A Veja não viu? Eu vi. Vi uma reportagem panfletária, tendenciosa e grosseiramente distorcida... Envergonho-me de precisar explicar o óbvio: O jornalista "Duda Teixeira" sequer se deu o trabalho de diferenciar Software Livre de Software Grátis. Isto é no mínimo irresponsável. Software Livre é apenas software flexível, auditável e editável, nada mais. Em nenhum lugar da Licença GPL fala-se de preço... você pode aplicar qualquer preço, desde ZERO até sugerir a permuta de seu software por uma Ferrari... contanto que seu cliente aceite(por favor me dê o telefone deste cliente depois! :-P ) e você mantenha o software com o código-fonte e sob a mesma licença. Software Livre tem a obrigação de permanecer livre, não de ser gratuito.

Pensando bem, até usando esta visão distorcida (Livre=Grátis) o Software Livre leva vantagem. O "Computador Para Todos" do Governo Federal nunca teria sido tão acessível(e tão vendido) se dependesse apenas de software proprietário. Ontem vi no Extra da Av.Paralela um Celeron com 256Mb de RAM, disco de 40Gb e os 26 programas requeridos pelo governo por R$ 1.099,00. Somente a dobradinha MSWindows XP Home Edition(R$ 499,00) e MSOffice2003Basic(R$1.099,00) já onera em aproximadamente R$ 1.598,00 o computador que deveria ser para todos. Claro que estes preços referem-se à versão "caixinha", em rápida consulta ao site da Brasoftware(www.brasoftware.com.br)... consultando na Officer estes softwares em sua forma OEM os preços descem para valores mais próximos de R$237,67(WinXP) e R$453,29(Office2k3). Trocando em miúdos, é um acréscimo de aproximadamente R$ 690,00 apenas  por 02 dos 26 programas exigidos, estes que mantêm fechados os formatos em que guardam suas informações(NTFS, doc, xls, ppt)... já percebi ser inútil olhar os outros 24 programas...  :-$   Por mais que tentassem um "dumping" oferecendo gratuitamente estes programas, eu não arriscaria meus dados a formatos fechados!!!

Isto me traz uma pergunta... Por acaso o referido jornalista já leu uma EULA? Eu li e fiquei estarrecido com o que aceitamos sem saber ao instalar o Microsoft Windows. Cinco Anos de Suporte para o Software Proprietário? Piada... Na própria EULA do Windows XP Home instalado aqui em meu notebook diz-se claramente que a Microsoft Corporation NÃO se responsabiliza por qualquer dano que o Windows cause a meus dados, outros softwares ou mesmo ao hardware (mesmo sendo uma licença OEM). Isto sem falar dos custo adicional representado pela dupla dinâmica antivírus/antispyware que tornou-se OBRIGATÓRIA a qualquer máquina Windows. Bem, como eu não pretendo perder minhas poucas economias bancárias para um cracker por falhas do meu MSWindows ORIGINAL, reduzi sua partição a 10Gb e utilizo-o apenas para jogar Call of Duty(comprado legalmente). Todo meu trabalho sério, incluindo suítes de segurança, dados de clientes do DataCenter, documentos, e-mails, etc. mantenho em meu Debian GNU/Linux, instalado na partição maior (50Gb) de meu disco.  Este e-mail, para exemplificar, está sendo escrito a partir do Mozilla Thunderbird instalado no GNU/Linux.

No fim, sinto-me extorquido. Paguei CARO por um software que não presta a que se propõe, a HP não vai me ressarcir do custo do WinXP que me foi empurrado junto com o notebook e duvido que para a Microsoft eu passe de um número de ativação. Peço permissão a vocês para copiar este e-mail para discussão pelo PSL-BA(já que é uma assunto que afeta a nós todos) e ao link "Fale Conosco" da Revista Veja(embora eu duvido que tenha retorno maior que uma autoresposta automática). Anexo abaixo alguns links/textos interessantes sobre o assunto, para municiá-los a tomar suas próprias  decisões. Até mais!

