Author: ari.constancio Date: Sat Aug 18 12:50:46 2007 New Revision: 1021 Log: convert to UTF-8
Modified: trunk/pt-pt/ch04.xml Modified: trunk/pt-pt/ch04.xml ============================================================================== --- trunk/pt-pt/ch04.xml (original) +++ trunk/pt-pt/ch04.xml Sat Aug 18 12:50:46 2007 @@ -1,96 +1,96 @@ <chapter id="social-infrastructure"> -<title>Infraestrutura Social e Pol�tica</title> +<title>Infraestrutura Social e Política</title> <simplesect> -<para>A primeira pergunta que as pessoas fazem sobre o software livre � -"Como funciona? O que � que move um projecto? Quem toma decis�es?" +<para>A primeira pergunta que as pessoas fazem sobre o software livre é +"Como funciona? O que é que move um projecto? Quem toma decisões?" Fico sempre insatizfeito com respostas prontas sobre meritocracia, o -esp�rito de coopera��o, o c�digo falar por si mesmo, etc. -O facto � que a quest�o n�o tem resposta f�cil. A meritocracia, a -coopera��o e a execu��o de c�digo fazem parte da resposta, mas n�o -explicam como � que os projectos s�o geridos no dia-a-dia e nada dizem -sobre como s�o resolvidos os conflitos.</para> - -<para>Este cap�tulo tenta mostrar as funda��es estruturais que os projectos -bem sucedidos t�m em comum. Digo "bem sucedidos" n�o s� em termos de -qualidade t�cnica, mas tamb�m sa�de operacional e sobreviv�ncia. -Sa�de operacional � a capacidade sustendada de um projecto incorporar novas -contribui��es de c�digo e novos programadores e ter capacidade de resposta -aos relat�rios de erros que entrem. Capacidade de sobreviv�ncia � a capacidade +espírito de cooperação, o código falar por si mesmo, etc. +O facto é que a questão não tem resposta fácil. A meritocracia, a +cooperação e a execução de código fazem parte da resposta, mas não +explicam como é que os projectos são geridos no dia-a-dia e nada dizem +sobre como são resolvidos os conflitos.</para> + +<para>Este capítulo tenta mostrar as fundações estruturais que os projectos +bem sucedidos têm em comum. Digo "bem sucedidos" não só em termos de +qualidade técnica, mas também saúde operacional e sobrevivência. +Saúde operacional é a capacidade sustendada de um projecto incorporar novas +contribuições de código e novos programadores e ter capacidade de resposta +aos relatórios de erros que entrem. Capacidade de sobrevivência é a capacidade de um projecto existir independentemente de qualquer participante individual ou sponsor; pense nisto como a probabilidade do projecto continuar mesmo que todos -os seus membros fundadores se mudarem para outras coisas. O sucesso t�cnico n�o -� dif�cil de alcan�ar, mas sem uma base de programadores e uma funda��o +os seus membros fundadores se mudarem para outras coisas. O sucesso técnico não +é difícil de alcançar, mas sem uma base de programadores e uma fundação social robustas, um projecto pode ser incapaz de tratar o crescimento que esse -sucesso inicial tr�s ou a partida de indiv�duos carism�ticos.</para> +sucesso inicial trás ou a partida de indivíduos carismáticos.</para> -<para>H� v�rias maneiras de alcan�ar este tipo de sucesso. Algumas envolvem uma -estrutura de governo formal, pela qual os debates s�o resolvidos, os novos -programadores s�o admitidos (e por vezes exclu�dos), novas caracter�sticas -s�o planeadas e assim sucessivamente. Outras envolvem uma estrutura menos -formal, mas maior auto-controlo, para produzir uma atmosfera de justi�a em -que as pessoas possam confiar como uma forma de governa��o <foreignphrase>de +<para>Há várias maneiras de alcançar este tipo de sucesso. Algumas envolvem uma +estrutura de governo formal, pela qual os debates são resolvidos, os novos +programadores são admitidos (e por vezes excluídos), novas características +são planeadas e assim sucessivamente. Outras envolvem uma estrutura menos +formal, mas maior auto-controlo, para produzir uma atmosfera de justiça em +que as pessoas possam confiar como uma forma de governação <foreignphrase>de facto</foreignphrase>. Ambos os caminhos levam ao mesmo resultado, perenidade -institucional, suportada por h�bitos e procedimentos bem compreendidos por -todos os participantes. Estas caracter�sticas s�o ainda mais importantes +institucional, suportada por hábitos e procedimentos bem compreendidos por +todos os participantes. Estas características são ainda mais importantes em sistemas auto-organizados do que em sistemas controlados centralmente, -porque em sistemas auto-organizados todos t�m consci�ncia que algumas ma�as +porque em sistemas auto-organizados todos têm consciência que algumas maças podres podem estragar toda a caixa, pelo menos durante algum tempo.