Leandro

Em adendo à mensagem que lhe mandei>

É irrelevante saber se o personagem acerca do qual tanto se fala se chama Bill Gates ou John Qualquer Coisa ou Peter Não Sei das Quantas. Imaginemos que não existissem microcomputadores. Os que estariam fazendo os seus milhões de usuários atuais? E o que estariam fazendo os que vendem hardware e software para esses usuários? Note-se que eu não afirmei nada, categoricamente. Eu usei a expressão "É provável". O que é certo é que os 2500 mainframes que a IBM vendia não iriam gerar todas essas oportunidades. É claro que podermos imaginar uma infinidade de universos e cenários distintos, onde as coisas poderiam ser melhores, mas nesse caso entraríamos no terreno da pura especulação, o que não era o meu propósito. Ative-me ao cenário com o qual me defronto.

Alternativa significa, nos bons dicionários, "sucessão de duas coisas mutuamente exclusivas; opção entre duas coisas". Nesse sentido o Linux é uma alternativa ao DOS ou a qualquer outro sistema operacional que se queira considerar. Independentemente de qualquer intenção original do Linus. E pelo que eu sei (e creio que ele escreveu isso) a máquina em que ele se baseou foi um 386. Se eu estiver errado me digam.

De fato a guerra, a despeito dos seus horrores, pôde trazer benefícios para um ou outro setor e até mesmo para toda a sociedade. A corrida armamentista impulsionou a indústria eletro-eletrônica, o que redundou na produção de inúmeros bens de consumo que atenderam as demandas da população. Foi o melhor caminho? Existiam alternativas melhores? Foi justo ou compensador o preço pago? São questões interessantes de serem discutidas, mas não era delas que pretendia tratar no meu texto.

Santayanna dizia que "Quem não conhece a História se arrisca a repetí-la". Nesse sentido é sempre oportuno conhecer a História para não repetir os erros. Já li, num texto publicado nos Estados Unidos, que o Windows pagou um preço alto por não ter aprendido com os erros do UNIX. Seria, pois, interessante, ver que erros seriam estes que o UNIX cometeu e que o Windows ignorou.

Por ora partiremos das seguintes constatações, inequívocas: existem os Estados Unidos, existe o Brasil, existem o Windows, a Microsoft e o Bill Gates e existe o Linux.

Isso posto, a questão é: como fazer com que um produto, como o Linux ao qual associamos tão fortemente a idéia de liberdade, poderá se impor, no Brasil, diante da avassaladora presença do Windows, num mundo tão cheio de injustiças? Serão suficientes discursos enaltecedores? E a questão do usuário leigo, a meu ver tão desassistido? Essa me parece uma questão determinante que, a meu ver, não pode ser neglicenciada.

Nesse ponto, parafraseando Lenin, eu diria: O QUE FAZER? Eu não tenho as respostas as quais, eu creio, só um amplo debate poderão proporcionar.

Abraços e obrigado por ter se dignado de responder as questões que apresentei.

Alfredo Pereira dos Santos, Rio de Janeiro.


----- Original Message ----- From: <[EMAIL PROTECTED]>
To: <psl-ba@listas.im.ufba.br>
Sent: Monday, January 09, 2006 12:13 PM
Subject: Digest PSL-BA, volume 10, assunto 13


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Message: 1
Date: Mon, 09 Jan 2006 03:10:09 GMT
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Subject: [PSL-BA] (IM/TWiki).PSL - Automated notification of topic
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Message: 2
Date: Mon, 9 Jan 2006 08:46:58 -0200
From: Alexandre Moura <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-BA] Arrogância perigosa
To: Integração do Projeto Software Livre Bahia
<psl-ba@listas.im.ufba.br>
Message-ID: <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset=ISO-8859-1

... Posto isso, vc tem 2 opções....  Qual vc vai escolher?

