É em cima de visões como a do autor do texto que empresas como a Red Hat se
dão bem. A Red Hat, se não me engano, dá garantias.

Abraços,

Galdir Damasceno
Informático - Analista de Suporte
Backup, Segurança da Informação, Administração de Estações de Trabalho e
Servidores


2008/10/9 Helton Dória <[EMAIL PROTECTED]>

> Anderson,
>
> Acho que é pra levar a sério sim. Por mais absurdo que o texto possa soar,
> esse é um tipo de visão ignorante que só tende a se perpetuar se pessoas
> mais esclarecidas não se derem ao trabalho de contestar o que foi dito. Como
> o texto é muito longo, acho que vou responder em um conjunto de posts e
> gostaria que os colegas ajudassem nos pontos em a coisa não fique muito
> clara ou haja alguma imprecisão. Minha próxima mensagem nessa thread já será
> com comentários sobre os pontos do texto.
>
> []'s
>
> Helton
>
> 2008/10/9 Anderson Marques Ferraz <[EMAIL PROTECTED]>
>
> É pra levar a sério?
>>
>> 2008/10/9 Eduardo Júnior <[EMAIL PROTECTED]>
>>
>>>
>>> Olá, lista
>>>
>>> li um e-mail na lista linux-br [1] com o seguinte tema:
>>> As contradições do Open Source
>>>
>>> A mensagem é antiga, mas vou postar aqui pra abrir discussão a respeito,
>>> pois os poucos que lá
>>> responderam, mostraram apenas indignação e não rebateram os pontos do
>>> texto com argumentos e
>>> também queria esclarecer alguns pontos que hoje pra mim não estão claros.
>>>
>>> ----
>>>
>>> As contradições do Open Source
>>>
>>>
>>>
>>> Por Mauro Sant'Anna
>>>
>>> Durante os últimos trinta anos surgiu, a partir do zero, todo um novo ramo
>>> da economia que simplesmente não existia antes: o ramo de software. Os
>>> Estados Unidos são sem dúvidas os líderes do setor, mas mesmo assim o Brasil
>>>
>>>
>>>
>>> tem bastante o que comemorar: segundo a FIPE são 300 mil empregos diretos,
>>> com salários três vezes maiores que a média da economia. O setor também
>>> contribui para a sociedade diretamente: o governo arrecada 45% em taxas,
>>>
>>>
>>>
>>> contra 25% da média da economia, isso para não falar dos ganhos de
>>> produtividade que o uso do software traz para outros setores. Estes números
>>> não incluem os empregos em empresas cuja atividade principal não seja o
>>>
>>>
>>>
>>> software, como por exemplo, os bancos, apesar dos bancos serem hoje um
>>> grande "bureau" de processamento de dados, pois é cada vez mais difícil
>>> separar o produto bancário do produto de software.
>>>
>>> O grande crescimento, aliado aos salários mais altos, atraiu uma grande
>>>
>>>
>>>
>>> quantidade de jovens para o setor. Prova disso é a grande quantidade de
>>> cursos superiores de análise de sistemas, bacharel em ciências da computação
>>> e outros que surgiram nos últimos anos.
>>>
>>> O país possui hoje diversas empresas genuinamente brasileiras em posições de
>>>
>>>
>>>
>>> liderança no mercado, especialmente em softwares de ERP e contabilidade.
>>>
>>> O ramo de software inclui produtos criados para diversas plataformas e
>>> sistemas operacionais. É sempre mais fácil lembrar do Windows, dada a sua
>>>
>>>
>>>
>>> liderança no mercado de estações de trabalho e seu recente crescimento no
>>> lado do servidor, mas existem também muitas empresas que faturam com
>>> software em outros sistemas operacionais, como por exemplo, as diversas
>>>
>>>
>>>
>>> variantes de Unix e os mainframes.
>>>
>>> Diferentes Licenças
>>>
>>> Ao longo dos anos desenvolveram-se diversas formas de licenciamento. Por
>>> exemplo, o cliente podia comprar uma "caixinha" e usá-la em apenas um micro.
>>>
>>>
>>>
>>> Ou podia comprar certo número de licenças em função do número de pessoas na
>>> empresa que usariam o produto. Ou um contrato "site", com número ilimitado
>>> de licenças. Estas licenças podiam ser perpétuas ou por um período de tempo
>>>
>>>
>>>
>>> limitado. Podiam contemplar ou não uma "manutenção" com direito a ajustes
>>> e/ou "upgrades".
