Nokia leva internet aos rincões do Brasil

Reuters


          Quarta-feira, 24 de setembro de 2008 - 15h31

SÃO PAULO - A Nokia Siemens começa nesta quarta-feira no Brasil um 
projeto piloto para levar telefonia e internet a regiões pouco ou nada 
atendidas por recursos de telecomunicações.

A iniciativa mundial faz parte da estratégia batizada de Village 
Connection e chega a dois municíipios do interior da Bahia com o nome de 
"Expedição Conectando o Brasil".

A empresa, que já promove testes na Índia e na Tanzânia, no continente 
africano, defende a adoção de um sistema auto-sustentável que seja fácil 
de implantar, de custo acessível para a população e barato para ser 
mantido.

Como explicou Mário Baumgarten, diretor de relações corporativas da 
Nokia Siemens, "a idéia é mostrar que alcançar o número de 5 bilhões de 
pessoas conectadas é possível".

Hoje existem por volta de 3,5 bilhões de pessoas com algum tipo de 
conexão à internet em todo o planeta, onde vive um contingente de 6,5 
bilhões de pessoas.

Com a iniciativa, a Nokia Siemens quer mostrar que é possível conectar 1 
bilhão de pessoas de regiões carentes do globo em um período como três 
anos.

De acordo com o executivo, depois da África e da Índia, a empresa 
decidiu demonstrar sua idéia no maior país da América Latina e, por 
isso, trouxe-o para o Brasil.

A companhia selecionou entre 20 e 30 cidades do país que tivessem entre 
3 mil e 10 mil pessoas e pouco ou nenhuma infra-estrutura de 
telecomunicações.

As cidades de Muniz Ferreira e de Cravolândia, ambas no interior da 
Bahia, foram selecionadas.

Como parceiras, a Nokia Siemens conseguiu a adesão da Oi, que obteve as 
licenças junto à Anatel, além da Nokia, que cedeu os aparelhos 
celulares, e as empresas Hughes e Intelsat, que integram a estação 
através do satélite.

De acordo com Baumgarten, um dos diferenciais é acomodar uma miniestação 
na tecnologia GSM nas dependências de uma pessoa, "sem a necessidade de 
construir uma infra-estrutura civil, que é um dos grandes vilões nos 
custos das operadoras", explicou.

Além disso, alguém da própria localidade é escolhido para gerir o 
serviço, sincronizado com uma operadora, mas sem que a tele tenha de 
estar com toda a estrutura montada na região.

A tecnologia GSM foi escolhida, segundo ele, por ser "a mais barata que 
existe" hoje, diante da sua massificação mundial.

Uma antena GSM e um microcomputador, instalados no veículo itinerante, 
gerenciam as ligações telefônicas nos aparelhos doados pela Nokia. O 
satélite e uma rede IP permitem a conexão à Internet, que é feita 
através de alguns notebooks instalados nas escolas públicas.

PREÇOS ENTRE 2 E 4 DÓLARES

Diante da capacidade de dispêndio da população envolvida, a Nokia 
Siemens afirma que o preço do serviço tem de ficar entre 2 e 4 dólares 
mensais, que é "o que sobra no mês para os gastos em telecomunicações" 
entre esse público.

Ele explica que "esse é um valor médio mundial, mas ainda não há um 
estudo detalhado para o Brasil", algo que eles esperam conseguir com os 
testes práticos.

O executivo afirma que, apesar dos pilotos organizados pela Nokia 
Siemens, iniciativas como essas dependem de políticas de governo porque 
"precisam de um certo carinho regulatório".

Ele citou que centrais de comunicação como essas não teriam como 
implantar um call center, por exemplo, e que as faturas aos clientes 
teriam de ser muito mais simplificadas que as tradicionais.

A Nokia Siemens já expôs a idéia ao Ministério das Comunicações e à 
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas espera que o exemplo 
prático do teste piloto possa gerar mais efeito.

-- 
Atenciosamente,

Horacio Belfort
www.ragio.com.br





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