Você pode escolher entre a pílula azul ou vermelha.
Entrar na realidade ou continuar no "Fantástico Mundo de Bob (digo, Bill)"

...É o mesmo tipo de arrogância e auto-suficiência que levou a IBM à
derrocada....

Nãi sei não. A IBM é e acredito que por muito tempo ainda será a maior
empresa de Tecnologia do Planeta. Quanto ao OS2, eu não conheço, mas
soube que é muito bom. Só não emplacou porque a filosofia de
traficante adotada por Tio Bill não foi usada pela IBM. Apesar dos
preços absurdos e de tudo mais que a IBM fez ou possa ter feito com a
humanidade, a relação comercial dela é muito clara.

Alexandre

--
O nosso sacrifício é consciente.
É a quota a pagar pela liberdade
                      Ernesto Guevara de la Serna

Linux Counter User #349572 [http://counter.li.org]


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Message: 3
Date: Mon, 9 Jan 2006 10:21:52 -0300
From: Rafael Rafa <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-BA] Arrogância perigosa
To: Integração do Projeto Software Livre Bahia
<psl-ba@listas.im.ufba.br>
Message-ID: <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset="iso-8859-1"

Opa !!! nunca vi tamanh debate aqui...

"Da próxima vez que nós fizermos uma oficina como a que aconteceu em
Camaçari eu te chamo com antecedência para você VER como construir um
mundo melhor. OK? Deixa aí seu telefone blz? ;-)"

Sendo assim deixo aqui meu MSN para que quando houver novas oficinas -
[EMAIL PROTECTED]

Sobre o texto, não tenho muito o que falar, pois como em toda revolução
existe suas partes boas e ruins e se ficarmos aquid debatendo sobre isso o
topico não terá fim nunca, por fim eu acho que Linux é uma coisa e Ruimdows
é outra... Usa quem quer, paga quem pode !!!


Em 09/01/06, Alexandre Moura <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

... Posto isso, vc tem 2 opções....  Qual vc vai escolher?

Você pode escolher entre a pílula azul ou vermelha.
Entrar na realidade ou continuar no "Fantástico Mundo de Bob (digo, Bill)"

...É o mesmo tipo de arrogância e auto-suficiência que levou a IBM à
derrocada....

Nãi sei não. A IBM é e acredito que por muito tempo ainda será a maior
empresa de Tecnologia do Planeta. Quanto ao OS2, eu não conheço, mas
soube que é muito bom. Só não emplacou porque a filosofia de
traficante adotada por Tio Bill não foi usada pela IBM. Apesar dos
preços absurdos e de tudo mais que a IBM fez ou possa ter feito com a
humanidade, a relação comercial dela é muito clara.

Alexandre

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Rafael Brito Gomes
Analista de Suporte Técnico
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Message: 4
Date: Mon, 9 Jan 2006 11:13:38 -0300
From: Leandro Nunes <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-BA] Arrogância perigosa
To: Integração do Projeto Software Livre Bahia
<psl-ba@listas.im.ufba.br>
Cc: PSL-BA@listas.im.ufba.br
Message-ID: <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset=ISO-8859-1

Olá a todos,

Não ia responder aos questionamentos aqui postos por nossa colega, por
achar que não valia nem o tempo/esforço de serem respondidos. Espero
que o nosso colega não leve isso como uma crítica a sua pessoa, pois
não o é, é que as povocações colocadas aqui acredito eu que não
contribuem para a construção e nem para o debate do software livre.

Mas como neste momento estou com tempo sobrando resolvi responder :)

Como diria aquela piada repetitiva a lá Jack. Vamos por partes.

"Muitos dos apologistas do software livre fazem críticas ásperas ao
Windows, à Microsoft e ao seu fundador, Bill Gates. Os que assim
procedem na verdade estão cuspindo no prato em que comem pois sem os
microcomputadores a maioria dos que trabalham hoje com informática
estariam fazendo outra coisa."