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16/05/2006 02:37
Veja, Lula... e o software livre
Por Ricardo Bánffy.
http://webinsider.uol.com.br/vernoticia.php/Veja__Lula____e_o_software_livre/id/2831

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  A veja não viu? É melhor não ver a Veja. A Veja é um panfleto.
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Por Sérgio Amadeu, São Paulo, 16 de maio de 2006

A revista Veja novamente divulga uma matéria mentirosa. Chamada
O Grátis que sai caro, a matéria procura atacar o avanço do software
livre usando releases publicitários da Microsoft, empresa monopolista que
vai perdendo seus lucros monopolistas diante do avanço do modelo de software
aberto.

Como o jornalista Eduardo, o Duda, tem muita experiência sabemos que seu
texto não trouxe enganos, mas mentiras:

1. Somente um único Ministério, do Desenvolvimento Agrário, economizou
R$ 2 milhões usando aplicações de segurança livres em sua rede. Isto sem
contar a economia com suporte e com a estabilidade da rede. Apesar da
campanha da Microsoft, o software livre é muito mais econômico e estável.

2. A Veja contraria as matérias da Info Exame (do mesmo grupo Abril),
uma revista técnica e séria, sobre os enormes benefícios do software
livre. Quem está mentindo: a Veja ou a Info Exame? A resposta é óbvia. A
Veja mente.

3. Nunca se vendeu tanto computador no Brasil por causa do programa PC
Conectado, devido ao financiamento e aos 26 softwares livres embarcados
nos computadores. Só o Duda não viu. A venda de mais de 450 mil
computadores com software livre fez até que as licenças proprietárias
caissem de preço. A Veja esqueceu que a concorrência gera melhores
produtos e a redução de custos da tecnologia da informação.

4. Veja não viu que enquanto 69,7% do mercado mundial (mais de 2/3) usa
Apache, software livre para webservers, menos de 4% dos servidores do
governo federal seguiam o padrão do mercado. Duda acha normal quando o
uso é de programas da microsoft, mesmo que estes produtos sejam mais
caros e mais instáveis. O que o governo federal fez foi quebrar a
reserva de mercado para produtos de uma única empresa. Hoje, um pouco
mais de 30% do governo federal utiliza Apache. A economia mal começou.
Será que algum lobista pediu para a Veja dar uma força e paralisar a
redução de custos do Estado?

5. Duda esqueceu de contar o grande lobby da microsoft sobre o governo.
Ele sabia, mas omitiu que o chefe de gabinete da presidência do Serpro,
maior empresa de TI do governo, saiu direto de uma empresa pública para
o escritório de vendas da microsoft em Brasília. Isto ocorreu no segundo
semestre de 2004. Se fosse no mercado financeiro, a lei de querentena
proibiria tal absurdo, mas na área de TI isto não ocorre.

6. Os equívocos da matéria são tantos que não podem ser simplesmente
erros. Veja chegou a dizer que quem decide pelo empréstimo de urnas
eletrônicas (que usam somente software proprieta?io) para o Paraguai foi
o governo federal. Qualquer jornalista sabe que esta decisão é do TSE,
Poder Judiciário. Ela não tem nada a ver com software livre e muito
menos com o governo Lula. Duda não sabe disto? Claro que sabe, mas fez
de propósito. Por que? A serviço de quem?

7. Cada parágrafo da matéria é meticulosamente escrito para distorcer a
realidade. Vou parar por aqui, mas seria necessário reestabelecer a
verdade em cada linha. Apenas mais uma: Duda escreveu que o Serpro
contratou 2000 funcionários para desenvolver software livre. Mentira
descabida. Isto sim é que deveria ter sido feito, mas o concurso foi
para técnicos em geral e até para escriturários. Mas para Veja toda
informação pode ser manipulada e distorcida. Não é mesmo, Duda?

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Notas, por Rubens Queiroz de Almeida

Eu trabalho com software livre há aproximadamente quinze anos. A lista
Dicas-L, hoje com 26.000 assinantes, existe há 9 anos, sempre com o 
intuito de esclarecer e informar sobre os benefícios do software livre.

