Oi Eduardo,

[EMAIL PROTECTED] escreveu isso aí:
> Boa Tarde tripulação!
> 
> Sou novato nesta lista mas estou procurando ler o material disponível  
> para sincronizar a navegação.
> 
> Mas quero arriscar a fazer algumas considerações, que embora possam  
> não ser novidade me parecem pertinentes ao contexto atual que percebo  
> do software livre na Bahia e no Brasil.
> 
> Acredito que o rumo principal que deve ser seguido pelo movimento é  
> dado pelas "Liberdades" do software, da tecnologia, da economia e da  
> democracia.
> 
> Assim entendo que o problema não é fazer convênio com a multinacional  
> e sim todas as partes deste processo que ferem as "Liberdades". Senão  
> vejamos:
> 
> -Liberdade de discutir antes de fazer uma vez que se trata de recurso  
> público e principalmente com a finalidade de "atender" ao público;
> 
> -Liberdade de divulgação de todos os detalhes do processo, algo que se  
> perde em meio a neblina de diversas reações;

[...]

> -Liberdade da multinacional de ajudar um país em desenvolvimento desde  
> que respeitadas as "Liberdades", o próprio software livre tem recebido  
> ajuda de multinacionais que produzem software proprietário mas que  
> respeitam as Licenças Livres, que por sua vez repeitam as "Liberdades";

Não existe qualquer intenção de ajudar. A Microsoft está desesperada e
quer formar base de usuários a qualquer custo, isso sim.

> -Liberdade do público julgar e escolher entre software livre e  
> proprietário dentro dos critérios que cada um considere conveniente  
> tendo amplo acesso a todos os argumentos a favor e contra cada uma das  
> opções; Aqui cabe comentar que ironizar o software proprietário ou  
> suas estratégias de venda de diversas formas  , como por exemplo  
> chamando-o de droga é subestimar o concorrente, o cliente e dar  
> munição ao inimigo;

O ponto é que a Microsoft atua nestes acordos com a prática do
traficante, literalmente: primeiro ela dá licenças de graça, pra formar
base de usuários. Amanhã esses usuários serão professores, empresários,
engenheiros, ..., e irão consumir os produtos que eles conhecem, que são
quais?

A frase que o próprio Gates largou, que está no rodapé do cartaz, diz tudo:

    "Apesar de cerca de 3 milhões de computadores serem vendidos a cada
    ano na China, as pessoas não pagam pelo software. Algum dia eles
    pagarão, no entanto. Já que eles vão roubá-lo, nós queremos que eles
    roubem o nosso.  Eles se tornarão como que viciados, e então, de
    alguma forma, nós descobriremos como cobrar por ele em algum momento
    da próxima década."

    (Bill Gates, em 20 de Julho de 1998)

Ao concordar com essas intenções e fazer um acordo prevendo que isse
seja implementado, o governo está privilegiando um fornecedor de 
produtos que têm similares [*], e isso é ilegal.

[*] desenvolvedores de software livre, não se ofendam com a comparação.

> Liberdade do Poder Público escolher entre software livre e software  
> privado desde que respeite todas as "Liberdades" do público a quem  
> serve, com a obrigação neste caso de considerações de curto, médio e  
> longo prazos,

Na pior das hipóteses, o governo tem a obrigação de ao menos oferecer
opções à população. Não vale destinar recursos públicos para promoção de
produtos cujo monopólio é de uma empresa multinacional (até porque isso
é ilegal), e muito menos ter nenhuma política de real desenvolvimento de
tecnologia. Definitivamente eu não desejo que o Brasil seja a próxima
Índia.

> Bem, para um marujo novato nestes mares acho que já fiz muita água!
> 
> Agradeço a atenção e espero contribuir mais e de diversas formas para  
> as "Liberdades".

Porquê você usa "liberdades" entre aspas?

-- 
Antonio Terceiro <[EMAIL PROTECTED]>
http://people.softwarelivre.org/~terceiro/
GnuPG ID: 0F9CB28F


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