos do Tribunal, os muitos problemas que a NET enfrenta h� oito anos:

    1) a queda continuada no n�mero de assinantes de TV a cabo principal fonte de receita da companhia. Em tr�s anos, os assinantes da NET minguaram de um milh�o, 520 mil para um milh�o, 201 mil.

    2) os crescentes preju�zos acumulados nos �ltimos anos que j� chegam a mais de 3 bilh�es de reais.

    3) desvaloriza��o das a��es da NET em 99,9% no per�odo de fevereiro/2000 a junho/2003; e em cerca de 50% em menos de um ano ap�s a opera��o de capitaliza��o de 2003, que motivou at� “notifica��es da Bovespa e Nasdaq para que a Companhia se reequadre nas regras de governan�a corporativa”.

    Para o Ministro, n�o h� d�vida, h� uma administra��o temer�ria na empresa que contraiu enormes d�vidas contando com um crescimento do mercado de assinaturas que n�o ocorreu.

    Al�m dos estudos t�cnicos, o Ministro juntou ao seu relat�rio o coment�rio dos auditores independentes Ernest e Young, de 25/03/2003:

    “A companhia tem apresentado preju�zos operacionais, apresenta defici�ncia de capital de giro e encontra-se em situa��o de inadimpl�ncia em rela��o a parcelas de juros e capital de suas obriga��es financeiras, al�m de apresentar descumprimentos de cl�usulas restritivas dos contratos de financiamentos, fatores estes que geram incertezas quanto � sua capacidade de continuar em opera��o”.

    Como se v�, a situa��o da NET e suas coligadas e controladas � mais grave do que se pensava. O grande problema � que o BNDES, que opera com dinheiro p�blico, est� cada vez mais atolado no neg�cio, como s�cio e como administrador dos recursos investidos em opera��es que todos sabiam arriscadas.

    Traduzindo em mi�dos, a situa��o chegou a um ponto em que, se o BNDES parar de colocar dinheiro no neg�cio da NET, a empresa pode quebrar, com preju�zo total dos recursos p�blicos ali empregados. Por outro lado, continuar alimentando o le�o faminto, pr�digo em gastos, na esperan�a de que ele se recupere, pode aumentar as perdas, vale dizer, do contribuinte.

    E essa � a grande preocupa��o do Tribunal de Contas da Uni�o que, felizmente, est� exercendo com dignidade seu dever de fiscalizar e cobrar provid�ncias. A sociedade precisa estar atenta.

    A imagem de socialmente respons�vel e defensora da cultura nacional, que o Grupo Globo, do qual a NET � parte, tenta passar atrav�s da TV com o slogan “Acreditar no Brasil � a nossa voca��o” � muito simp�tica, mas n�o justifica a concess�o de privil�gios governamentais.

    Na ter�a-feira, Lula recebeu no audit�rio de O Globo o pr�mio Faz a Diferen�a, das m�os do empres�rio Jo�o Roberto Marinho. Espera-se que esses mimos e gentilezas entre o presidente e a empresa n�o sirvam para abrir as portas do cofre.

    Depois do PROER dos bancos e do inexor�vel PROER da m�dia, o contribuinte n�o suporta mais ver o seu dinheiro aplicado em neg�cios que s� d�o preju�zo, para beneficiar empres�rios ricos, enquanto ele sofre com a falta de assist�ncia do poder p�blico.

 

Sobre o autor: Foi noticiarista da Radio Jornal do Brasil, �ncora dos Jornais da Globo, da Manchete e do SBT. Ancorou o primeiro canal internacional de not�cias em l�ngua portuguesa. Vive em Miami, onde tem uma produtora de jornalismo e publicidade. E-mail: [EMAIL PROTECTED]com .


Para ler a �ntegra do ac�rd�o do Tribunal de Contas da Uni�o, clique aqui.


 

 http://www.espacovital.com.br/asmaisnovas25032004s.htm

 

 

 

 

 

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