A Seg, 2003-04-28 às 09:53, n...@udc.es escreveu:
> A Galiza é un país marabilloso.
> 
> Ó final, ¿vai ir alguén a esa táboa redonda ou non?
> Ainda que quizais non teña sentido ir, xa que o galego non é unha lingua
> minoritaria e polo tanto, o tema a tratar non tería nada que ver co galego,

a cousa essa intitula-se "A presencia e o futuro do galego no sector da
informática e as TIC".

é um bom tema. poderia pex falar-se sobre o tema esse de que depois de
quem "defende" a língua tê-la convertido voluntariamente numa língua
minoritária se peçam os mesmos privilégios que para línguas
maioritárias e/ou com prestigio, pex o catalão. ver pex o caso de "harry
potter e o galego".

um outro tema interessante é falar sobre o facto de ser uma língua
minorada neste território, cousa diferente de ser minoritária (nem na
Galiza nem no mundo). eu escrevi um artigo sobre isto, "Software libre e
linguas minorizadas" (em norma ILGa de la buena) ainda que quase nem
reparo em questões linguísticas, está em
[http://sindominio.net/~manuel/art/slelm/]. esse pode ser um bom ponto
de vista dum asturiano (que é aonde fora falar) ou dum catalão, ou dum
galego se tem algum plano de fazer pedagogia ressistencialista enquanto
apanha forças para botar um olho ao sul, ou à terra da samba.


> a non ser que alguén vaia por alí e llo conte, e de paso me conte a min que
> sentido tería seguir co trasno e con outras iniciativas que terían razón de 
> ser
> se o galego é unha lingua autónoma, (ou un dialecto como me ensinaban na época
> do Franco).

deve ser o caso esse, nem sei como se chama, de que porquê a geração
mais velha diz que é um dialecto a geração nova age ao contrário e diz
que é uma língua "de seu" ;)

(pronto pronto.. estava a brincar, como diz o assunto da mensagem O:))

a respeito do sentido de seguir com o Trasno, parece claro que para
muita gente faz sentido porque é uma língua autónoma. outra gente pex
pode considerar que se pode fazer se tem algum viso de sucesso (== que
ajuda a frear o avanço do castelhano e para além disso ajuda a que se
conheza o software livre), ou se pex se fazem planos para introduzir o
software livre nas escolas e assim se utiliza o "galego" maçiçamente, já
que na altura não é possível introduzi-lo com português padrão. outra
gente já está cansa e não faz rem. "há gente para tudo", já disse o
Fraga o outro dia.

se quiseres tb te conto como é que logo no começo do projecto pre-Trasno
que iniciei eu (por aí no ano '98) falei com gente do projecto
brasileiro de documentação, e como não chegamos a nada trasno apenas tem
documentação: ter documentação de software livre em "galego" não é
sustentável.


> En caso contrario existen polo menos dúas normativas diferentes no
> portugues que se poden empregar e cos que se pode colaborar (perdoade que lle
> chame portugues, e non galego, pero hai 247 millóns dos seus falantes que non 
> se
> identifican co galego, ainda que non sexa "normal").

tenho de repassar uma outra vez o parágrafo do Cintra? ainda me haveis
fazer parecer chato, mas é que ele já diz que são as cousas nacionais
as que impedem que seja normal.

por seguir brincando, igual então já que não se identificam eles como
galegos deviamos nós identificar-nos como falantes de português, é um
bocadinho mais singelo.

mas quê é o que se passa?

está o caso dos que se sentem súbditos com gosto do Reino e querem
portanto acabar com a língua (galego-)portuguesa na Espanha -e as
outras-, para terem uma, grande e livre: é claro o que se deve fazer,
fodê-la mas que não se veja muito, porque somos demócratas. assim pomos
aos jornalistas da telegaits com "acento culto" e já assim os que vêm
de Madrid mesmo lhes parece ouvir falar castelhano. passou-me nestas
férias passadas na casa. ou bom, se calhar podemos deixá-lo como
dialectos estranhos. "la tertulia con acento gallego", que dizem em
RadioVoz. tb gostei muito do "linux a la gallega" da página do glug,
com o pulpíto que não pode faltar [http://www.glug.es/]. somos una
colonia exótica y nos gusta.

