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Assunto: [Rede Cultura Infância] O preconceito racial na escola por Rosely
Sayão

 

O preconceito racial na escola

Uma amiga, que trabalha em escola particular, contou-me um fato que
considerei importante. O filho, de seis anos e que cursa o primeiro ano do
ensino fundamental, disse a ela que não queria mais ser negro. Quando a mãe
perguntou o motivo, ele imediatamente respondeu que, sendo o único aluno
negro na escola, era diferente de todos os outros e isso o incomodava.

Basta um olhar para constatar que as escolas particulares recebem poucos
alunos negros. Mas, a questão vai além: parece-me que poucas tratam com
cuidado as questões do preconceito racial, ainda presente em pleno século
XXI. Algumas escolas particulares não têm um único aluno negro, mas isso não
é motivo para não tratar da questão, não é verdade? Afinal, esse é um tema
de nossa sociedade e não é compreensível que a educação para a cidadania não
contemple esse item nos trabalhos escolares.

Sugeri a essa amiga a leitura, para o filho, de um conto de Mario de Andrade
chamado “Será o Benedito”, lançado recentemente pela editora Cosac Naif. Os
livros dessa editora são muito bem cuidados e esse, em especial, apresenta
ilustrações muito interessantes. De forma bem resumida, o conto apresenta a
relação de estreita camaradagem entre duas pessoas muito diferentes: um
homem branco da cidade e um garoto negro do campo.

Ela leu para o filho e as conversas que a história rendeu entre ambos foram
muito boas. Ela teve a idéia, então, de sugerir a leitura para alguns
professores da escola. Assim, sem grandes pretensões, pelo menos alguns
deles irão criar para seus alunos a oportunidade de trabalhar, por meio do
conhecimento, o preconceito racial.

Crianças usam com freqüência características da aparência dos colegas para
humilhar e ofender. Desse modo, palavras como “baleia”, “cabeça de fogo”,
“zarolho”, entre outras, são usadas como xingamento. A criança ainda não tem
consciência das conseqüências que essa atitude pode provocar. 

Isso exige da parte dos professores um trabalho cuidadoso de formação dos
alunos, inclusive moral.  A escola que seu filho freqüenta trabalha o tema
do preconceito racial? De que maneiras? Quais as estratégias utilizadas? O
tema é abordado transversalmente? O conhecimento de que dispomos a respeito
é valorizado e trabalhado com os alunos?
Essas são perguntas bem pertinentes que os pais podem fazer às escolas.
Afinal, se queremos um mundo menos violento e intolerante, precisamos
ensinar aos mais novos o respeito às diferenças e a defesa intransigente da
justiça.

Semana passada, os jornais trouxeram muitas notícias a respeito da situação
dos negros do Brasil na atualidade por conta da data comemorativa de 13 de
maio. Será que as escolas fizeram o mesmo? Pergunte ao seu filho se alguma
atividade importante relacionada ao fato foi proposta e estabeleça com ele
um diálogo a respeito; fatos do cotidiano sempre permitem isso.

O filho dessa amiga, por exemplo, observou que a maioria dos adultos e
crianças que ficam nas esquinas pedindo esmola é negra e pediu explicações
sobre sua observação. Se ouvirmos bem o que as crianças dizem, percebemos
que elas pedem recursos para ler e interpretar melhor o mundo. Será que
atendemos a esse pedido?

 

Escrito por Rosely Sayão 

Linque: http://blogdarosely <http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/>
sayao.blog.uol.com.br/

 

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