</para> <sect1 id="forkability"> <title>Ramificabilidade</title> -<para>O ingrediente indispens�vel que serve de argamassa a que os programadores -se mantenham unidos num projecto de software livre e os leva a estarem dispon�veis -para o compromisso quando necess�rio � a <firstterm>ramificabilidade</firstterm>: a -capacidade de qualquer pessoa a partir de uma c�pia do c�digo fonte e usando-o como -base come�ar um projecto concorrente, conhecido como <firstterm>ramo (fork)</firstterm>. -A coisa paradoxal � que � esta <emphasis>possibilidade </emphasis> de ramos � -normalmente uma for�a muito maior nos projectos de software livre que os -ramos reais, os quais s�o muito raros. Porque um ramo � mau para toda a gente -(por raz�es explicadas em detalhe em +<para>O ingrediente indispensável que serve de argamassa a que os programadores +se mantenham unidos num projecto de software livre e os leva a estarem disponíveis +para o compromisso quando necessário é a <firstterm>ramificabilidade</firstterm>: a +capacidade de qualquer pessoa a partir de uma cópia do código fonte e usando-o como +base começar um projecto concorrente, conhecido como <firstterm>ramo (fork)</firstterm>. +A coisa paradoxal é que é esta <emphasis>possibilidade </emphasis> de ramos é +normalmente uma força muito maior nos projectos de software livre que os +ramos reais, os quais são muito raros. Porque um ramo é mau para toda a gente +(por razões explicadas em detalhe em <xref linkend="forks"/><phrase output="printed"> em <xref linkend="managing-volunteers"/></phrase>), quanto mais -s�ria uma amea�a de ramifica��o fica, mais as pessoas est�o dispostas a +séria uma ameaça de ramificação fica, mais as pessoas estão dispostas a efectuar um compromisso para a evitar.</para> -<para>Os ramos, ou o potencial para o seu surgimento melhor dizendo, � -a raz�i pela qual nos projectos de software livre n�o h� verdadeiros -ditadores. Pode parecer uma afirma��o surpreendente, tendo em conta a -frequ�ncia com que se ouve falar de "ditador" ou de "tirano" num dado -projecto de �open source�. Mas este tipo de tirania � especial, muito +<para>Os ramos, ou o potencial para o seu surgimento melhor dizendo, é +a razãi pela qual nos projectos de software livre não há verdadeiros +ditadores. Pode parecer uma afirmação surpreendente, tendo em conta a +frequência com que se ouve falar de "ditador" ou de "tirano" num dado +projecto de «open source». Mas este tipo de tirania é especial, muito diferente do significado convencional da palavra. Imagine um rei cujos subditos possam copiar o seu reino completo a qualquer momento e possam -mudar para a c�pia para governarem como acharem mais apropriado. Esse -rei n�o governaria de modo completamente diferente daquele ao qual os subditos -est�o sob tutela independentemente do que ele fa�a?</para> - -<para>� por esta raz�o que projectos que n�o t�m uma organiza��o formal -como democracias s�o, na pr�tica, democracias quando se chega ao momento -de tomar decis�es importantes. A replicabilidade implica a ramificabilidade; -a ramificabilidade implica o concenso. � perfeitamente poss�vel que se -deseje atribuir a um l�der (o exemplo mais famoso � o de Linus Torvalds no +mudar para a cópia para governarem como acharem mais apropriado. Esse +rei não governaria de modo completamente diferente daquele ao qual os subditos +estão sob tutela independentemente do que ele faça?</para> + +<para>É por esta razão que projectos que não têm uma organização formal +como democracias são, na prática, democracias quando se chega ao momento +de tomar decisões importantes. A replicabilidade implica a ramificabilidade; +a ramificabilidade implica o concenso. É perfeitamente possível que se +deseje atribuir a um líder (o exemplo mais famoso é o de Linus Torvalds no desenvolvimento do cerne do Linux), mas isso foi porque assim o -<emphasis>escolheram</emphasis>, de uma maneira n�o c�nica e n�o sinistra. -O ditador n�o tem uma m�o m�gica sobre o projecto. A propriedade chave de -todas as licen�as de �open source� � n�o darem a ningu�m mais poder do que a -qualquer outra entidade na decis�o de como o c�digo pode ser alterado ou -usado. Se o ditador come�ar de repente a tomar decis�es m�s, haver� uma paragem -de actividade, seguida eventualmente de uma revolta e uma ramifica��o. Claro -que isto normalmente n�o chega t�o longe porque o ditador faz um compromisso +<emphasis>escolheram</emphasis>, de uma maneira não cínica e não sinistra. +O ditador não tem uma mão mágica sobre o projecto. A propriedade chave de +todas as licenças de «open source» é não darem a ninguém mais poder do que a +qualquer outra entidade na decisão de como o código pode ser alterado ou +usado. Se o ditador começar de repente a tomar decisões más, haverá uma paragem +de actividade, seguida eventualmente de uma revolta e uma ramificação. Claro +que isto normalmente não chega tão longe porque o ditador faz um compromisso antes.</para> -<para>Mas s� porque a ramificabilidade coloca um limite m�ximo no poder que -uma pessoa pode exercer num projecto n�o quer com isto dizer que n�o haja -importantes diferen�as em como os projectos sejam governados. N�o quer que -cada decis�o venha at� � pergunta extrema de quem est� a pensar num ramo. +<para>Mas só porque a ramificabilidade coloca um limite máximo no poder que +uma pessoa pode exercer num projecto não quer com isto dizer que não haja +importantes diferenças em como os projectos sejam governados. Não quer que +cada decisão venha até à pergunta extrema de quem está a pensar num ramo. Isso seria cansativo muito rapidamente, retirando energia do trabalho -propriamente dito. As duas sec��es seguintes examinam maneiras diferentes de -organizar projectos de tal modo que a maior parte das decis�es sejam -adoptadam sem guerra. Estes dois exemplos s�o de algum modo extremos ideais; -v�rios projectos caiem no continuo entre ambos.</para> +propriamente dito. As duas secções seguintes examinam maneiras diferentes de +organizar projectos de tal modo que a maior parte das decisões sejam +adoptadam sem guerra. Estes dois exemplos são de algum modo extremos ideais; +vários projectos caiem no continuo entre ambos.</para> </sect1>
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