>>>
>>> O acesso ao código fonte também variava conforme a licença: algumas o
>>> permitiam outras não. Eu mesmo trabalhei na década de oitenta com Turbo
>>>
>>>
>>>
>>> Pascal e produtos da Turbo Power Software que vinham com fonte, embora o
>>> fonte não se tornasse de minha propriedade. Na época a IBM também permitia
>>> acesso ao fonte de muitos de seus produtos e lembro-me de examinar fontes de
>>>
>>>
>>>
>>> um sistema de entrada de dados em Assembly 370 que era não só licenciado mas
>>> também alterado pelo banco no qual eu trabalhava.
>>>
>>> As formas de distribuição também variavam muito, desde caixas compradas em
>>> lojas até licenças compradas de vendedores, de maneira semelhante a outras
>>>
>>>
>>>
>>> mercadorias. Também nos anos oitenta se popularizou uma fórmula de
>>> distribuição exclusiva do software, o "shareware", muito popular até hoje.
>>> No shareware você podia copiar indiscriminadamente um produto de software,
>>>
>>>
>>>
>>> usualmente com alguma restrição, e comprá-lo caso desejasse.
>>>
>>> É justo dizer que todo o crescimento que tivemos neste novo ramo deveu-se à
>>> possibilidade das empresas cobrarem - de alguma forma - pelas licenças de
>>>
>>>
>>>
>>> uso.
>>>
>>> Open Source
>>>
>>> Em 1989, o Sr. Richard Stallman, já então bastante envolvido com algo que
>>> iria chamar-se no futuro "software livre" criou um tipo de licença de
>>> software que chamou "copyleft", mas que hoje é mais conhecida como "open
>>>
>>>
>>>
>>> source" (*). A licença deste tipo mais conhecida é a "GNU General Public
>>> License". Este tipo de licença se caracteriza principalmente pelo seguinte:
>>> você deve incluir o fonte do seu produto, deve permitir modificações e - o
>>>
>>>
>>>
>>> principal - qualquer um que inclua qualquer fragmento do seu software é
>>> obrigado a incluir a totalidade dos fontes do próprio produto, mesmo aquele
>>> que foi desenvolvido depois.
>>>
>>> Note, o que caracteriza o Open Source não é nem o acesso aos fontes, nem a
>>>
>>>
>>>
>>> permissão de modificações, nem o baixo preço. Estas características sempre
>>> existiram anteriormente. Existem hoje licenças bastante conhecidas que
>>> satisfazem estes quesitos, como a do "BSD Unix", e que não são Open Source.
>>>
>>>
>>>
>>> A principal característica do Open Source é que ele "contamina" qualquer
>>> software que use código Open Source, transformando-o automaticamente em Open
>>> Source.
>>>
>>> Para os usuários, o Open Source parece, a princípio, caído do céu: o
>>>
>>>
>>>
>>> software não apenas pode ser copiado à vontade e por isso efetivamente
>>> gratuito, como também na medida em que os desenvolvedores usem trechos de
>>> código Open Source, todo software se tornará Open Source. Passado algum
>>>
>>>
>>>
>>> tempo, todo software existente na Humanidade seria gratuito! Na verdade a
>>> estória não é tão rósea para os usuários, como veremos a seguir.
>>>
>>> Mas vamos falar primeiro dos desenvolvedores de software. Como eles
>>>
>>>
>>> sobreviverão se não puderem vender seus produtos e cobrar algum tipo de
>>>
>>> licença, como tem feito usualmente, em um modelo de negócio provado e que
>>> funciona?
>>>
>>> Sobrevivendo ao Open Source
>>>
>>> A "linha do partido" é que os desenvolvedores inicialmente terão a
>>> satisfação de contribuir para o bem comum e também divulgar seu nome como um
>>>
>>>
>>>
>>> bom desenvolvedor. Bem, e os desenvolvedores que tiverem necessidades mais
>>> imediatas como pagar aluguel, mandar os filhos para a escola e cumprirem
>>> outras obrigações mais "mundanas"? Ainda segundo a "linha do partido", estes
>>>
>>>
>>>
>>> desenvolvedores poderão ganhar dinheiro vendendo suporte técnico, cursos e
>>> implantação do próprio produto de software "Open Source" que tenham
>>> desenvolvido.
