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Morte Encefálica - Carta do Dr. Cesar Timo-Iaria ao CFM
Biodireito_Medicina
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Essa carta do Dr.
Timo-Iaria foi redigida em comentário às "respostas" totalmente evasivas ou
contraditórias com as quais o Conselho Federal de
Medicina procurou *enganar* o Ministério Público Federal em
12.2003, na oportunidade em que esse órgão médico gestor *não conseguiu* responder aos quesitos
formulados *desde junho do ano de 2000* por membros deste grupo
(Biodireito_Medicina), quando demonstramos que o teste da apnéia utilizado pelos
médicos no protocolo da fictícia "morte encefálica" tem a finalidade de
*promover* a morte de pacientes (homicídio) com o exclusivo fim de
aumentar a captação de órgão vitais únicos. Diante deste fato, hoje já
comprovado desde primeiro de agosto de 2004, vigora o silêncio, com o criminoso
objetivo de preservar a "imagem de uma medicina" mercantilista e
os imensos investimentos públicos nas terapias de alta complexidade e
*lucro* (que é privado) pagos pelo SUS, entre os quais os transplantes de
órgãos vitais únicos *com doadores vivos* está acima de
qualquer outro. Desde que ficou demonstrado que o CFM *usou de
má-fé* nas suas respostas diante da didática e fundamentada
contestação de 106 páginas que protocolamos dia primeiro de março de 2004 junto
ao MPF (com ampla documentação), todas as "declarações" que promovem a
morte do paciente através do uso do teste da apnéia constituem-se
em responsabilidade criminal dos gestores da medicina brasileira e dos
médicos que utilizarem o letal teste de desligar o respirador do
traumatizado encefálico severo. Essa responsabilidade VAI ser cobrada de
quem inverteu a finalidade da medicina, tornando-a o centro de um genocídio,
quando seu compromisso primeiro é salvar vidas, sem traficar órgãos humanos e
com dinheiro público. A desinformação e a omissão dos meios de
comunicações, especialmente neste início de ano, fazem forte e
decisiva presença para a preservação desse genocídio, que nunca poderá
ser explicado dentro da premissa das "políticas de estado" com as quais "não se
deve interferir". O homicídio é prática corrente dentro da
medicina.
Celso Galli Coimbra
OABRS 11352
-------------------------- Dr. César Timo-Iaria
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15 de fevereiro de 2004
Conselho Federal de Medicina
Brasília DF
Senhores Conselheiros:
Sou médico, já fui neurologista e sou professor titular de
Fisiologia (aposentado) da Universidade de São Paulo. Ensinei e pesquisei em
Fisiologia do sistema nervoso durante 51 anos. Já fui professor da State
University of New York duas vezes e ministrei mais de 200 conferências no Brasil
e cerca de 20 no exterior, incluindo Argentina, Uruguai, Chile, México, Estados
Unidos, Escócia, Israel, Alemanha e Itália. Fui presidente da Sociedade
Brasileira de Fisiologia, da Sociedade Brasileira de Sono e da Asociación
Latinoamericana de Ciências Fisiológicas. Sou presentemente membro honorário da
Academia de Medicina de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Sono e membro
fundador e honorário da Academia Brasileira de Neurologia, membro da Academia
Brasileira de Ciências e membro emérito da American Physiological Society. Sou, por conseguinte, físiologista de reconhecido valor no Brasil
e em âmbito internacional.
Por intermédio do prof. Cícero Galli Coimbra, um dos mais
importantes neurologistas brasileiros, fiquei sabendo há
algum tempo de um conflito relacionado com um problema médico muito sério, a
retirada de órgãos de pessoas tidas como em "morte cerebral".
Começando pelo nome, que é errado, estou preocupado com o fato
de o problema estar apenas nas mãos de clínicos e cirurgiões e não se convoquem físiologistas muito sérios e competentes para
auxiliar no esclarecimento desse problema.
Pesquisas de um grupo de médicos japoneses revelaram que em
pacientes com a tal "morte cerebral" a hipófise está
secretando muito bem seus hormônios, o que significa que o hipotálamo e a área
preóptica estão funcionando. Talvez o mais extraordinário caso a levar em
consideração seja o do grande físico russo Lev Landau, que em 1962 sofreu um
grave acidente de carro e ficou internado em estado muito grave. O governo russo
convocou neurologistas dos principais países do mundo e todos o deram por morto.
Quando esses médicos voltaram a seus países a esposa de Lev
Landau solicitou às autoridades que não desligassem o
respirador. Resultado: em novembro desse mesmo ano Landau foi a Estocolmo
receber o Prêmio Nobel de Física e voltou a dar aulas na Universidade de Moscou,
embora com limitações.
Os principais neurologistas do mundo se
enganaram redondamente com o prognóstico e a viabilidade de Landau e se
houvessem desligado o respirador um grande físico teria morrido injustamente,
sem dúvida por incompetência médica. Quando li um livro sobre o caso de
Lev Landau pensei: "Se se tratasse de um paciente qualquer,
um operário, ele teria sido sacrificado, indubitavelmente. Que injustiça!
E se fosse meu pai?".
Se a justificativa para submeter ao
discutível teste de apnéia os pacientes com "morte cerebral" fosse que talvez
eles ficassem em estado péssimo depois de recuperados eu até concordaria que se
apressasse sua morte e retirassem os órgãos para transplantes, pois gostaria que
fizessem isso comigo se fosse o caso. Dizer, entretanto, que eles estão mortos
sem se realizarem muitos testes que permitissem avaliar sua viabilidade de forma
muito ampla é para mim inaceitável. Acho, por exemplo, que se deveriam
fazer testes para avaliar os reflexos dos baroceptores e dos quimioceptores;
dever-se-ia dosar os hormônios hipofisários circulantes, o fluxo sanguíneo em
vários territórios etc.
Lembremos que a administração de solução hipertônica de NaCI
recupera pacientes com choque hemorrágico dado como irreversível (descoberta de
um clínico-físiologista brasileiro); nos Estados Unidos as
ambulâncias, presentemente, carregam solução hipertônica para aplicação imediata
em caso de choque irreversível (o que, inacreditavelmente, não ocorre no
Brasil). Eu "ressuscitei" três gatos que, durante experimentos que fiz, estavam
aparentemente mortos, administrando-lhes solução hipertônica. Acho que o médico
que fez essa extraordinária descoberta (Prof. Irineu Velasco) deveria ser
convocado para ajudar a criar testes para se fazer o diagnóstico correto dos
pacientes em "morte cerebral".
Vale a pena recordar aqui que um fisiologista japonês retirou
os encéfalos de gatos e os manteve congelados durante 7 anos e depois os
perfundiu com soluções especiais e conseguiu, após esse tempo de separação do
corpo, registrar potenciais evocados e até um verdadeiro alerta
eletrofísiológico dos encéfalos.
Penso que em vez de se tratarem os pacientes com "morte
cerebral" como atualmente se faz os médicos deveriam buscar avidamente meios de
toma-los viáveis, de ressuscitá-los. Só quando uma bateria de testes mostrasse
que seus organismos não mais pudessem ser ativados é que se justificaria
retirar-lhes os órgãos.
Afinal, essa é a missão dos médicos.
Sem mais, subscrevo-me,
César Timo-Iaria
Professor titular de Fisiologia
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