Esta é uma afirmação muito forte :) !!!
baseado em que você pode fazer uma afirmação dessa?
Não podemos atrelar o surgimento dos computadores pessoais a tio Bill.

Pode ser que ele tenha contribuído para acelerar este processo, mas
isso também é uma suposição. Não sou parente de mãe de ná e acredito
que ninguém aqui seja :)

Fazendo um provocação no mesmo nível aqui colocada, vamos lá. A
ciência teve uma das maiores evoluções da história no período da
segunda guerra mundial, principalmente a medicina sabe porque? Adolf
Hitler mandou matar milhões de judeus e para não jogar o "esforço em
vão" os médicos alemães faziam vários testes com judeus antes de
matá-los. Testes do tipo quanto tempo um ser humano passa debaixo da
água antes de morrer, dentre outros.

E ai? vamos agradecer a Hitler pela evolução da ciência?

"E é muito provável que o Linux nem existisse. Não nos esqueçamos que
o criador do Linux, Linus Torvald, o fez como um sistema operacional
alternativo para ser usado num microcomputador que usava o chip 80386,
da Intel, e o sistema operacional DOS (Disk Operating System) da
Microsoft. Aliás, tanto o Torvald quanto o Ramus Lerdorf, alemão que
criou o PHP (outro carro-chefe do software livre) estão hoje
trabalhando para empresas norte-americanas."

Este trecho mostra um pouco de desconhecimento sobre a história do
Linux, o Linus não criou o linux para ser um SO alternativo ao DOS,
este não foi o seu principal fator motivador.

E eu gostaria muito que o Linux não precisasse existir. Imagine que
Bill não tivesse tido a idéia "brilhante" de aprisionar o
conhecimento...
O Linux provavelmente não existiria pois os programas já teria código
fonte disponíveis para o uso de qualquer um, assim como as novidades
da medicina e de outras ciências estão disponíveis a todos. Imagine vc
se uma técnica de fazer transplante fosse proprietário?

Em relação as empresas e daÍ?!?

"Pode-se dizer muitas coisas do Bill Gates, exceto de que seja um cara
estúpido. Quando a famosa e poderosa IBM resolveu entrar no ramo dos
PCs e procurou a então pequena Microsoft para lhe propor que fizesse o
software que rodaria nos seus micros, o seu representante, Jack Sams,
um executivo de nível médio da IBM, não levou mais do que poucos
minutos para descobrir que o seu interlocutor, Bill Gates, "era um dos
caras mais espertos que já conhecera".

Naturalmente que o Bill nasceu bafejado pela sorte. O pai era um
advogado ilustre em Seattle e a mãe uma professora de destaque na
comunidade, integrante da diretoria do Security Pacific Bank e da
junta de curadores da Universidade de Washington. Ademais, seus pais
contribuiram muito para o desenvolvimento do seu incansável intelecto.

Ademais, ao contrário de muita gente que vive "metendo o pau nele",
Gates viaja muito e lê sobre uma infinidade de assuntos sem ligação
com computadores, o que lhe dá uma base de conhecimentos que pode usar
para os fins que desejar, incluíndo-se ai a capacidade de argumentar
com os seus interlocutores.

Durante algum tempo Gates pensou em ser matemático e chegou a
participar do difícil concurso Putnam de Matemática, tendo ficado
entre os cem primeiros alunos das escolas de preparatórios americanos.
Entrou em Harvard em 1973, mas não terminou o curso, pois logo os
computadores o absorveram completamente."

Que Bill Gates é muito inteligente todo mundo aqui presente nesta
lista sabe, o que questionamos é que esta inteligência poderia ser
canalizada para busca de soluções que propiciassem uma justiça social
no nosso planeta. E ele tem poder, em todos os sentidos falando, que
poderia potencializar muito a redução das desigualdades sociais no
nosso planeta.