Por toda a minha experiência no assunto, sinto-me no direito de afirmar que
a matéria da Revista Veja, além de tendenciosa, é um festival de incorreções
e mentiras. Tradicionalmente o software livre tem pouquissimo espaço tanto
na mídia impressa como televisiva, e o que se normalmente se vê não difere
muito da matéria publicada pela Veja. O movimento de software livre e seus
desenvolvedores possui entusiasmo, criatividade e um grande espírito de
solidariedade, mas isto não compra espaço na mídia.

O site BR-Linux está encabeçando um movimento de reação
a este artigo da revista Veja, a partir do endereço
http://br-linux.org/linux/governo_vai_responder_s_perguntas_do_br-linux?mvh
O editor do BR-Linux, Augusto Campos, encaminhou uma carta aos órgãos de
informática do governo federal  envolvidos na implementação do programa software
livre na esfera federal com o intuito de obter mais informações sobre o andamento
do projeto.

Transcrevo abaixo um pequeno trecho publicado no site:

	A transparência dos órgãos de informática do governo federal é exemplar, e ontem mesmo representantes da SLTI, ITI e Serpro decidiram em conjunto que irão responder às questões enviadas pelo BR-Linux - não como uma resposta à Veja, mas sim em respeito à comunidade que os apóia e colabora na legitimação de seus esforços em prol do software livre.

Aproveitando, para quem ainda acredita que a mídia é isenta e honesta,
não deixe de ler o excelente livro O repórter e o poder, de autoria de
José Carlos Bardawil, da Editora Alegro, 1999.

	Esta autobiografia do jornalista José Carlos Bardawil ajuda a desvendar o que realmente está por trás das empresas de comunicação. Até que ponto interesses particulares ou políticos influenciam a cobertura dos fatos jornalísticos? Ao mesmo que narra sua trajetória pessoal, na forma de entrevista ao jornalista Luciano Suassuna, Bardawil relata importantes etapas da história mais recente da imprensa nacional. O leitor irá conhecer o funcionamento interno de jornais e revistas e o clima nas redações durante a cobertura de episódios fundamentais da história do Brasil. Cada fato é narrado com o olhar particular de um repórter vibrante, inflexível na defesa de seu papel de vigilante dos poderes públicos, acostumado a brigar sempre pelas melhores notícias. Um livro, enfim para quem gosta de debater sobre história, imprensa, políti
ca e poder.  (Fonte: http://www.bazarcultura.com.br)

Indo mais longe, o livro Cobras Criadas, de Luiz Maklouf
Carvalho, conta a história da revista O Cruzeiro, e de seu maior
expoente, o jornalista David Nasser. O livro conta como se faziam as
matérias jornalísticas daquele tempo. Ao que tudo indica a prática de
misturar realidade com ficção, prática comum daquela época, não mudou
muito de lá para cá. Para saber mais sobre este livro, leia o 
artigo (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/al171020013.htm) publicado
no site do Observatório de Imprensa.

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André Luiz S. Souza
aMSN: [EMAIL PROTECTED]
GNU/Linux User 178409
(71)8127-7304
Salvador/BA
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"Não tenha vergonha de mudar de idéia,
tenha vergonha de não ter idéias para mudar"
                       (Linus Torvalds)



Guto escreveu:


---------- Forwarded message ----------
From: Paulo Oliveira - HSR / Tecnologia da Informação <[EMAIL PROTECTED] >
Date: 17/05/2006 12:48
Subject: Software Livre: O grátis saiu mais caro
To: Guto <[EMAIL PROTECTED]>

Não sei porque isso me lembrou de André. rsrsrsrs....

Encaminha isso pra ele.

 

Fui.

 

Paulo Marcelo V. de Oliveira

Analista    de   Suporte   Júnior

Tecnologia   da    Informação

e-mail: [EMAIL PROTECTED]   Tel. (71) 3281-6187

 


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