Em 07/01/06, Alfredo Pereira dos Santos <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

Salve Alfredo e pessoal,

Não resisti e gostaria de lançar alguns comentários sobre o texto e depois algumas conclusões:

1 - Concordo com o autor que algumas pessoas da comunidade do Software Livre (SL), tem aversão a Bill Gates e seus derivados, o que é normal. Até os próprios usuários de Windows tem. Contudo, o próprio autor é um contra-exemplo disso.

Umas das coisas mais bacanas do SL, é que ele une diversos interesses em torno de um produto (que na verdade são vários sub-produtos). Esses interesses vão da filantropia até o lucro e a exploração, e eu acho difícil imaginar que todos queiram chegar ao mesmo lugar, ou seja, "ter sucesso". Voltarei neste ponto.


2 - O autor constata (em boa parte do texto) a inteligência de Bill Gates. Contudo, o que isso teria a ver com a questão do SL?  A resposta para isso me parece ser uma preocupação do autor com o "insucesso" do sistema operacional Gnu, visto que Gates, sendo um cara inteligente, se utiliza de sua esperteza para se sair bem contra seus opositores (assumindo que o Gnu seja um opositor).

Contudo, vale a pena refletir se o próprio SL (a comunidade) encara Gates como um adversário, de forma semelhante a que Gates o faz. Outra coisa é a definição de sucesso para o SL. Eu acredito que com o Gnu, nós (comunidade utilizadora e desenvolvedora) atingimos sim um nível de sucesso satisfatório. E isso não significa estar em todas as casas do mundo e suportar todos os hardwares.


3 - Quanto a detectção de hardware, posso dizer que já presenciei de tudo, onde um sistema (Windows ou Gnu) detecta melhor que o outro algum hardwares.

Realmente, é um pouco injusto exigir do Gnu, compatibilidade com todos os novos hardwares, quando a maioria dos fabricantes só está preocupada com um único SO. Acredito que com a vinda do Mac para arquitetura Intel muita coisa mude.

Além disso, existem distribuições como a Mandrake (hoje Mandriva) que tem um banco de dados de todos os hardwares suportados. O autor precisa se informar melhor.

Mas em geral, nunca tive muitos problemas com hardware.


4 - Em uma parte do texto o autor fala de trechos de código da IBM que foram rescritos com bem menos linhas por pessoas da Microsoft. E conclui que isso era burrice. Curiosamente, hoje a Microsoft está cometendo a mesma "burrice" que a IBM cometeu :)


5 - O autor comenta sobre defensores do Gnu, mostrando que são "idealistas" e compára-os com comunistas. Imagino que existam pessoas que realmente encarem as coisas desta forma. Mas é um tipo de generalização que não se mostra verdadeira.


6 - Ao final do texto (que em sua maioria não enfoca diretamente sobre o que deve ser feito para se obter o "sucesso" do SL) o autor faz um paralelo da arrogância da IBM com a arrogância de alguns membros da comunidade do SL (fato).

Além disso, ele cita que o PCs vendidos com o Gnu patrocinados pelo governo, seriam um erro da arrogância da comunidade, já que mais da metade mudou para o Windows, por dificuldades como o Gnu.

Duas coisas:
6.1 - Será que estas pessoas não teriam prévio interesse em utilizar o Windows?
6.2 - Será que as pessoas que venderam estes computadores e não prepararam a infra-estrutura para tal, podem representar toda a comunidade? Em particular, aquela parcela arrogante? Tenho certeza que não.

Conclusão:
Quanto ao texto, acho que, apesar de lúcido, comete o mesmo erro que a maioria de textos afins que é propor o que não fazer, ao invés do contrário .

É verdade que o autor parece querer abrir os olhos de algumas pessoas (não todas, claro) para não cometer erros que já foram cometidos antes.

Contudo, o autor talvez não perceba, visto (no texto) que ele tem um vasto conhecimento na história de Gates e da IBM, mas não demonstrou tal conhecimento pelas iniciativas de SL, onde existe uma tremenda heterogeneidade de pessoas e interesses formando a comunidade (o verdadeiro caos).

Os tais arrogantes, talvez por serem mais faladores, se posicionem na "linha de frente" e fica parecendo que só há estes.

Como sugestão, proponho ao autor:
 - Definir o que ele acredita ser "sucesso" para o nosso sistema operacional livre.
 - Dar algumas metas para que tal sucesso seja atingido (sem grandes formalidades)
 - Conhecer os projetos de inclusão digital utilizando SL, que estão sendo ou foram realizados, em particular os que tenham envolvimento do PSL-BA

Digo isso, pois o interesse maior que percebo no grupo PSL-BA é pela inclusão e não pela derrocada de Gates, até porque ele poderia ser um grande aliado do SL, se ele tivesse o interesse.

Mas parece que o Sr. Gates é um sujeito muito inteligente, e deduzo que o conceito de inteligência esteja associado apenas à capacidade de criar novas formas de ganhar dinheiro.

Bem-vindo ao SL.

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Eric Jardim
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