Sangue sobre Patópolis - Parte IV

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O DIA MAIS NEGRO DA HISTÓRIA DE PATÓPOLIS

- HOJE PATÓPOLIS VOLTOU A SER NOSSA!!!!!  Glória aos cães
caucasianos!!!!!  Pato bom é pato morto!!!!! - bradava o Metralha
Intelectual, empoleirado na cabeça da estátua de Cornélio Patus,
fundador da cidade.

- Pato bom é pato morto!!!!! - repetia a multidão de Metralhas,
engrossada por centenas e centenas de "populares", todos legítimos cães
caucasianos.

Muitos séculos antes da ocupação dos patos, as terras da atual Patópolis
eram ocupadas por tribos de cães caucasianos - aqueles cachorros
antropomorfos de focinho preto e pele "cor da pele" que compõem 80% da
população local.  A invasão dos patos do Norte foi lenta e gradual:
começou com os campos de pousada dos clãs nômades, mas uma série de
golpes determinou o assentamento definitivo dos patos liderados por
Cornélio Patus.

- Era só o que faltava: insurreição dos Metralhas - resmungou Esther
enquanto me puxava para o local onde se estendia o corpo de Patinhas.

A fundação de Patópolis dissolveu a identidade política dos cães na
margem Sul da Baía de Patópolis.  Os cães acuados se reuniram em torno
da aldeia que viria a se tornar Cinópolis (a cidade dos cães). 
Temerosos do explosivo desenvolvimento econômico de seus rivais, o
Exército de Patópolis comandado por Cornélio Patus III promoveu a
invasão e saque de Cinópolis, operação financiada pelo então jovem
comerciante Patinhas McPato.

- Só acredito vendo! - Esther, ainda segurando meu braço, abria caminho
entre os repórteres (por coincidência, Patinhas caiu exatamente em
frente à sede de seu próprio jornal A Patada) e a multidão perplexa e
angustiada.  Nenhuma ambulância, bombeiro ou policial à vista.

Com o fim de Cinópolis, milhares de cães caucasianos emigraram para
Patópolis, onde têm sido explorados como mão de obra barata enquanto a
família Pato assume postos de comando.  Os partidos nacionalistas
caninos são proscritos, poucos cães caucasianos aceitam participar da
política oficial dos patos, durante décadas foi abafada pela imprensa
uma série de conspirações envolvendo cães e patos dissidentes e caíram
no esquecimento vários atentados contra os líderes caninos clandestinos.

Chegamos a dois metros do corpo.  Quando Esther se certificou de que
Patinhas se encontrava sem vida, caiu de joelhos num pranto convulsivo. 
Por um momento ela finalmente me largou.  Mas naquela cena, Esther não
disfarçava que era fortemente ligada ao Patinhas.

Entre soluços, Esther finalmente notou alguém na multidão, do outro lado
do círculo em torno do defunto.  Num salto, ela me puxou e saímos
correndo, atropelando a todos.  Em desabalada carreira no meio da
Avenida Cornélio Patus interditada, um sujeito gordo nos perseguia.  Ele
sacou uma espécie de pistola de ficção científica e acertou um raio
laser incandescente na perna direita de Esther.  Ela caiu, me derrubando
junto. Olhamos para trás.  Coronel Cintra à paisana brandia a pistola:

- Alvin Blake, Esther Altman, vocês estão presos em nome da lei!

(continua)

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