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Documento juntado na CPI do Tráfico de Órgãos em 23 de
junho de 2004 e juntado em 1o. de março de 2004 às respostas
que mostram a fraude do CFM perante o MPF (www.biodireito-medicina.com.br
)
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Dr. Luiz Alcidez Manreza, na audiência do dia 23 de junho na
CPI do Tráfico de Órgãos, depondo sob compromisso, proferiu a mentira, quando debatia comigo naquela
audiência, de que o CFM não levou em consideração esta carta do Dr. César
Timo-Iaria, porque "ele não seria sequer médico"
(questão de fato, não de opinião). O Dr. César Timo-Iaria não só é
médico, mas médico neurologista e uma personalidade médica da maior
expressão pela sua alta qualificação no contexto da medicina internacional
durante 51 anos. Apesar da falta de conteúdo, simulada ou
intencional, insistem alguns poucos, incluindo-se advogados de última hora que
esperam ser contratados pelo CFM, em esmerar-se em fazer ostentação de
falta de conteúdo, quando buscam personalizar a ações
individualistas os resultados do trabalho que se traz a público, e
consta em pauta de uma CPI, já que não constou na pauta de prioridades do
Ministério Público Federal por mais de três anos. Quem quer sustentar
debate hostil sobre tema dessa magnitude, deve ter domínio de conteúdo, que é
intencionalmente, dolosamente, ignorado pelas condutas que apontei,
com fins de provocar mero ruído na indispensável comunicação e busca de
entendimentos sobre assuntos de maior seriedade no presente. estratégia
típica do CFM ao longo de todos esses anos.
Dr. César Timo-Iaria é membro fundador da Academia Brasileira
de Neurologia e o CFM foi buscar junto a essa mesma Academia aqueles
neurologistas neófitos, diante dele Timo-Iaria, que se prestaram a emitir
respostas fraudulentas ao questionamento neurológico que o MPF estava retendo há
mais de três anos.
Celso Galli Coimbra
OABRS 11352
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Dr. César Timo-Iaria
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15 de fevereiro de 2004
Conselho Federal de Medicina
Brasília DF
Senhores Conselheiros:
Sou médico, já fui neurologista e sou
professor titular de Fisiologia (aposentado) da Universidade de São
Paulo. Ensinei e pesquisei em Fisiologia do sistema nervoso durante 51 anos. Já fui professor da
State University of New York duas vezes e ministrei mais de 200 conferências no
Brasil e cerca de 20 no exterior, incluindo Argentina, Uruguai, Chile, México,
Estados Unidos, Escócia, Israel, Alemanha e Itália. Fui presidente da Sociedade
Brasileira de Fisiologia, da Sociedade Brasileira de Sono e da Asociación
Latinoamericana de Ciências Fisiológicas. Sou presentemente membro
honorário da Academia de Medicina de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Sono
e membro fundador e honorário da Academia Brasileira de
Neurologia, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro emérito da American Physiological Society. Sou, por
conseguinte, físiologista de reconhecido valor no Brasil e em âmbito
internacional.
Por intermédio do prof. Cícero Galli Coimbra, um dos mais importantes neurologistas brasileiros, fiquei sabendo
há algum tempo de um conflito relacionado com um problema médico muito sério, a
retirada de órgãos de pessoas tidas como em "morte cerebral".
Começando pelo nome, que é errado, estou
preocupado com o fato de o problema estar apenas nas mãos de clínicos e
cirurgiões e não se convoquem físiologistas muito sérios e competentes para
auxiliar no esclarecimento desse problema.
Pesquisas de um grupo de médicos japoneses revelaram que em
pacientes com a tal "morte cerebral" a hipófise está
secretando muito bem seus hormônios, o que significa que o hipotálamo e a área
preóptica estão funcionando. Talvez o mais extraordinário caso a levar em
consideração seja o do grande físico russo Lev Landau, que em 1962 sofreu um
grave acidente de carro e ficou internado em estado muito grave. O governo russo
convocou neurologistas dos principais países do mundo e todos o deram por morto.
Quando esses médicos voltaram a seus países a
esposa de Lev Landau solicitou às autoridades que não desligassem o respirador.
Resultado: em novembro desse mesmo ano Landau foi a Estocolmo receber o Prêmio
Nobel de Física e voltou a dar aulas na Universidade de Moscou, embora com
limitações.
Os principais neurologistas do mundo se
enganaram redondamente com o prognóstico e a viabilidade de Landau e se
houvessem desligado o respirador um grande físico teria morrido injustamente,
sem dúvida por incompetência médica. Quando li um livro sobre o caso de
Lev Landau pensei: "Se se tratasse de um paciente qualquer, um operário, ele
teria sido sacrificado, indubitavelmente. Que injustiça! E se fosse meu
pai?".
Se a justificativa para submeter ao
discutível teste de apnéia os pacientes com "morte cerebral" fosse que talvez
eles ficassem em estado péssimo depois de recuperados eu até concordaria que se
apressasse sua morte e retirassem os órgãos para transplantes, pois gostaria que
fizessem isso comigo se fosse o caso. Dizer, entretanto, que eles estão mortos
sem se realizarem muitos testes que permitissem avaliar sua viabilidade de forma
muito ampla é para mim inaceitável. Acho, por exemplo, que se deveriam
fazer testes para avaliar os reflexos dos baroceptores e dos quimioceptores;
dever-se-ia dosar os hormônios hipofisários circulantes, o fluxo sanguíneo em
vários territórios etc.
Lembremos que a administração de solução
hipertônica de NaCI recupera pacientes com choque hemorrágico dado como
irreversível (descoberta de um clínico-físiologista brasileiro); nos Estados
Unidos as ambulâncias, presentemente, carregam solução hipertônica para
aplicação imediata em caso de choque irreversível (o que, inacreditavelmente,
não ocorre no Brasil). Eu "ressuscitei" três gatos que, durante
experimentos que fiz, estavam aparentemente mortos, administrando-lhes solução
hipertônica. Acho que o médico que fez essa extraordinária descoberta (Prof.
Irineu Velasco) deveria ser convocado para ajudar a criar testes para se fazer o
diagnóstico correto dos pacientes em "morte cerebral".
Vale a pena recordar aqui que um fisiologista japonês retirou
os encéfalos de gatos e os manteve congelados durante 7 anos e depois os
perfundiu com soluções especiais e conseguiu, após esse tempo de separação do
corpo, registrar potenciais evocados e até um verdadeiro alerta
eletrofísiológico dos encéfalos.
Penso que em vez de se tratarem os pacientes com
"morte cerebral" como atualmente se faz os médicos deveriam buscar avidamente
meios de toma-los viáveis, de ressuscitá-los. Só quando uma bateria de testes
mostrasse que seus organismos não mais pudessem ser ativados é que se
justificaria retirar-lhes os órgãos.
Afinal, essa é a missão dos médicos.
Sem mais, subscrevo-me,
César Timo-Iaria
Professor titular de Fisiologia
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