Ano de (re)eleição.

FHC, o presidente - candidato, programa visita a uma cidade do interior
do país situada mais ou menos onde Judas perdeu as botas (um pouco antes
dobrando à direita) e lá deve visitar uma escola. A diretora da escola,
analfabeta, mas muito enérgica e, além disso, tia de um deputado, convoca
todos os alunos e transmite a notícia. Quer que todos alunos façam uma
festa muito bonita para receber o presidente - candidato e gostaria que os
estudantes dissessem coisas agradáveis a ele. Adalberto, aluno da terceira
série, se levanta e fala:

- Professora, eu vou dizer ao presidente FHC que ontem "nasceu" sete
"gatinho" lá em casa e que todos sete "vai" votar nele.

- Ótimo, Adalberto. Maravilha! Isso é uma boa notícia. Gostei! - falou a
diretora esfregando as mãos de contente.

Enquanto aguarda a visita, a diretora manda maquiar a escola usando uma
verba especial recebida do comitê de campanha. Manda pintar as paredes e os
quadros negros, colocar portas e janelas nos lugares, consertar os
vazamentos do telhado. Até o matagal que havia em torno da escola é aparado.
A escola fica um brinco! Até água sai das torneiras no dia da visita (nas
poucas torneiras, é verdade e só no dia da visita, é claro). E não é que
também aparece um computador? Um PC-XT de última geração (última de
verdade) que o contador da prefeitura guarda em casa com muito carinho é
orgulhosamente exibido. É uma demonstração inequívoca(!) de que a escola
adota novas tecnologias.

No grande dia, os estudantes chegam à escola de roupa e sapatos novos.
"Quem não vier de roupa nova não entra" havia ameaçado a diretora.

O momento culminante do evento é a conversa informal, espontânea e
descontraída de FHC com os estudantes. Numa sala toda decorada com belas
flores vindas da capital estão os estudantes. Desde cedo da manhã que eles
esperam. Para conter a impaciência deles, são distribuídos sanduíches e
refrigerantes quentes. A galera adora.

Todos estão lá. Perdão: quase todos estudantes estão lá. Considerando que a
sala não comporta todos eles, a diretora teve de fazer uma seleção prévia
obedecendo a alguns critérios meramente administrativos e disciplinares.
Juquinha e Joãozinho, por exemplo, foram proibidos de comparecer.
Impossível imaginar o que eles poderiam aprontar para FHC, o Primeiro
Mandatário da Nação. A turma da segurança presidencial havia sido taxativa
quanto a presença de pessoas que, de alguma maneira, pudessem pôr em risco
o brilhantismo da ocasião. "Gente desse tipo não entra" decidiu sabiamente
a diretora. A escolha dos estudantes tornou-se ainda mais fácil porque a
diretora havia solicitado a colaboração das figuras mais influentes da
cidade. Dessa forma, tiveram prioridade os filhos das autoridades civis,
militares e eclesiásticas. Eles tiveram o acesso garantido à sala da
recepção e ficaram na primeira fila.

O helicóptero presidencial chega à cidade com apenas três horas e meia de
atraso e aterrissa no campo de futebol do Clube Lítero - Recreativo e
Esportivo Onze da Silibrina especialmente adornado para a ocasião. FHC, o
candidato-presidente, sai do aparelho, quer dizer, da aeronave e vai direto
para a escola. Ele não pode perder tempo.

FHC visita as instalações e elogia o que vê. Que beleza, tudo funcionando.
Tudo limpinho e perfeito. "É o retrato do meu governo" diz ele entusiasmado
diante das câmeras de TV e de jornalistas especialmente contratados para
fazer a cobertura do grande evento. Enquanto isso, as autoridades locais e
estaduais se esmeram na bajulação. (Soube-se, depois, que receberam nota
dez no quesito.)

Na escola, ele não leva mais que cinco minutos para ver tudo - é um
estabelecimento de ensino de pequeno porte e logo ele é levado à sala onde
estão os estudantes.

Chega a hora do discurso do presidente-candidato. Ele fala. Quanta
sabedoria! Que carisma! Que aula de sapiência, otimismo e humildade. Ele
enaltece os valores do neoliberalismo contemporâneo e da Teoria da
Dependência de sua criação. É uma aula maravilhosa. Ninguém entende
patavina e ele é muito aplaudido.

E chega, finalmente, a hora da "conversa informal" com os estudantes. A
professora chama o Adalberto. (Lembra-se dele? É aquele menino da terceira
série que apareceu lá no comecinho da história.)

- Adalberto, você tem uma boa notícia para o nosso Presidente, não tem?

Adalberto se levanta, enche o peito e fala solenemente:

- É, seu Presidente. É que lá em casa nasceram uns "gatinho" e dois deles
"vai" votar no senhor.

- Mas não "era" sete "gatinho", Adalberto? - pergunta a diretora
decepcionada.

- "Era", professora. Mas cinco já "abriu" os olhos.


Retirada do site http://www.quatrocantos.com

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-
Lista [EMAIL PROTECTED]
- Para assinar esta lista, envie e-mail para
[EMAIL PROTECTED]
- Para se desinscrever, envie e-mail para
[EMAIL PROTECTED] - mas pense bem antes! :)
- Para mais informacoes sobre esta lista, va\' no endereco
http://www.grupos.com.br/grupos/piadas.news
- Qualquer duvida sobre a lista, escreva para
[EMAIL PROTECTED]
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-


Grupos.com.br
página do grupo diretório de grupos diretório de pessoas cancelar assinatura

Responder a