Em relação ao restante da sua explanação só posso dizer que fico muito
triste de você saber mais da história de Tio Bill do que da história
do GNU/Linux e/ou do software livre, já que você está
participandodeste movimento e para isso precisa saber exatamente do
que ele se trata justamente ara evitar que problemas do cunho deste
email ocorram novamente.

"Gates era um hacker e como tal achava que a programação era um
exercício intelectual. Mas, ao contrário da maioria dos demais, ele
entendia que as possibilidades financeiras advindas do software tinham
que ser levadas em conta. Essa divergência de pontos de vista fez com
que ele fosse criticado pela comunidade hacker, que o considerou
mercenário. Trata-se, pois, de um debate que tem mais de duas
décadas."

Como você mesmo colocou, Gates ERA um hacker, e isso foi a MUITOOOO
tempo atrás, afinal de contas no momento que ele resolveu não mais
compartilhar o conhecimento ele o deixou de ser, pois um dos
princípios básicos para caracterizar um hacker é a questão do
compartilhamento do conhecimento.

Então hoje eu o considero MUITOOOOOO mais  um mercenário do que um
hacker, como disse anteriormente ele não é mais um hacker. Ou vc acha
que ele não é mercenário? Ganhar dinheiro as custas da morte de outras
pessoas e sempre querer mais e mais, para mim isso é mais do que ser
mercenário.

Vou comentar o restante do email sem copiar as suas citações agora,
tava ficando muito grande :)

Espero que não leve uma experiência ruim que você tenha tido como se
fosse algum comum da comunidade de software livre, talvez você não
deva ter falado com a pessoa certa :)

É obvio que muitas das difuldades da comunidade de software livre tem
SIM culpa do fabricante, pois todos aqui sabem que NENHUM hardware que
é comprado vem com um programinha de instalação para o LINUX já para o
windows isto ocorre em todos os caso. O único caso que eu já vi isso é
com os drivers da nvidia que disponibiliza em seus site um pacote de
instalação, mas mesmo assim aquilo é destino para o usuário que seja
no mínimo intermediário.

Agora você vai dizer que esta situação não é culpa dos fabricantes???
é claro que é culpa deles. A comunidade se vira do jeito que consegue
para superar estas problemas que no windows as coisas são bem mais
facilitadas e menos problemáticas.

Não acho que todos os usuários de computador devam saber tudo de um
hardware de computador, mas hoje (felizmente para uns e infelizmente
para outros) a pessoa tem que ter uma noção básica de como as coisas
funcionam para conseguir resolver aluns problemas que acontece no
nosso GNU volta e meia :). Este é um "sacrifício" que fazemos por
nossa causa, por acreditar que este é um movimento que vai alcançar a
sua vitória (na verdade já está alcançando), mas que temos que fazr a
nossa parte, mesmo que seja somente utilizar o GNU, pois como Sérgio
Amadeu explicou perfeitamente bem no último FISL precisamos montar a
nossa "rede livre" para combater a "rede corsária".

Problemas vão existir? com certeza vão. Mas a causa é maior que estes
problemas e com a nossa colaboração a tendência é que estes problemas
não existam mais, ou pelo menos, existam em menor escala.

Apesar de concordar de que um usuário não precise saber tudo do
harwdware de um computador, acho que este tem que ter uma noção básica
de como as coisas funcionam para não criarmos o "analfabeto digital",
ou "analfabeto funcional".

Em relação ao programa do governo concordo plenamente com você  de que
a coisa foi feita de forma armengada como normalmente é feito nos
programas governamentais.
Mas porque não pensar de forma positiva? Estamos vendendo computadores
sem enviar royalts para o exterior e criando a nossa "rede livre" do
males o menor.

