JUnta,

Eu não sou a melhor pessoa para defender as políticas do governo Lula em
relação ao S.L e suas vinculações com o que acostumou-se a chamar de
Cultura Digital :)

Mas também não querer mais dialogar com quem estiver sentad@ por lá não
resolve. O que irá acontecer é que mais e mais pessoas descaradas,
picaretas e sem a total noção de bem comum irá escrever projetos, editais
ou pior pautar políticas públicas para o ganho pessoal.

E essa omissão é não resolve. E eu sei como é não conseguir compreender
como um governo de centro-esquerda não consegue entender o quanto a linha
político-ideológica adotado pelo Ministério da Cultura é lesiva aos parcos
projetos que eram/são bons, interessantes.

Concordando em parte com o que o Thiago falou, a gestão do Gil/Juca não foi
ruim como um todo.

Pelo contrário, foi progressiva, tirou o MInC do ostracismo que sempre o
envolveu e colocou o mesmo para pautar uma política que, se levada ao pé da
letra, possui um caráter emancipatório. Pense que foi nessa gestão que o
caráter de genialidade de quem faz arte, foi colocada em dúvida, colocou
comunidade quilombolas para mostrar o que produzia e dizia que isso tinha o
mesmo valor que uma obra de Chico Buarque, Caetano Veloso,etc.

Além disso, colocou o código fonte como um bem cultural. No Brasil isso só
existia, esse conceito, em parcos grupos de pesquisa.

Trazer essas e outras práticas para o tal mundo real é emancipador. Contudo
não honrou os compromisso, seja por falta de verba ou por problemas
internos (boicote por outras do Governo, com os velhos contingenciamentos,
etc) ou mesmo falta de gente qualificada para fazer os trâmites
burocráticos.

Não concordo com a Creative Commons, acho a ideia do devolucionismo (
http://lasindias.net/indianopedia/Devolucionismo) muito melhor, mas vamos
com calma que o santo é de barro ! A coisa toda deve ter uma constante de
tempo, a constante de tempo do capacitor, deve ser bem alta...

Somos um país provinciano em alguns aspectos. Aliás, em muitos aspectos.
Lembram da polêmica que rolou aqui por causa do Gnome Womem Outreach (
http://live.gnome.org/GnomeWomen/OutreachProgram2011) ?

Somos também provincian@s :)

Voltando aos pontões...

O grande problema dos Pontões é que eles foram pensados apenas como acesso,
como uma ferramenta de acesso a rede, como um instrumento subalterno a uma
política estatal.

Não se pensava por exemplo que o Junta Dados fosse fazer um distro, isso é
produto dos esforços e acumulações de vocês. Mas a ideia de pontão nunca
foi isso, a ideia nunca foi dar autonomia nem para ele e nem para a
comunidade na qual o mesmo estava inserido.

Nenhum governo quer isso, pois com isso o governo não é necessário :)

Lembra da putaria (melhor palavra é essa) que foi, inclusive aqui nessa
lista, (http://permalink.gmane.org/gmane.org.psl.ba/7010) quando o pontão
de vocês cunhou a sentença "Universidade Pirata" ?

Se tentar sem diferente do "mais do mesmo", os censores, o vigilantismo
legalista aparece :)

Mas voltando...

E creio que essa mentalidade, esse mentalidade tacanha de entender Inclusão
digital como acesso. Isso é algo fortemente arraigado no imaginário da
maioria dos pontões e ainda é assim na Academia.

Veja quais ainda continuam, mesmo com todos os problemas e escassez de
recurso (humanos/financeiros/afetivos) ?

Quais dialogaram de forma real com a comunidade ?

Quem sujou os pés e subiu o Nordeste de Amaralina e não ficou com #$
piscando com medo de morrer por que alí , no nosso imaginário
pequeno-burguês só tinha ladra/ladrões, assasin@s e estupradores ?

Quem foi lá no pontão de Plataforma e em vez de ensinar coisas no
Cinelerra, sentou com a galera e ensinou a fazer transmissor FM e falou
"olha conectar no seu mp3 play e grava o que tu quiser aqui Grava que está
doendo no seu peito e isso vai sair na frequência da rádio xx" para acabar
com as rádios dos pastores e dos "capo"/coronéis da região ?

E principalmente, quem se dispôs a aprender com a cultura popular, com o
aprendizado do cotidiano das pessoas que estão ali se lascando todo dia ?

Poucos Junta. #fato

Ficamos a ensinar a mexer no openoffice, no cinelerra, ou no raio que o
parta com código aberto. Nada de ensinar a programar para resolver as suas
demandas locais e depois quem sabe pensar glocalmente (é assim que se
escreve).