>>>
>>> Mesmo sem entrar no mérito de que o tal desenvolvedor teria grande interesse
>>>
>>>
>>>
>>> em fazer um software ruim para aumentar sua receita em serviços (criar
>>> dificuldades para vender facilidades), tal esquema é intrinsecamente
>>> inviável. Vejamos: João desenvolveu o software originalmente e tem que
>>>
>>>
>>> recuperar o gasto inicial de desenvolvimento em serviços. Já Antonio é
>>>
>>> igualmente capaz a João do ponto de vista técnico, mas é um pouco mais
>>> esperto como negociante. Ao invés de se preocupar desenvolvendo o software,
>>> Antonio resolve apenas examinar o produto já desenvolvido por João e vender
>>>
>>>
>>>
>>> os mesmos serviços. Antonio pode vender os serviços mais barato, porque não
>>> tem que recuperar o gasto como desenvolvimento! Na verdade, gastar dinheiro
>>> com o desenvolvimento automaticamente tira a sua competitividade como
>>>
>>>
>>>
>>> fornecedor dos serviços subseqüentes!
>>>
>>> No ramo do Open Source, o bom é pegar carona em alguma coisa que outras
>>> pessoas tenham feito, mas fazer coisas novas é uma fria.
>>>
>>> Efetivamente, a maioria das "estórias de sucesso" com o uso de Open Source
>>>
>>>
>>>
>>> que eu ouço é de "caronistas" que estão usando de graça algo para o qual em
>>> nada contribuíram. Open Source no software do outro é refresco. Embora
>>> momentaneamente possa haver benefícios, principalmente se o "incauto" que
>>>
>>>
>>>
>>> desenvolveu o software originalmente foi alguma universidade estrangeira,
>>> este não é um modelo que se sustente por muito tempo, já que não há
>>> incentivo econômico para desenvolver software novo.
>>>
>>> Curiosamente, várias empresas brasileiras e estrangeiras que promovem o
>>>
>>>
>>>
>>> Linux e se beneficiam da "boa vontade" que existe em volta desta "nobre
>>> causa", na verdade sobrevivem vendendo software comercial fechado e nada
>>> Open Source. Faça como eu digo, mas não faça como eu faço! Em alguns casos
>>>
>>>
>>>
>>> existem até fortes suspeitas que algumas destas empresas violaram os termos
>>> das próprias licenças "GNU" ao "fecharem" software que originalmente era
>>> aberto. Isto é um crime que compensa, pois a própria falta de identidade
>>>
>>>
>>>
>>> jurídica dos programas Open Source (quem é o dono?) significa que não há
>>> ninguém para processá-lo, se é que alguém que trabalha de graça teria
>>> dinheiro para processar os outros. E mesmo que tal processo fosse movido e
>>>
>>>
>>>
>>> ganho pelo "licenciador", qual seria a pena por "roubar" algo gratuito? Isso
>>> é um verdadeiro "buraco negro" legal.
>>>
>>> E os usuários?
>>>
>>> Os usuários estarão amarrando os seus negócios (não de software e sim de
>>>
>>>
>>>
>>> outra atividade como manufatura ou comércio) em uma base frágil e que pode
>>> trazer diversas surpresas desagradáveis no futuro.
>>>
>>> Suponha que o software corresponda a uma pequena fatia do gasto das
>>> empresas, algo como 2%. Se o seu negócio perder a produtividade na atividade
>>>
>>>
>>>
>>> fim por causa desta pequena suposta economia, você já fez um mau negócio,
>>> mesmo que o Open Source seja rigorosamente gratuito.
>>>
>>> O Open Source não é gratuito porque mesmo que você use 100% de software Open
>>> Source. Ele ainda exige serviços de implantação e manutenção, usando muitas
>>>
>>>
>>>
>>> vezes ferramentas sem coesão e conseqüentemente de baixa produtividade,
>>> porque feitas por equipes diferentes com pouca coordenação e regras. Na
>>> verdade existem estudos que apontam o custo total de uso Open Source como
>>>
>>>
>>>
>>> sendo maior que o do software comercial, se você incluir gastos como
>>> implantação, suporte e treinamento.