está o caso dos que são súbditos mas querem ser cidadãos, aqueles que
utilizam o galego nas suas litúrgias políticas e utilizam castelhano
logo desligado o micro, por vezes mesmo tão logo que o fazem antes de
que desligue realmente. mas não se passa nada, "lo que cuenta es la
intención". sempre apoiam o galego quando um outro tem a ideia e já
nada mais. são cidadãos da Espanha e não de Portugal, portanto não
podem falar português. do ponto de vista de uma estadounidense: falar
inglês, igual do que na Inglaterra, seria de paletos. e já se sabe que
os portugueses algo porcos sempre foram. a frase mais socorrida é "A
Galiza não é Portugal" em versão "yo no soy portugués". os de Vigo é
que são os portugueses.

está depois o caso dos súbditos que querem ser cidadãos "ceives", sem a
solta no pé. então esses normalmente precisam de ter uma língua
nacional, à altura da sua pequena grande pátria também. os portugueses
chamam de espanhois aos galegos, e muitos vêm aqui a (tencionarem)
falar castelhano, é coisa louca! amiwitos sim, mas a vaquinha polo que
vale. portanto muito Galeuzca e nem se nos ocorra ter relações com
Portugal, a ver se tb nos vão chamar de cochos a nós. e já que estamos,
nada de galego-português nem sequer galaico-português para falar da
língua comum no século XV, devia chamar-se era "galego medieval"
(artigo da Pilar Garcia Negro há uns anos em A Nosa Terra, 3 folhas
completas para explicar a superioridade nominal galega).

e depois de tanta nacionalidade para um lado e para outro, está pex
minha mãe, que vendo o outro dia uma menina brasileira a falar num
documental sobre Brasil e o Lula, disse: "pois tens razão, a nena fala
igual ca/do-que nós". (eu não lhe dissera nada sobre a nena nem o
programa, só que sabe que sou um portuxolo recalcitrante desses desde
há bastante).

e a gente como o do jornal O Público (que vem a ser algo do género do
El País), numa editorial que infelizmente agora não é possível ver
on-line, que "traduze" assim a um galego a falar "na súa salsa":

        "Pedimos desculpa a Portugal pela merd... que lhe íamos mandar.
        Mas não foi o povo galego, foram os nossos políticos. Por isso
        pedimos desculpa". A frase de um galego à reportagem da RTP, no
        domingo passado, diz tudo. É preciso dizermos também que
        sentimos a tragédia da Galiza como se fosse a da nossa terra.

nem sequer respeitam o "-om" AGALista, estes portugas... :)

a seguir reencaminho a mensagem, porque embora já atrasada penso que
paga a pena ler.


(por certo: não há duas normativas, há 3: a de Portugal, a do Brasil, e a dos
acordos, nos que também participaram delegações galegas :P

eu não sei o que deveis fazer os "galegos", eu enquanto chairego "ceive"
da Terra Chã reivindico o direito para utilizar uma norma internacional
da minha língua para o conjunto de falas dialectais cruzadas que tenho,
e pronto.)


> Tamén hai outra opción, que se acerque por alí alguén dos que considera que o
> galego é o suficientemente autónomo como para que lle resulte de interese o
> movemento do software libre.

o software livre é interessante para qualquer pessoa "com dous dedos de
frente" e sem interesses em fomentar o contrário (pex Bill Gates tb deve
ter sentidinho, mas não lhe deve interessar).

o caso para as línguas "autónomas" (penso que não te referes a autónomas
polo de sermos Comunidad Autónoma, antes de um país marabilhoso :))  é
interessante (tem um *plus* de interesse) por duas cousas:

- caso de ser minoritárias, não se depende de interesses de empresas nem
de governos para ter software no teu idioma

- caso de minoradas e não minoritárias, para poder ter o software na
minha língua (gl_ES, pt_PT ou pt_BR -- e duas delas não as posso apanhar
em tendas com software proprietário, por serem de territórios
estrangeiros) ou para fazer planos de reintegração na variedade comum;
ou mesmo secesionar a língua da variedade comum, quer dizer, esgazar a
pola da árvore, e assim matar uma e debilitar a outra :)  afinal já
quase o tem conseguido o galeguismo folclórico, só temos de puxar por
ele um pouco mais e já alô foi.


bom, espero que fosse interessante. e não tomeis a mal as descrições e
todo o que disse, que quis exagerar um bocadinho, por iso de estar a
brincar ;b

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aburinho!!

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Manuel A. Fernández Montecelo <man...@sindominio.net>


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