Os tempos, como os ventos, são de mudança. Na sequência dos constrangimentos 
orçamentais que nos últimos anos têm vindo a ser impostos às universidades 
portuguesas, chegando mesmo a por em causa a garantia de condições mínimas para 
um funcionamento digno, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra 
iniciou, no presente ano lectivo, um processo de migração lúcida e consistente 
para software SIG de código aberto. 

Numa conduta pioneira e, por isso arrojada, no ensino oficial de SIG a nível 
superior, este pequeno (grande) passo permitirá abrir novos horizontes no 
sentido da verdadeira democratização do ensino, sem amarras contratuais a 
licenças (aditivas) que perdem validade ao fim de um ano e convidam a 
renovações onerosas, e incontornáveis. 

Um "Ensino Livre" não faz sentido se não fizer apelo a Software Livre. E se 
existe, deveria ter força de Lei. Veja-se o exemplo vindo do Brasil ao nível do 
ensino superior e da administração territorial. Não é coincidência! Estamos 
perante um país que revela uma pujança económica assinalável que tem vindo a 
espantar o mundo, onde se impôs de modo regulamentado a utilização de software 
livre nas várias instâncias de ensino e utilização, das universidades às 
instituições que, directa ou indirectamente, intervêm na gestão e administração 
territorial. 

Se, nas primeiras, se formam os profissionais/técnicos, nas referidas 
instituições impôs-se o uso de software de código aberto, ou seja, um convite 
às próprias universidades para assim direccionarem e incentivarem a formação 
dos seus estudantes, com enormes vantagens para todos, inclusivé ao nível da 
redução de custos de funcionamento das universidades. 

Ao inciar um processo de migração de software SIG proprietário para gvSIG 
(software de código aberto) na leccionação da cadeira de Sistemas de Informação 
Geográfica, o exemplo do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da 
Universidade de Coimbra vem demonstrar que é possível "fazer igual, gastando 
muito menos". Ao mesmo tempo que se reduzem custos, ensinam-se a ética e 
deontologia de Bentham aos estudantes, ao desincentivar a instalação (ilícita) 
de software não genuíno, para além de ficar implícito  o convite às 
instituições ligadas à administração territorial  para acompanharem este 
processo, com vantagens evidentes. E se o exemplo, diz-se, vem de cima, pois 
que os futuros Professores e Técnicos de Geografia licenciados pela 
Universidade de Coimbra repliquem "n" vezes, estes valiosos ensinamentos nas 
instituições de ensino secundário portuguesas e outras instituições de 
potencial acolhimento dos referidos técnicos. Por um Ensino livre, de verdade!


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