Silvio Palmieri escreveu isso aí:
> É certo que a MS tem um poder de barganha e marketing infinitamente 
> maior que as empresas que vivem de SL. E com ela temos muito o que 
> aprender, enquanto o mundo do SL for visto pelas empresas, pelo mercado 
> como um "bando de doidos", hackers, nerds, radicais, "xiitas" e tantas 
> outras denominações, não vamos conseguir passar a sensação de segurança 
> necessária para fazer com que o empresário/contratante deixe o mundo 
> proprietário e passe para o mundo livre.
> 
> A questão da marginalização das pessoas em função de sua aparência é 
> muito grande em qualquer país, quando duas pessoas bate m em sua porta 
> para te oferecer algo, a quem dar mais crédito? Aquele que se apresenta 
> em trajes "perfeitos" ou naquele que vai de sandalia, bermuda, cuecão 
> aparecendo, correntes por todos os lados, tatuagens?
> 
> Cara eu tenho tatuagem e por mais discreta que ela seja, já sofri
> preconceito quanto a isso, por que você ache que os missionários só
> andam por ai de camisa, impecavelmente branca, calças sociais, sapatos
> brilhando, corte de cabelo perfeito? Já viu os evangélicos? Sabe por
> que? Porque a imagem transmite segurança, necessária para atrair e
> manter por perto. É neste sentido que falo que temos que aprender com
> os outros, incluo ai também a MS.

Isso do que você está reclamando é fruto de uma sociedade que encara as
empresas e "o mercado" como o padrão a ser seguido. No "mercado" imagem
é tudo.

Eu estou no software livre exatamente pra tentar fazer a minha parte e
ajudar a mudar isso. Porquê no software livre *imagem não é nada*, o que
vale é o *trabalho*.

Se as pessoas sofrem preconceitos, eu não vou ajudá-las a mudarem ou a
se aproximarem do "padrão" pra não sofrerem mais preconceitos. Eu vou
tentar fazer a minha parte pra que a sociedade entenda que o preconceito
é uma merda.

> Quando decidimos que lançaríamos o Plano de Captação no mercado,
> conversamos sobre os tipos de empresas que teríamos como
> patrocinadores, e decidimos não ter restrições, desde que não fosse
> financiamento ilegal, não iriamos restringir quem quer que fosse, pois
> se o software é livre e a mente proprietária, então por quer tornar o
> evento restrito a apenas ao nosso interesse? Não seria incoerência
> pregar a liberdade e restringir o acesso de quem quer que seja?

Não seria incoerência abrir espaço pra quem trabalha diariamente
*contra* a liberdade?

E não estou falando de fazer software proprietário. Muitas empresas
fazem software proprietário porquê nasceram num contexto onde esse era o
"padrão do mercado" e seus dirigentes -- coitados -- não acreditam que
elas são capazes de se adaptar ao novo.

Eu estou falando de empresas que fazem de tudo pra desqualificar o
software livre.

> Quando conversei com o pessoal da MS, uma das primeiras coisas que foi 
> colocado era se nós iriamos colocar o nome deles no ar. Ao procurar sabe
> o porque da pergunta, nos foi dito que muitos tem recebido e não tem 
> assumido.

Desconheço casos desse, até porquê eu não costumo conversar com pessoas
da Microsoft. Não que elas sejam más pessoas por trabalharem na
Microsoft, mas porquê não tenho relações com a empresa.

> E pra citar um caso pior, o FISL já recebeu sim dinheiro da 
> MS. Há recebeu indiretamente? Ué, quer dizer então que os defensores 
> mais extremistas do SL aceita receber dinheiro indiretamente, mas não 
> diretamente e dar a cara a tapa na comunidade? Fazendo um paralelo, 
> seria algo como: Você não aceita dinheiro de um senador, mas aceita que 
> uma construtora pague seu evento, passagens e hospedagem? Isso não seria
> mais incoerente, para não dizer hipócrita mesmo?

Você está *MENTINDO*.

Sendo bem claro:

A Microsoft usou a InfomediaTV, uma empresa que produzia um programa
sobre TI, como testa-de-ferro. A InfomediaTV assinou um contrato de
patrocínio ao FISL com a ASL e *dias antes do evento* anunciou que
haveriam "debates" com a Microsoft no seu estande.

A organização do FISL convidou a Microsoft para debates abertos
incontáveis vezes, e esses convites foram recusados enquando a Microsoft
não sentiu de verdade que o software livre poderia ser uma ameaça ao
mercado dela. Quando isso se tornou realidade, ela não procurou a
organização, mas usou uma empresa que tinha alguma credibilidade com a
comunidade pra entrar pela porta dos fundos, e aí usar todo a sua
influência na mídia pra posar de "aberta ao debate", de "amiga da
interoperabilidade".

Desde então a organização do FISL percebeu que deve ter no contrato de
patrocínio uma cláusula que diga que a organização do evento precisa
aprovar eventuais programações paralelas que ocorram nos estandes de
patrocinadores.

A organização do FISL, da qual eu fazia parte, pagou o preço da
ingenuidade de acreditar em "amizade" vinda de empresas.

[...]
> Você sabe quem você é? Sabes o que queres? Eu sei quem sou. Sei o que 
> quero. Não será a falta de dialogo, nem a presença de quem quer que seja
> em um mesmo ambiente que ira me influenciar, pois EU uso rosa.

"Eu" não estou em discussão.

Estamos discutindo que sociedade (e não que mercado) queremos. Se é uma
sociedade que tem princípios ou se é uma sociedade onde vale tudo por um
lugar à sombra.

> Saudações a todos e sucesso nesse desafio que vocês tem nas mão agora, 
> até breve.

Não se preocupe, vai dar certo. Como sempre, sem grana da Microsoft.

-- 
Antonio Terceiro <[EMAIL PROTECTED]>
http://people.softwarelivre.org/~terceiro/
GnuPG ID: 0F9CB28F


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