CONVIVER COM OUTRAS CRIANÇAS
Francisco B. Assumpção Jr.

            A criança só convive com adultos e quando encontra outra 
criança, se assusta, chora e não brinca. O que fazer ?

 

            A criança, até aproximadamente 8 meses de idade, 
encontram-se em uma fase de desenvolvimento na qual não conseguem 
reconhecer, de modo adequado, as pessoas que a cercam, atribuindo o 
significado correto. Por essa razào, é muito fácil ouvirmos alguém 
falar que ela é "boazinha" uma vez que vai no colo e brinca com 
qualquer um que dela se aproxime.

            Entretanto, a partir dessa idade aproximadamente, ela 
adquire algumas características, dentro de seu processo de 
desenvolvimento que a fazem reconhecer, de maneira extremamente 
significativa, sua mãe, ou a pessoa que lhe dispensa cuidados.

            Somente a partir do segundo ano de vida é que essa 
criança passa a incorporar em seu universo, outros elementos da 
família, caracterizando aquilo que chamamos socialização familiar.

            Isso faz com que, nesse momento, ainda reaja, de modo 
desagradável,  pessoas estranhas que dela se aproximem.

            Quanto ao brincar, até por voltas dos 4 anos de idade, 
ela também tem  dificuldades em estabelecer padrões de jogo comunal, 
fazendo aquilo que é chamado de "brinquedo paralelo", ou seja, ela 
brinca ao lado da outra criança, sem no entanto, interagir com ela, 
e, muitas vezes, estranhando a sua participação e fazendo-a difícil 
em função de não ter condições de interagir nem de dividir seu 
material lúdico.

            Só a partir dos 6-7 anos de idade é que a criança vai 
poder participar, e estruturar, jogos de regras, que são aqueles que 
imaginamos quando pensamos em brincar.  Assim, jogar bola, ou 
quaisquer outros jogos, sómente serão levados a contento a partir 
dessa idade. Também os jogos de construção, tipo LEGO, são 
utilizados adequadamente a partir dessa idade. Por isso, não adianta 
se exigir  da criança, mais do que aquilo que ela tem condições de 
oferecer pelo seu desenvolvimento.

            Com um ano e três meses, seu filho provávelmente ainda 
tem dificuldades de incorporar outros elementos  adultos em seu 
universo, embora não os estranhe talvez pela convivência ou porque a 
aproximação deles é mais fácil. Entretanto, a aproximação de outras 
crianças é feita quase sempre, de maneira mais desajeitada, o 
que "assusta" e faz com que seu filho reaja.

            O contato gradativo e prazeiroso com as outras pessoas, 
inclusive crianças, é que fará com que ela se socialize de maneira 
adequada. Assim, não pode se perder a dimensão de que embora a mãe 
deva favorecer o desenvolvimento social da criança, esse é um papel 
predominantemente afetivo e não técnico. Assim, não existem receitas 
práticas. A única forma ainda capaz de proporcionar a seu filho uma 
adequação e um desenvolvimento razoáveis, é você cumprir com um 
papel, com o qual a espeçie humana tem familiaridade há mais de um 
milhão de anos. Simplesmente "ser mãe"!




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