Depois do Carnaval
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Luis Fernando Ver�ssimo

H� muita literatura sobre o depois do carnaval, muito mais hist�rias de
quartas-feiras cinzentas do que de ter�as-feiras gordas, desde cl�ssico da
melancolia envolvendo colombinas sem cora��o e pierr�s abandonados at�
flagrantes do reencontro de fidalgos de escola de samba com a dura realidade
de um rel�gio de ponto. Passando por hist�rias de terror, como a da
mascarada misteriosa que, depois de tr�s dias de folia e amor, d� seu
endere�o para o havaiano apaixonado e ele descobre que o endere�o � um
cemit�rio.

Mas o carnaval mudou e a sua literatura tamb�m tem que mudar. Hoje, uma
hist�ria rom�ntica de carnaval poderia acabar com o pierr� e o arlequim se
consolando mutuamente, pois a colombina n�o ficou com nenhum dos dois e sim
com outra colombina, chamada Ferreira. Ou um Deus do Sol de carro aleg�rico
chegando no trabalho sem ter tido tempo de mudar de roupa e aproveitando a
pintura dourada e o esplendor chamejante para dominar uma reuni�o de
diretoria e impor a sua decis�o de demitir 300 funcion�rios, inclusive
alguns que desfilaram na escola junto com ele, pois as escolas est�o muito
democr�ticas e aceitam cada vez mais gr�-finos.

Como poderia ser uma hist�ria de terror de Quarta-Feira de Cinzas?

Havaiano e mascarada misteriosa, que veste a m�scara e pouca coisa mais,
conhecem-se no s�bado de carnaval e, na madrugada da quarta-feira, est�o num
motel, onde ele finalmente poder� fazer o que passou quatro dias dizendo que
queria fazer, beij�-la todinha, come�ando pelos l�bios, descendo pelo
pesco�o, chegando aos seios e...

- Meu Deus.

- O que foi?

- Acho que furei alguma coisa. Est� vazando.

- � o silicone.

- O que?

- O silicone! Foi na sua boca?

- Acho que sim. Por que, � venenoso?

- N�o sei. Acho que n�o, mas...

- Ai meu Deus.

- Voc� engoliu?

- Sim. N�o. N�o sei.

- Tinha que morder, tinha?

- Me descontrolei, p�. Um peit�o desses...

- Agora a culpa � minha...

- Voc� podia ter avisado.

- Avisado o qu�? N�o morde que espirra?

- Sei l�, eu... Ai, ai, ai.

- O qu�?

- Estou ficando tonto.

- Calma. Vamos para um hospital.

- Hein?

- Onde est� o seu sarongue?

- N�o sei, eu... Acho que estou ficando cego.

- � impress�o sua.

- Estou com taquicardia!

- E o meu peito est� murchando! Olha o que voc� fez!

- O qu�? Eu aqui morrendo e voc� preocupada com o seu peito?! Voc� tem outro
peito, eu s� tenho esta vida!

- Voc� n�o est� morrendo.

- Ah, n�o? N�o enxergo mais nada. Meu cora��o est� disparando. O silicone
chegou ao sistema nervoso!

- O silicone n�o tem esse efeito.

- Como � que voc� sabe? � como os transg�nicos: ningu�m sabe qual � o
efeito.

- Vamos para o hospital. Cad� o sarongue?

No carro, ela dirigindo, combinam o que v�o dizer no hospital. Poss�vel
ingest�o acidental de silicone l�quido. Como aconteceu?

- N�o fala no meu peito.

- Por que n�o?

- V�o querer examinar, e ele n�o est� apresent�vel. Vamos ter que inventar
uma hist�ria. Voc� tentou se matar.

- Engolindo silicone?

- N�o, tranq�ilizantes. Formicida. Qualquer coisa. Seja o que for, v�o fazer
uma lavagem no seu est�mago.

- Sabe que eu j� estou me sentindo melhor?

- E a cegueira?

- Est� passando.

- E a taquicardia?

- Passou.

Ela pede para ele lev�-la em casa. Ele estaciona o carro quando ela diz "�
aqui". O dia est� raiando. Ele come�a a mordiscar a sua orelha, depois beija
a sua boca, o seu pesco�o, e seus l�bios v�o descendo para beijar o outro
seio, o cheio.

- Cuidado - diz ela.

- Gosto de viver perigosamente - diz ele. Mas promete que n�o vai morder.

Ela afasta a cabe�a dele e diz que precisa estar em casa antes que o Sol se
levante. S� quando ela desce do carro � que ele se d� conta que est�o em
frente de um cemit�rio.

- Voc� mora... aqui?

- N�o, bobo diz ela. - Ali.

E aponta um edif�cio no outro lado da rua.

Os dois combinam se encontrar de novo assim que ela consertar o seio.

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