Apesar de não concorda da a forma como você colocou os seus
questionamentos concordo com a idéia proposta por ele. Acho que
existem muitas pessoas que não expõem o software livre e seus ideais
de forma apropriada, apesar disso não chamaria estas pessoas de
arrogantes com  você o fez, mas sei que em alguns momentos elas o são,
porém não considero que seja a maioria :)

Então um conselho que eu te daria seria que você ao ver essa atitude
aconselhasse o cara ou a cara :), de forma delicada, a modificar a sua
postura.

É isso ai!!

Espero ter contribuido para o debate e ninguém leve as opiniões aqui
colocadas para o lado pessoal.

Saudações Acadêmicas!!!

Em 07/01/06, Alfredo Pereira dos Santos<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:



A Arrogância e a auto-suficiência como eventuais causas do fracasso
ou
Algumas pedras no caminho do Linux.

Alfredo Pereira dos Santos

Muitos dos apologistas do software livre fazem críticas ásperas ao Windows, à Microsoft e ao seu fundador, Bill Gates. Os que assim procedem na verdade estão cuspindo no prato em que comem pois sem os microcomputadores a maioria
dos que trabalham hoje com informática estariam fazendo outra coisa. E é
muito provável que o Linux nem existisse. Não nos esqueçamos que o criador
do Linux, Linus Torvald, o fez como um sistema operacional alternativo para ser usado num microcomputador que usava o chip 80386, da Intel, e o sistema operacional DOS (Disk Operating System) da Microsoft. Aliás, tanto o Torvald
quanto o Ramus Lerdorf, alemão que criou o PHP (outro carro-chefe do
software livre) estão hoje trabalhando para empresas norte-americanas.

Pode-se dizer muitas coisas do Bill Gates, exceto de que seja um cara
estúpido. Quando a famosa e poderosa IBM resolveu entrar no ramo dos PCs e
procurou a então pequena Microsoft para lhe propor que fizesse o software
que rodaria nos seus micros, o seu representante, Jack Sams, um executivo de nível médio da IBM, não levou mais do que poucos minutos para descobrir que
o seu interlocutor, Bill Gates, "era um dos caras mais espertos que já
conhecera".

Naturalmente que o Bill nasceu bafejado pela sorte. O pai era um advogado
ilustre em Seattle e a mãe uma professora de destaque na comunidade,
integrante da diretoria do Security Pacific Bank e da junta de curadores da
Universidade de Washington. Ademais, seus pais contribuiram muito para o
desenvolvimento do seu incansável intelecto.

Ademais, ao contrário de muita gente que vive "metendo o pau nele", Gates
viaja muito e lê sobre uma infinidade de assuntos sem ligação com
computadores, o que lhe dá uma base de conhecimentos que pode usar para os
fins que desejar, incluíndo-se ai a capacidade de argumentar com os seus
interlocutores.

Durante algum tempo Gates pensou em ser matemático e chegou a participar do
difícil concurso Putnam de Matemática, tendo ficado entre os cem primeiros
alunos das escolas de preparatórios americanos. Entrou em Harvard em 1973,
mas não terminou o curso, pois logo os computadores o absorveram
completamente.

Gates era um hacker e como tal achava que a programação era um exercício
intelectual. Mas, ao contrário da maioria dos demais, ele entendia que as
possibilidades financeiras advindas do software tinham que ser levadas em
conta. Essa divergência de pontos de vista fez com que ele fosse criticado
pela comunidade hacker, que o considerou mercenário. Trata-se, pois, de um
debate que tem mais de duas décadas.

Eu, particularmente, cito o Gates com uma certa frequência, especialmente
quando me defronto com pais desinformados ansiosos para dar computadores a
seus filhos pequenos. Invariavelmente cito-lhes a frase do Bill: "OS MEUS
FILHOS TERÃO COMPUTADORES, MAS ANTES TERÃO LIVROS".

Naturalmente que a boa origem do Bill e a sua inteligência não são
suficientes para explicar o seu sucesso. Foi também preciso uma boa dose de sorte e que os seus adversários fizessem um monte de besteiras, entre elas a
de substimá-lo.

