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O jornal Folha de
S. Paulo publicou
hoje (22/03) artigo do presidente
da AMB,
desembargador Cl�udio Baldino
Maciel, sobre
o controle externo do Poder
Judici�rio.
Veja a �ntegra do artigo abaixo:
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=Governo sem
controle=
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CL�UDIO BALDINO
MACIEL
S� ing�nuos
acreditam que o governo escolheu
o controle externo como
reforma pol�tica fundamental
com o fim de aprimorar o Poder
Judici�rio.
O objetivo � bem outro.
Trata-se de um primeiro
passo para redimensionar os
Poderes da Rep�blica,
aumentando o tamanho do
Executivo e diminuindo
o do Judici�rio, de tal forma
que seja este menos
capaz de impedir o desrespeito
do governo �s leis
e � Constitui��o Federal, j�
que o Legislativo, ap�s
a cria��o das medidas
provis�rias e das maiorias
congressuais constru�das com
favores pol�ticos
e enquadramento, politicamente
encolheu.
O governo
brasileiro � exercido sem efetivo
contradit�rio, quase sem
oposi��o, amparado
por setores d�ceis da m�dia �
custa de cr�ditos
e verbas p�blicas. Para
completar o c�rculo da
pot�ncia soberana do
Executivo, s� falta governar
com Judici�rio e Minist�rio
P�blico atrelados
e politicamente controlados.
Estes s�o hoje,
com todas as suas
insufici�ncias, a pedra
no sapato de um governo quase
imperial.
O governo brasileiro � exercido sem efetivo
contradit�rio, quase sem
oposi��o, amparado
por setores d�ceis da
m�dia.
O poder do
governo federal nunca foi t�o
grande. Tentando abafar crise
�tica e pol�tica
deflagrada por obscuro caso de
corrup��o,
o governo n�o somente manejou
sem pudor
o Parlamento para impedir
investiga��o por CPI,
como praticou manobra
diversionista para adotar
agenda positiva. Bingo!
Proibiram, num estalar
dos dedos do presidente, uma
atividade
at� ent�o considerada
l�cita.
Muito al�m de
saber que os bingos s�o
prejudiciais ao pa�s, o que
importa � que o governo
trata o assunto com
oportunismo pol�tico.
Pretendia antes regulamentar,
mas proibiu.
Queria ser s�cio da banca, mas
a fechou para acabar
com assunto que n�o lhe
convinha: investigar os
companheiros. Suprimiu
milhares de direitos
e de empregos, tornando do dia
para a noite
o l�cito em il�cito,
transformando �gua em vinho
ou vice-versa, tudo para tirar
da sala o sof�
maculado. Age por vontade
soberana e
incontrast�vel, atrav�s de uma
�nica canetada,
sem debate, porque o Congresso
Nacional, que ali
deveria estar, com quase 600
parlamentares,
exatamente para decidir tais
quest�es,
at� agora nem sequer foi
ouvido.
N�o houve lei,
n�o houve debate parlamentar.
Nada, somente a vontade
unipessoal do presidente.
Editou-se, em segundos, medida
provis�ria sem
atendimento aos m�nimos
requisitos constitucionais
de urg�ncia e relev�ncia. �
certo que advir�
rapidamente o �bvio am�m do
Parlamento.
Amanh� a mais rasteira
conveni�ncia, num novo
piscar de olhos,
retransformar� o il�cito em l�cito,
ficando o dito pelo n�o dito.
Em vez dos requisitos
constitucionais, presentes s�
os pressupostos
do arranjo pol�tico
conjuntural. Vivemos,
definitivamente, tempos que
lembram
o absolutismo.
� preciso
refletir, por um minuto ao menos,
que por motivos outros, mas
atrav�s da mesma
forma imperial, poder�o ser suprimidos amanh�
outros direitos essenciais ou
at� mesmo os que
estiverem consagrados em
decis�o judicial.
Queixar-se a quem? O
Judici�rio, por obra do
mesmo governo que quase tudo
pode, j� n�o
ser� sombra de poder da
Rep�blica e restar�
inapto para cumprir sua fun��o
de proteger,
em nome do povo constituinte,
os direitos dos
cidad�os contra o abuso e a
ilegalidade de
governantes autorit�rios e
contra a falta
de quaisquer limites na
atua��o dos mercados,
formais ou informais,
l�citos ou criminosos.
O Executivo,
incensado por parcela da m�dia
e empurrado pelo pr�prio
perfil messi�nico,
j� estar� com os dois p�s
dentro do Judici�rio,
atrav�s do que chamam de
controle externo.
Rompida a barreira da
independ�ncia dos
Poderes com a cria��o de �rg�o
externo de tutela
do Judici�rio, o que se
pretende �, em brev�ssimo
tempo, transform�-lo em bra�o
do governo,
formado por representantes
direta ou
indiretamente por ele
indicados.
� razo�vel supor
que em breve l� ter�o
acento, para demitir ju�zes
por meio de r�pidos
processos administrativos,
entidades do movimento
social e, quem sabe, do
sistema financeiro,
com os aplausos do FMI, j� que
a elite econ�mica
nunca esteve t�o pr�xima do
poder como do atual
governo neoliberal. E ousem os
magistrados julgar
com serenidade uma a��o de
reintegra��o de posse
ap�s uma invas�o de terras, ou
fixar em sua
decis�o juros menos extorsivos
do que os ilegais
praticados por parcela do
mercado, ou ainda
colocar na cadeia algum
assessor corrupto
instalado no Pal�cio do
Planalto.
Por tr�s da
cortina de fuma�a das reais
e s�rias defici�ncias do
Judici�rio, ter-se-� ent�o
consolidado projeto pol�tico
muito mais profundo:
o de governar o pa�s com
min�sculos limites
constitucionais, ou seja, sem
nenhum controle.
Cl�udio Baldino Maciel,
48, desembargador
do Tribunal de Justi�a do
Rio Grande do Sul,
� o presidente da
Associa��o
dos Magistrados
Brasileiros.
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