Ivan Rocha escreveu isso aí:
> Eu acho que empresas são empresas. Se for mais lucrativo ela trabalhar com
> tal coisa, ela vai trabalhar com tal coisa.
> Se o mercado muda, ela vai procurar aquilo que esteja com notável
> crescimento para permanecer lucrando.
> Já pensou se um dia ela abre o código do Windows? (Eu sei que é praticamente
> impossível ... mas imagine como seria a situação).
> Para quem é da comunidade e apenas a favor do SL continuará na mesma.
> Mas para quem tem uma certa richa com a empresa, isto representaria um
> grande baque.
> 
> Quanto ao novo interesse da Microsoft em patrocinar eventos de SL, não vejo
> problema. Empresas mudam de rumo sempre que encontram algo que possa ser
> interessante para sua sobrevivência no mercado. Quanto a aceitarem o
> patrocínio, é bom lembrar que estamos no Brasil. Como diz um antigo ditado,
> sempre podemos tirar o bom das piores situações, é só espremer um pouco.

Eu acho que é perigoso enxergar empresas de uma forma tão pragmática. De
fato, empresas têm um único objetivo: obter lucro.  Acontece que na
perseguição desse objetivo empresas como a Microsoft usam como
ferramenta mentira e corrupção. E essas ferramentas são prejudiciais à
*sociedade*.

A Microsoft financia institutos de pesquisa de mentira para produzir
relatórios a favor de seus produtos. A Microsoft paga a eventos de
software livre pra dar seu recado de forma unilateral se negando a
debater abertamente ("é política da empresa"). A Microsoft financia
testas de ferro para promover pseudo-debates filtrados em eventos que
nunca aceitariam o dinheiro dela, mas que historicamente sempre
convidaram representantes seus para fazer debates abertos.

Sim, o objetivo de toda empresa é o lucro. Mas algumas farão coisas que
não são aceitáveis pra alcançar esse objetivo, e nós enquanto sociedade
não podemos achar isso normal. Aceitar dinheiro da Microsoft para
eventos de software livre é desconsiderar o quanto a Microsoft investe para
desqualificar o software livre com *mentiras* em troca de uma vantagem
financeira imediata; aceitar dinheiro da Microsoft é participar da
estratégia anti-software livre da empresa.


Eu não quero julgar a organização do ENSL pelos meus valores, mas pra
mim, coerência vale muito mais do que dinheiro. 

> Uma coisa interessante a se fazer é convocar os membros da empresa para uma
> mes-redonda, uma conversa, perguntar quais suas pretensões, e colocá-los
> contra a parede: "E aí? Qual o seu propósito, o que que vc faz aqui?"

A Microsoft não participa de debate. Não de debate de verdade.

-- 
Antonio Terceiro <[EMAIL PROTECTED]>
http://people.softwarelivre.org/~terceiro/
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