Uma dessas besteiras foi cometida pela IBM. Steve Jobs, da Apple, em 1981
mostrou a Gates o computador Macintosh e este percebeu logo que o futuro
estava naquele tipo de interface, com ícones, mouses e janelas. Coisa que a IBM não viu. Uma das maiores fraudes da década de 1980, patrocinada pela IBM e por sua mentalidade de mainframe, foi que as pessoas precisavam tornar-se
"alfabetizadas em computador". Pais paranóicos correram imediatamente para
comprar computadores, temendo que o filho ficasse para trás se não
desvendasse rapidamente os segredos dessas máquinas. Na verdade, a
alfabetização em computador era simplesmente uma maneira de os fabricantes
fazerem com que os usuários sentissem que precisavam adaptar-se a essas
máquinas. A introvisão fundamental que ocorreu primeiro a Jobs e um pouco
depois a Gates era a que a situação devia ser invertida - os fabricantes de
computadores deviam dar-se o trabalho de adaptar as máquinas aos usuários.

Uma fraude semelhante vem sendo cometida hoje pelos que comercializam os
sistemas baseados em Linux. A diferença é que eles acham que o usuário dever
ser "alfabetizado em hardware". Recentemente fui a uma noite de autógrafos
de um livro sobre o Linux e, folheando-o, li a afirmação do autor de que uma
vez instalada a distribuição o usuário poderia tranquilamente ver os seus
DVDs. Disse-lhe que não era bem assim, pois eu havia instalado a referida
distribuição e não houve como ver os meus DVDs, coisa que eu conseguia fazer tranquilamente através da minha partição Windows do computador. Além disso, a placa de rede não fora reconhecida, coisa que o Windows fizera numa boa. O autor então pediu-me que lhe enviasse uma descrição completa do problema, o
que fiz, sem que até hoje, passadas duas semanas, houvesse qualquer
resposta. Diga-se em sua defesa que ninguém respondeu à pergunta. Exceto
para botar a culpa no driver do fabricante da placa, falar em atualização do
kernel, ou remeter-me à páginas que mais confundem do que esclarecem.

Fabricante de produtos eletrônicos informam aos usuários sobre a voltagem em
que eles devem ser utilizados, se 110 ou 220 volts. Mutatis mutantis, para
serem honestos os vendedores de distribuições Linux deveriam informar em que condições de hardware essas distribuições funcionam, para que o usuário não
gaste dinheiro com equipamento onde o Linux não vai funcionar. Voltemos à
IBM.

O sistema IBM media principalmente quantas linhas de código alguém escrevia,
o que, na verdade, estimulava os programadores a escrever o software
ineficiente (isto equivaleria a pagar escritores por palavra). Quando peças de software rodam devagar carregam o processador do PC e exigem computadores
com muita memória para armazenar todo o código.

Uma das maiores brigas entre o pessoal da IBM e o da Microsoft ocorreu
quando um programador desta última pegou um trecho de código da IBM que
requeria 33 mil caracteres de espaço, e reescreveu-o em 200 caracteres ou
1/160 do espaço inicial. Essa solução foi considerada uma grosseria. Outros
programadores da Microsoft reescreveram em seguida outras partes do código
da IBM para torná-las menores e mais rápidas. Considerou-se isso uma
grosseria ainda maior. Os gerentes da IBM começaram então a queixar-se de
que, de acordo com o sistema de medição adotado na companhia, a Microsoft
não estava fazendo o esforço que devia.

Os executivos da IBM certamente não leram o livro do José Guilherme
Merquior, "A Natureza do Processo". Se o tivessem feito teriam aprendido que
"a sociedade não privilegia o esforço, mas sim o resultado". Conheço gente
que fez um enorme esforço para jogar bem xadrez, consumindo nele mais tempo
(e com resultados pífios) do que o Kasparov levou para se tornar Grande
Mestre, título que conquistou aos 13 anos de idade. O que devemos aplaudir,
os maus resultados do esforçado ou os resultados brilhantes do gênio,
conquistados com muito menos tempo e esforço?

