Biodireito_Medicina
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A MG Sul Transplantes era empresa captadora de �rg�os particular que pertencia a transplantadores  ( �lvaro Ianhez ) e tamb�m fazia as declara��es de morte encef�lica dos pacientes.
 
Po�os de Caldas, mesmo depois de proibida de fazer transplantes, continuou a receber pagamentos por realiza��o de transplantes e seu p�s-operat�rio do Minist�rio da Sa�de em valores superiores aos pagos em Belo Horizonte por "atendimento" inexistente. 
 
Celso Galli Coimbra
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M�dicos negam retirada irregular de �rg�os em MG
 

A Comiss�o Parlamentar de Inqu�rito (CPI) do Tr�fico de �rg�os realizou nesta quarta-feira audi�ncia p�blica para ouvir m�dicos de Minas Gerais sobre den�ncias de tr�fico de �rg�os no estado. A inten��o era discutir as den�ncias de irregularidades no sistema de transplantes no Sul do estado.


Foram ouvidos os ex-coordenadores da Central de Transplantes de Minas Gerais (entre 1998 e 2003), Jo�o Carlos Oliveira Ara�jo, e da MG Sul Transplantes, �lvaro Ianhez.
Na audi�ncia desta quarta-feira, tamb�m foi ouvido Paulo Pavesi. Ele reafirmou as acusa��es contra os m�dicos de Po�os de Caldas e disse que seu filho foi �assassinado�. Pavesi afirmou que todos os prontu�rios sobre o atendimento ao seu filho continham irregularidades de hor�rio, data ou diagn�stico e n�o podem ser usados como provas.
Durante a audi�ncia, ele exibiu v�deos e grava��es contra pol�ticos, promotores e procuradores para comprovar sua tese de que h� descaso e coniv�ncia para dificultar as investiga��es sobre a morte de seu filho.



Transi��o de sistemas

 


Jo�o Carlos Oliveira Ara�jo disse nunca teve conhecimento de qualquer caso de tr�fico de �rg�os em Minas Gerais. Ele reconheceu, no entanto, que, em 2000, quando ocorreu o caso do menino Paulinho Veronese Pavesi, o setor vivia uma crise, em raz�o da transi��o de sistemas, provocada pela implanta��o da Lei dos Transplantes de 1997. V�tima de um acidente, Paulinho Pavesi teve suas c�rneas retiradas em Po�os de Caldas (MG) e enviadas para Campinas (SP). O pai do menino, Paulo Pavesi, acusa a equipe m�dica que atendeu o menino de irregularidade na destina��o das c�rneas retiradas.
Segundo Ara�jo, houve uma falha de comunica��o entre a Central de Transplante de Po�os de Caldas e a matriz em Belo Horizonte e, por isso, as c�rneas de Paulinho acabaram sendo enviadas para Campinas.

 


Ara�jo explicou que a remessa das c�rneas a Campinas foi irregular e � injustific�vel. As c�rneas tinham que ficar no estado de Minas e, se a remessa a Belo Horizonte n�o pudesse ser feita naquela noite, poderia ter sido feita no dia seguinte.



Advert�ncia e auditoria

 
 


Ara�jo explicou ainda que, quando soube do caso, o Minist�rio P�blico j� o estava investigando. Por isso, Ara�jo limitou-se a advertir a regional de Po�os de Caldas e a pedir uma auditoria da secretaria estadual de Sa�de. Na auditoria, segundo ele, ficou constatada a precariedade da estrutura das regionais de transplante: falta de pessoal, de equipamento e de viaturas. "As demais provid�ncias j� estavam sendo tomadas pelo Minist�rio P�blico", explicou.



Declara��es contradit�rias

 
 


J� o m�dico �lvaro Ianhez explicou aos deputados que os �rg�os n�o aproveitados na regional Sul eram encaminhados � MG Central Transplantes em Belo Horizonte. Segundo ele, a central tinha conhecimento de todos os procedimentos da regional Sul.
A afirma��o de Ianhez contradiz a declara��o do ex-coordenador da Central de Transplantes de Minas Gerais, Jo�o Carlos Oliveira Ara�jo, que afirmou que houve uma falha de comunica��o entre a Central de Transplante de Po�os de Caldas e a matriz em Belo Horizonte e, por isso, as c�rneas de Paulinho acabaram sendo enviadas para Campinas.

 
�lvaro Ianhez ainda informou que, quando a MG Central Transplantes em Belo Horizonte n�o podia pegar os �rg�os da regional Sul, eles eram encaminhados � Campinas, mas atendiam somente entidades p�blicas.



Acusa��es


Sobre a acusa��o do Paulo Pavesi, pai de Paulinho, ele afirmou que jamais fez diagn�stico de morte encef�lica para transplantes. Alvaro Ianhez � acusado por Paulo Pavesi de ter participado da constata��o de morte encef�lica de seu filho, o que � proibido pela legisla��o de transplantes em vigor. De acordo com a lei que trata do transplante de �rg�os do corpo humano (9434/97), o diagn�stico de morte encef�lica s� pode ser feito por dois m�dicos n�o participantes das equipes de remo��o e transplante.�N�o retiro, nem transplanto �rg�os�, afirmou o m�dico.

 


O m�dico ainda afirmou que sua fun��o � monitorar os receptores de �rg�os. Os �nicos especialistas habilitados a fazer transplantes, segundo ele, s�o os nefrologistas e cirurgi�es vaculares. Alvaro Ianhez explicou tamb�m que paulinho foi atendido primeiramente no Hospital Pedro Sanchez de Po�os de Caldas e ele atuava na Santa Casa de Miseric�rdia da cidade. Em raz�o disto, segundo ele, n�o participou do processo de diagn�stico do paciente e n�o estava presente no momento da realiza��o dos exames � as arteriografias. O m�dico diz que apenas orientou a fam�lia que o quadro do menino exigia acompanhamento e explicou os exames que foram feitos.



Taubat�


Outro convidado, Nivaldo Pereira, acusado de adquirir �rg�os e cad�veres sem autoriza��o legal na cidade de Franco da Rocha, em S�o Paulo, n�o compareceu. Ele alegou compromissos anteriormente agendados, mas afirmou que est� h� disposi��o da CPI. Pereira foi citado na CPI por Ant�nio Aur�lio de Carvalho Monteiro, m�dico legista acusado em casos de irregularidades na retirada de �rg�os para transplantes identificados em Taubat� (SP).

Reportagem � Daniele Popov
Edi��o � Paulo Cesar Santos

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