>>>
>>> Outro grande problema é: "Quem dá garantia?" Assim como não há ninguém para
>>> processá-lo, não há ninguém para quem reclamar. Não há garantia quanto à
>>>
>>>
>>>
>>> continuidade do funcionamento, quanto ao conserto de eventuais defeitos,
>>> quanto à adaptação a novos hardwares, quanto à compatibilidade com outros
>>> produtos nem quanto a não-violação de licenças ou patentes de terceiros. Não
>>>
>>>
>>>
>>> há um processo claro quanto à participação em órgãos de classe nem de
>>> licenciamento de tecnologias específicas. Isso lembra um idealista do "amor
>>> livre" que não preveja o que deve ser feito com as crianças que acabarem
>>>
>>>
>>>
>>> inevitavelmente nascendo.
>>>
>>> Nos últimos anos a sociedade Brasileira criou diversas leis e práticas como
>>> o Código de Defesa do Consumidor que visam exatamente dar garantias aos
>>> consumidores. O Open Source vai na contra-mão desta tendência, removendo as
>>>
>>>
>>>
>>> garantias dos produtos.
>>>
>>> Os milhões de olhos
>>>
>>> Um outro mito que ronda o Open Source é que ele tem melhor qualidade e é
>>> intrinsecamente mais seguro porque existem milhões de olhos revendo o
>>> software e pegando qualquer erro, já que o fonte sempre está disponível.
>>>
>>>
>>>
>>> Evidentemente muitos usuários poderão preferir pagar algum dinheiro e depois
>>> ter a quem reclamar do que ficar com esta efêmera "garantia dos milhões de
>>> olhos". Mesmo esta "garantia dos milhões de olhos" não é verdadeira por
>>>
>>>
>>>
>>> vários motivos. O primeiro é que a maioria das pessoas simplesmente não quer
>>> saber de examinar fonte nenhum. Outro é que a proliferação da quantidade de
>>> versões e distribuições torna esta revisão simplesmente impossível: não dá
>>>
>>>
>>>
>>> para rever todas as combinações e interações possíveis entre os vários
>>> produto e versões.
>>>
>>> Na verdade, a quantidade de olhos nem é tão grande assim. Um estudo recente
>>> de Stephen R. Schach da Universidade Vanderbilt prova que mais de 80% das
>>>
>>>
>>>
>>> modificações introduzidas em projetos Open Source como Gnome e Mozilla foram
>>> feitas por um pequeno grupo de desenvolvedores. Pior, ele prova que o número
>>> de variáveis globais presentes em versões de Linux cresce exponencialmente,
>>>
>>>
>>>
>>> enquanto o número de linhas cresce linearmente. O Linux caminha a passos
>>> largos para ser de manutenção impossível.
>>>
>>> Conclusão
>>>
>>> As promessas do Open Source de um mundo onde o todo o software é grátis soa
>>>
>>>
>>>
>>> como uma agradável utopia para alguns. Mas não é um modelo de negócio
>>> estável e capaz de se perpetuar e trazer avanços ao setor. Muito pelo
>>> contrário, caso o Open Source seja indiscriminadamente usado, o setor de
>>>
>>>
>>>
>>> software simplesmente entrará em colapso e deixará de existir, deixando os
>>> usuários à mercê de alguns "programadores beneméritos" que desenvolverão o
>>> que quiserem, quando quiserem e se quiserem.
>>>
>>> Nem o ramo de software nem a sociedade como um todo estarão bem servidas com
>>>
>>>
>>>
>>> o uso indiscriminado do Open Source.
>>>
>>> (*) Existem várias definições para "Open Source", alguma das quais incluem
>>> qualquer software que venha com fontes, mesmo que não haja nenhuma
>>> transferência de direitos. Para efeito deste artigo estou chamando de "Open
>>>
>>>
>>> Source" o código distribuído segundo alguma licença "copyleft" como a "GNU".
>>>
>>>
>>>
>>> [1] -
>>> http://lie-br.conectiva.com.br/pipermail/linux-br/2004-July/021083.html
>>>
>>> --
>>> Eduardo Júnior
>>> GNU/Linux user #423272
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>> --
>> Anderson "Caco" Marques Ferraz
>> 4.º Período de Engenharia da Computação - UEFS
>> "I think Microsoft named .NET so it wouldn't show up in a Unix directory
>> listing."
>> (Oktal)
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