E isso não é só explicado com o lance do fim da verba. É mais profundo,
muito mais. A precarização explica em parte a celeuma. No final das contas,
esses projetos, no qual também está incluso o Cultura Viva, fizemos apenas
os números que o governo queria. Os números para usar e justificar o roubo,
essa também é a melhor palavra, das verbas do FUST. (
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9998.htm)

Mas tentando ser menos meta e mais concreto...

A gente está a pensar em duas coisas diferentes. A primeira é política de
fomento a tecnologias sociais e a outra é a sustentabilidade desse tipo de
comunidade.

Vou logo falando, precisa de grana para fazer essas coisas. Quem dará ?

Penso numa alternativa híbrida, que exista contrapartidas estatais e da
sociedade, com pessoas de dentro ou de fora da comunidade.

Seria algo como ampliar o conceito de crowd funding (
http://en.wikipedia.org/wiki/Crowd_funding)à 5 potência. Fazer com que
projetos como o catarse.me (http://catarse.me/) ou o
www.kickstarter.com/tivessem um caminho mais próximo de quem quer doar
e de quem precisa
receber. Algo que a P2P Foundation (http://p2pfoundation.net/) e a Open
knowledged Foudation (http://okfn.org/ deve rolar em breve um capítulo aqui
no Brasil) estão a tentar fazer.

Mas enfim, não sou muito fã de transplantar coisas que estão rolando lá
fora e copiar e colar por aqui. Mas nada contra em remixar, em reusar (como
em reuso de software...) antropofagia dessas coisas.

Uma boa seria a gente colar em listas que a discussão sobre isso está mais
avançada aqui no Brasil (Redelabs, metareciclagem, Thacker) e também lá
fora na gringa (p2pfoundation, openmanufactoring >>
http://openmanufacturing.net/, hacklab)

A grande questão é que a gente nunca foi forçado a criar autonomia no mundo
real.

Mas neg@ (a.k.a Junta_Dados), acabei não dialogando muito com seu email nem
com o do Thiago.

Sono, falta de foco, projeto semestral da Universidade no talo, tudo junto ?

Inteh,

ps: Mas o negócio é hoje :)

Em 4 de novembro de 2011 17:03, juntaDados.org
<juntada...@juntadados.org>escreveu:

> Em 4 de novembro de 2011 17:26, Luiz Paulo Colombiano <
> lpcolombi...@gmail.com> escreveu:
>
>> Mas o que é um governo, que se diz de esquerda, representa para tudo
>> aquilo que entendemos como teórico, imaginário? O Lulismo/Dilmismo não
>> significa absolutamente nada o pensamento ocidental e oriental com teor de
>> crítico.
>>
>> O melhor então é não debater ? Nem entre a gente, noss@s pares, iremos
>> debater mais ?
>>
>
>   Já houveram debates infindáveis, longas discussões, sonhos mágicos,
> imaginários sem igual, muito, muito mesmo desde os idos de 2003, da
> fundação dos PSL, da formação de um novo governo que propunha
> transformações, da concepção de Cultura Digital e tanto mais.
>
>   Antes disto é claro já se debatia, já se discutia todas estas questões.
> É o que mais se faz neste Brasil é sonhar (debater), afinal somos o "país
> do futuro", se debate, se propõe, se promete e se esquece.
>
>   E o debate não parou não, continua, o mesmo blá, blá, blá, mesmas
> teorias, mesma utopia dialética sem qualquer cunho prático de ação concreta.
>
>   O povo aqui das antigas também já deve esta de saco cheio, não foram
> uma, mas muitas reuniões, entre nossos pares, entre nos e a sociedade civil
> organizada, entre nos e os representantes do poder vigente.
>
>
>
>> Como se consegue autonomia estatal sem construir isso em locais como
>> aqui?
>>
>
>   Não acho que aqui seja o espaço, o espaço é no Ponto de Cultura, no
> Telecentro, nas comunidades, presencial, real e concreto.
>
>   E estes debates, estas discussões ocorreram ao longo de oito anos, e
> posso lhe garantir que essa galera, esta de saco cheio também, promessas,
> mentiras.
>
>   Muito Filósofo, Pedagogo, Sociologo, Humanistas usaram e abusaram da boa
> fé desta gente, falaram em transformação e agora em apenas 10 meses esta
> tudo indo por água a baixo. Os humanistas estão desesperados, é claro, mas
> é porque perderam a mamata do governo.
>
>   Quer ajudar, participe das conferência, ou qualquer outro ato destes
> palhaços do estado, e quando o "representante do estado" abrir a boca
> jogue-lhe um tomate na cara e vista um nariz de palhaço. Convoque amigos,
> conhecidos para todos usarem narizes de palhaço.
>
>
>> Mágica, esmola, precarização ?
>>
>
>
>> O código fonte resolve isso ?
>>
>> Estamos apenas falando de uma escolha técnica ou é algo mais ? Se for vc
>> está cert@.
>>
>
>   O que menos se discute no Brasil em termos de Software Livre é a
> Técnica. Em Projetos de CD e ID muito se falou dos aspectos sociais da
> tecnologia, da importância, de como é grandioso e importante todos se
> apropriarem da tecnologia. Discussões lindíssimas, palavras das mais belas
> e profundas, lágrimas escorriam sempre nestes espaços.
>
>   Faltou explicar como se usa ou como se apropria de verdade da ferramenta
> (tecnologia), e com certeza não é apenas discutindo ou debatendo as
> lindezas do Software Livre e afins.
>
>   Botaram um bando de humanistas para explicar epistemologicamente o que é
> tecnologia e o Software Livre. Dissecaram todo o impacto social do bom ou
> mal uso da tecnologia, mostraram que era hora da mudança, dai, dai... Dai
> acabou a bolsa, acabou a verbinha do caboclo que estava ali falando, dai
> ficou ali no meio do caminho, e dai que as palavras viraram vento quando a
> fome apertou, quando a conta atrasou.
>
>   E agora? Como o cabra se sustenta, alguém vai pagar a ele para ficar o
> dia inteiro falando da importância da tecnologia da informação face ao novo
> paradigma da sociedade moderna frente as adversidades da sociedade de
> consumo?
>
>   Agora o sujeito lá no Ponto de Cultura, Telecentro, na comunidade
> ribeirinha, quilombola e afins tem a certeza de que se ele não aprender
> este troço ele esta na merda mesmo. Coisa que ele já sabia a muito tempo.
> Porém, agora ele tem muitas palavras bonitas pra falar isto, o que é do
> ponto de vista de supostos educadores sociais, humanistas, filósofos um
> progresso, né?
>
>
>
>> Caso contrário:
>>
>> Show me your proof :)
>>
>> Teoria social e código devem andar juntos. Um sem o outro não resolve. É
>> pobre pensar apenas na meritocracia do código fonte ou o esquemático do
>> hardware. Os dois são apenas vontade de potência.
>
> A última parte concordo com tu.  Mas qual ou quais motivos impedem que
>> tenham mais gente programando e além disso, utilizando ferramentas livres e
>> difundindo esse conhecimento ?
>>
>
>   É Teoria Social já temos demais, muito mesmo. Falta o Código, Falta a
> meritocracia na prática.
>
>
>> E quem, diferente da gente, não tiver tesão em programar faz o que ?
>> Senta e olha gente fazer a revolução ?
>>
>
>   Sei lá, Traduz, Reporta Bug, Doa um trocado, Bate Palma, Crimpa Cabo,
> Carrega Piano, faz o que tiver vontade de fazer. Agora faz algo prático,
> real, concreto. Vai num Telecentro, Ponto de Cultura, comunidade
> quilombola, ribeirinha e mostra aos caboclos o que ele pode fazer de real
> para transformar sua realidade.
>
> Inteh,
>>
>>
>> Em 4 de novembro de 2011 15:36, juntaDados.org <juntada...@juntadados.org
>> > escreveu:
>>
>>>
>>>   Porque se não é concreto vai embora na primeira ventania de mudança. O
>>> teórico, o imaginário, o debate e a discussão ocorreram em 8 anos do
>>> governo federal e 4 no âmbito estadual, muita gente ganhou muito para
>>> imaginar o novo, para propor ideias e agora pouco disto se tornou fato
>>> concreto, real, prático a sociedade.
>>>
>>>   Hoje a gente tem mais pensadores, teóricos, humanistas na questão
>>> Software Livre do que qualquer outro lugar no mundo. Sabemos muito bem dos
>>> impactos sociais, das implicações e da importância social do Software Livre
>>> na sociedade porém muito pouco se trabalha para tornar este suposto impacto
>>> em resultado reais.
>>>
>>>   *"Talk is cheap*. *Show me the code*"
>>>
>>> Em 4 de novembro de 2011 15:23, Luiz Paulo Colombiano <
>>> lpcolombi...@gmail.com> escreveu:
>>>
>>> Talvez seja isso mesmo Terceiro. Até agora nunca compreendi esse
>>>> necessidade de concretude e meritocracia que permeia o mundo do S.L.
>>>> Talvez um dia eu entenda. Vou continuar a tentar.
>>>>
>>>> Quanto as palavras, deve ser a frieza de fazer uso delas em um email.
>>>> Mas não era esse o sabor que eu queria que elas tivessem. Queria um bolo
>>>> doce e parece que ficou cheio de sal :)
>>>>
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>> "Contra Negantem Principia Non Est Disputandum"
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>> "O possível só é atingível através da tentativa de se atingir o
>> impossível."
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>> Karl Liebcknecht
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"O possível só é atingível através da tentativa de se atingir o impossível."

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