Sangue sobre Patópolis - Parte X

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UMA FUGA HUMANAMENTE POSSÍVEL

- COMO DISSE?  O PREFEITO FOI SEQÜESTRADO?  Não admito seqüestros sob minha
jurisdição!  Vou mandar meus melhores agentes resolver já esse caso.

Coronel Cintra vociferava ao telefone: ele considerava a maior das afrontas
que o prefeito Omar Leitão tivesse acabado de ser seqüestrado em pleno centro
de Patópolis.  Justamente o Omar Leitão, que a Polícia apoiava
incondicionalmente - ou algo muito próximo disso.

Na verdade, depois de trinta anos de reeleições sucessivas como candidato
oficial de Patinhas, Leitão fez uma ou duas declarações consideradas
"simpáticas" ao movimento dos cães caucasianos (a maioria oprimida de
Patópolis) e ficou desprestigiado diante do velho pato. Como o partido já
tinha fechado questão em torno de mais uma candidatura à reeleição, Patinhas
saiu com um saco de dinheiro, fundou um novo partido e lançou a si mesmo como
candidato.

Com esta virada de mesa, o prefeito ganhou a simpatia silenciosa da Polícia -
85% de cães caucasianos - insatisfeita com o absoluto desprezo de Patinhas
pela corporação, apesar de o magnata ter sido o cidadão mais bem protegido de
Patópolis.

Agora que Patinhas estava prestes a ser enterrado, Leitão bem
poderia rasgar a fantasia e garantir alguns direitos aos cães vilipendiados.
Cintra abriu a porta da sala, interrompendo o interrogatório. Trocou meia
dúzia de palavras com Mickey; logo dois carcereiros estavam nos jogando de
volta ao fundo das celas.

- Alvin, Esther - explicou Mickey - agora vamos resolver outro caso; quando
voltarmos, reiniciaremos o interrogatório.  E acho bom vocês começarem a
cooperar conosco e entregar toda a verdade, se é que sabem o que é bom pra
vocês...

Quando Cintra e Mickey nos viraram as costas, Esther comentou por trás da
grade que nos separava:

- Eu sabia que esse Mickey não passa de um sanguinário.  Não importa que a
gente fale a verdade; de qualquer jeito, vamos ser torturados até a morte,
como fizeram com o pobre Fred Franguinho.

- Não sei se devo acreditar no que você diz.  Afinal, eles perseguiam a você,
não a mim...  Você está me escondendo muita coisa.

- Você não percebe, Alvin, que a esta altura nós estamos no mesmo barco: somos
dois alienígenas presos ilegalmente.  A Polícia não tem o menor interesse em
assumir o ônus de nos entregar à Justiça, pois nossa presença está
desestabilizando toda a ordem de Patópolis.

- Ora, que bobagem!

- Não vê tudo que aconteceu desde que chegamos?  O acidente de carro, o roubo
da Caixa-forte, a morte do Patinhas, o aborto da Margarida, e agora este
seqüestro...  O que vem depois?  Nada disso poderia acontecer se não fosse por
nossa simples presença em Patópolis!

Ao notar minha expressão incrédula, Esther encontrou uma folha de jornal num
canto da cela, tirou um pedaço do tamanho de um cartão postal, amassou-o e
atirou a bolinha em minha direção.

- Alvin, mantenha essa bolinha em sua mão fechada firmemente por dez segundos.

Não sei por que segui uma instrução tão biruta.  Mas quando abri a mão, quase
caí de costas: como que por mágica, o papel tinha virado pó!

- Essa é apenas uma pequena amostra do estrago que nossa estrutura molecular
humana pode fazer em Patópolis.  Da mesma forma que o papel se transforma em
pó, tudo em nossa volta é sutilmente submetido a uma reação em cadeia
conduzindo ao desequilíbrio crescente.  Em resumo: estamos ferrados!

- E o que espera que eu faça?

- Nós dois temos que fugir desta carceragem e voltar para o mundo dos humanos.

- Você está brincando.  Minha missão não está cumprida!  A Organização vai me
matar se eu voltar de mãos vazias.

- Pelo menos vai ser uma morte um tanto menos cruel que a de Patópolis...  Ei,
tive uma idéia.  Você está com vontade de fazer xixi?

- Hein?

- É, Alvin!  Experimente fazer xixi na parede para ver o que acontece.

Sem alternativas, esperei um cochilo do carcereiro para urinar sobre a parede
que nos separava da rua.  Inacreditável.  Alguns respingos de xixi foram
suficientes para abrir um enorme buraco na parede, como se fosse ácido
sulfúrico sobre papelão!

Com o resto do xixi, dissolvi uma parte da grade que me separava de Esther.

Ainda estava perplexo, mas foi a fuga mais fácil da História...  Quando
pusemos os pés na rua, deparamo-nos com uma limusine de dez metros de
comprimento em frente à qual se postavam quatro grandalhões impecavelmente
vestidos, e no meio da fila, seu maximilionário patrão:

- Bem-vindos à Patópolis verdadeira, amigos - disse Patacôncio.

(continua)

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