O exemplo da IBM é revelador de quanta burrice ou safadeza pode se esconder
por trás de uma fachada de arrogância. É realmente inacreditável que se
gaste mais de 30 mil linhas de um código que pode ser feito com muito menos.
Conheço de perto esse problema. Na minha prática profissional já encontrei
gente gastando 50 linhas de código, que eu demonstrei que podia ser escrito
em seis linhas. Mas não creio que se trate de burrice da IBM, o mais
provável é que com o "código pesado" as máquinas ficassem lentas, induzindo
o cliente a uma atualização do hardware. Que a IBM, oportunamente, iria
prover, é claro.

Naturalmente que a Microsoft não iria fugir à regra e tem lá e cá as suas
práticas inescrupulosas, entre as quais a de nos fazer de cobaias. Não
sejamos ingênuos. O Bill Gates é norte-americano e um representante do
capitalismo. E nós, brasileiros, terceiromundistas já tivemos tempo bastante
para saber o que é isto. Como diria o Galbraith, referindo-se à General
Motors, "Ela diz que defende o interesse público. Pode ser, mas ela defende,
antes de tudo, os seus próprios interesses". E não nos esqueçamos do que
dizia um famoso secretário de estado norte-americano, John Foster Dulles,
"Um país não tem amigos mas sim interesses".

Alguns defensores do Linux, como eu já pude verificar, apostam na derrocada
da Microsoft. Alguns se comportam como se fossem portadores de uma nova
verdade que triunfará a despeito de tudo e de todos, tão naturalmente como
um dia sucede ao outro. Trata-se de uma ilusão igual a dos que eu ouvia
dizer, há 50 anos, que era iminente a derrocada do capitalismo.

Como um sistema operacional baseado no UNIX o Linux tem inúmeros aspectos
positivos. Mas os seus apologistas, alguns dos quais estão se tornado tão
mercenários quanto dizem ser o Bill Gates, tem sido tão incompetentes (coisa
que o Bill não é, absolutamente, goste-se ou não dele) que anulam esses
aspectos. É o mesmo tipo de arrogância e auto-suficiência que levou a IBM à
derrocada.

Uma demonstração inequívoca dessa arrogância, que se confunde com a burrice, foi o fato de que mais da metade das pessoas que compraram computadores com Linux, patrocinados pelo governo, já migraram para o Windows, em decorrência
das dificuldades que tiveram para usar o sistema. A notícia, que li
recentemente num jornal carioca, provocou-me uma mistura de sensações, entre as quais a tristeza, a perplexidade e a irritação. Realmente é muita burrice
e incompetência juntas. Lançar-se numa empreitada dessas, sem ter a
infraestrutura adequada para atender os novos clientes, socorrendo-os nas
suas dificuldades.
Somente a megalomania poderia levar alguém a achar que uma bonita interface gráfica, como as do KDE ou do Gnome, poderia deixar o usuário tão encantado
a ponto de levá-lo a ignorar tudo o mais.

Se o Linux depender desse tipo de gente para se impor ao Windows
dificilmente emplacará no Brasil. O Mário Quintana dizia que "Uma boa causa
não salva um mau poeta". É verdade, mas pior ainda é que o mau poeta
frequentemente prejudica a boa causa, matando-a, na pior das hipóteses.

Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 2006

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Dois Axé!!!

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"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e de
repente você estará fazendo o impossível."
                                  São Francisco de Assis

Leandro Nunes dos Santos
Bacharelando em Ciência da Computação - UFBA
Membro do DACOMP - www.dacomp.im.ufba.br
Membro do Projeto Software Livre Bahia - www.psl-ba.softwarelivre.org
Tesoureiro da ENEC - www.enec.org.br

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